Neymar vai à Copa: bastidores revelam plano para garantir camisa 10 no Mundial
Lance! apura que camisa 10 do Santos só não vai ser convocado se estiver lesionado

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A construção do cenário que coloca Neymar como presença provável na Copa do Mundo de 2026 passa menos por um momento pontual e mais por um conjunto de fatores estruturais que sustentam sua permanência no planejamento da Seleção. A leitura interna da Confederação Brasileira de Futebol indica que o atacante ocupa uma espécie de "vaga condicionada": não depende de disputa direta por posição, mas sim de sua capacidade física até a data da convocação. A informação foi apurada pelo Lance!
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Esse contexto ajuda a explicar por que ausências recentes não impactaram sua situação. Diferentemente de outros jogadores que precisam aproveitar cada oportunidade para se firmar, Neymar opera em outra lógica dentro da Seleção. Seu histórico, aliado ao peso técnico e à influência no grupo, cria uma margem de confiança rara — algo que o técnico Carlo Ancelotti deixa claro ao priorizar atletas aptos fisicamente, sem descartar previamente nomes consolidados.
Ao mesmo tempo, os números recentes, ainda que em amostra reduzida, mostram eficiência. Participar diretamente com três gols e três assistências em pouco mais de 490 minutos sugere que, mesmo longe do auge físico, o jogador mantém capacidade decisiva. Esse dado reforça a ideia de que Neymar não precisa necessariamente de volume, mas de condição mínima para ser determinante.
Outro ponto central é o modelo de gestão da sua recuperação. A integração entre Santos e Seleção, com monitoramento constante do médico da equipe nacional, Rodrigo Lasmar, garante controle total sobre cada etapa do processo. Não se trata apenas de recuperar o atleta, mas de calibrar sua evolução para um objetivo específico: chegar competitivo à Copa. Esse tipo de planejamento, herdado desde a era Tite, transforma Neymar em um projeto contínuo da Seleção, e não apenas em um convocável ocasional.
O staff de Neymar conta com o preparador físico Ricardo Rosa, que trabalhou na Seleção Brasileira entre 2017 e 2019, inclusive durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, período em que esteve diretamente ligado ao próprio Lasmar. Ao lado do fisioterapeuta Rafael Martini, Rosa mantém contato constante com o departamento médico da CBF, repassando detalhadamente cada etapa da evolução física do camisa 10 do Santos.
A reportagem do Lance! entrou em contato com a CBF para falar sobre o tema, mas as questões sobre atletas específicos só serão dadas após a convocação final, no dia 18 de maio.
Fora de campo, Neymar tem adotado uma abordagem cada vez mais científica e rigorosa para garantir sua recuperação e manutenção física. Entre os métodos utilizados está o PRP (plasma rico em plaquetas), um procedimento de medicina regenerativa que utiliza o próprio sangue do atleta. A partir da centrifugação, as plaquetas — ricas em fatores de crescimento — são concentradas e aplicadas nas áreas lesionadas, acelerando a cicatrização, reduzindo inflamações e estimulando a regeneração dos tecidos. O tratamento tem sido um aliado importante no processo pós-lesão, especialmente após a cirurgia no joelho esquerdo realizada no fim de 2025.
Além disso, o atacante buscou suporte internacional junto ao centro de alta performance da Red Bull, empresa da qual é patrocinado. Mesmo sem estar presencialmente na Áustria, Neymar participou de reuniões remotas com especialistas do Athlete Performance Center (APC), que desenvolveram protocolos específicos para potencializar seu desempenho físico até a convocação. O trabalho envolve áreas como fisiologia, biomecânica e recuperação muscular, com foco em otimizar sua condição na reta final do ciclo.
Esse cuidado se reflete também na rotina pós-jogo. Neymar segue um protocolo rígido de recuperação após as partidas pelo Santos. Em algumas ocasiões, retorna ao CT Rei Pelé logo após o apito final para iniciar imediatamente os trabalhos regenerativos. Quando opta por permanecer em casa, utiliza recursos como botas de LED — tecnologia que emite luz capaz de penetrar na pele e alcançar músculos e tendões, auxiliando na redução da fadiga e na recuperação muscular — enquanto realiza atividades cotidianas. O atacante também recorre à câmara hiperbárica, equipamento que utiliza oxigênio sob alta pressão para acelerar a regeneração dos tecidos e melhorar a recuperação física.
Esse conjunto de práticas evidencia não apenas o nível de investimento em sua preparação, mas também uma mudança de mentalidade do jogador, que intensifica os cuidados para se manter competitivo em alto nível. O próprio técnico Carlo Ancelotti falou da presença do jogador na lista.
— Ele é capaz de voltar a estar a 100%. Já disse isso repetidas vezes, e é muito claro: vou convocar os jogadores que estiverem fisicamente aptos. Depois da lesão no joelho, Neymar teve uma ótima recuperação, está marcando gols. Ele precisa continuar nessa direção e melhorar seu condicionamento físico. Ele está no caminho certo — disse Carlo Ancelotti ao jornal francês L'Équipe.
Por fim, existe o fator simbólico. Neymar ainda é uma referência dentro do elenco, tanto pela trajetória quanto pela relação com os demais jogadores. Em um ciclo de transição e renovação, sua presença tende a funcionar como elo entre gerações. Assim, mais do que uma escolha puramente técnica, sua convocação também carrega um peso estratégico e de gestão de grupo. O jogador é o maior artilheiro da história da equipe nacional, com 79 gols.
Dessa forma, a tendência de vê-lo na Copa de 2026 não se sustenta apenas pelo que ele entrega hoje, mas por tudo que representa e pelo planejamento construído ao seu redor.
— Eu não vou ser o Neymar de dez anos atrás. Não posso ser. É muito diferente. Hoje eu aprimorei o meu jogo de uma forma que, para mim, hoje é o necessário. Cada um tem uma visão diferente. Não preciso provar nada para ninguém. Com o maior respeito do mundo. Eu falo isso com o maior respeito do mundo. Os jogos para assistir, os treinos também — disse Neymar eu seu canal no YouTube.
Com respaldo interno, um plano físico detalhado e a confiança da comissão técnica, Neymar chega à reta final do ciclo quase como uma certeza da CBF. Mais do que recuperar o auge, o camisa 10 constrói uma nova versão de si mesmo — mais consciente, mais estratégico e ainda decisivo. A poucos passos da convocação, o cenário é claro: se estiver em campo, estará na lista. E, ao que tudo indica, pronto para defender o Brasil em sua última Copa do Mundo.


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