Vitor Chicarolli *
24/06/2018
13:43
São Paulo (SP)

Já se foram dois jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e algumas questões começam a ser levantadas pela imprensa e também pela torcida. Como todas as outras seleções do torneio, a responsabilidade maior será sempre do craque da equipe e no caso da Amarelinha quem carrega este fardo é Neymar. O astro brasileiro pouco jogou neste semestre por conta de uma lesão no pé direito em fevereiro e por uma possível falta de ritmo, algumas perguntas rondam a rotina do camisa 10 neste Mundial: "Ele já está totalmente recuperado?", "Está jogando na posição correta?", "O que falta para Neymar apresentar o futebol de antes?" e "Por que não está brigando pela artilharia da Copa ainda?".

O Brasil ainda não conseguiu apresentar o mesmo desempenho das Eliminatórias durante a Copa. Devido ao amplo repertório e excelente poder de decisão de Neymar, é natural o público esperar algo a mais do jogador mais caro da história. Para esclarecer essa situação, o LANCE! conversou com especialistas em futebol que falaram sobre o posicionamento do craque durante as partidas contra Suíça e Costa Rica, a parceria com Philippe Coutinho e o que ainda falta para o camisa 10 atingir seu melhor nível.

Tostão, ex-jogador de futebol e atualmente jornalista
"É uma boa observação. Ele está atuando na mesma posição que joga no Paris Saint-Germain, mas acredito que nos dois primeiros jogos da Copa do Mundo o Neymar ficou muito próximo da lateral. É um jogador fantástico perto da área e o desenho tem que ser esse mesmo, ele precisa receber a bola mais próxima do gol, onde ele tem 95% de chances de marcar. Uma infiltração maior com Gabriel Jesus poderia ser útil para Neymar receber em condições de finalizar, mas é nítido que ainda está sem ritmo e não está completamente recuperado. Os marcadores rivais percebem isso e já chegam cometendo a falta", disse.

"O ponto forte da Seleção Brasileira é pela esquerda com Marcelo, Philippe Coutinho e Neymar, porém contra a Costa Rica esse setor ficou muito parado e isso acabou dificultando. Vejo uma supervalorização das substituições, pela forma com que estão falando é como se o Brasil venceu apenas pela presença do Douglas Costa e do Firmino, mas antes mesmo disso tivemos umas cinco chances claras de abrir o placar", comentou.

"Por fim, acho que Philippe Coutinho se adaptou jogando mais centralizado e essa presença no setor acabou ajudando o camisa 10 a flutuar mais pela esquerda. O Neymar precisa buscar a bola na lateral e cortar para o meio. Ele precisa receber o passe e já ter condições de ir para cima do marcador e finalizar", concluiu.

Mário Marra, blogueiro do Lance! e comentarista das rádios Globo e CBN e dos canais ESPN
"Prefiro ele dessa forma que ele vem jogando pela Seleção. Não vejo uma Copa do Mundo ruim do Neymar, ele não foi bem no primeiro jogo mas também não foi mal contra a Costa Rica. Não concordo com o comportamento dele e algumas atitudes em campo, mas não vejo ele tão mal assim e acho que o Philippe Coutinho vem jogando bem, está crescendo muito e de repente trocá-los de posição não seria algo positivo. O Coutinho jogou pela esquerda por um período no Liverpool, mas ele não era um ponta, um jogador para ficar aberto na esquerda, ele cortava muito para dentro, até por que ele tinha laterais que também subiam. Eu vejo o Coutinho jogando um pouco mais atrás, enxergando o campo e o Neymar pela esquerda", expôs.

Tironi, blogueiro do Lance! e editor-executivo dos canais ESPN
​"Acredito que o Neymar sempre joga melhor quando está no lado esquerdo, pois ali é a posição real dele. Quando joga mais centralizado ele segura muito a bola e consequentemente não rende o esperado, acaba chamando a responsabilidade toda para si e na maioria das jogadas acaba optando por concluir a jogada com os próprios pés. Certamente é um jogador para ficar na ponta esquerda, cortando para dentro para finalizar ou encontrar algum companheiro que esteja em melhores condições de fazer o gol e não prender a bola com ele", afirmou.

Para concluir, recentemente o comandante da Seleção Brasileira Tite falou sobre o estilo de jogo do Neymar e a importância do craque no ataque brasileiro.

"Todos os atletas têm a responsabilidade de serem coletivos e individuais, cada um com sua característica. Não vou tirar do Neymar a iniciativa do transgressor, da genialidade. Ele esta num processo de retomada, mas serve para ele, Coutinho, Firmino, Jesus e Willian. Todos nós temos de potencializar a equipe, mas respeitar as características de cada um. No último terço, vai para cima, finta, dribla, não vou retirar a essência do futebol brasileiro”, comentou.

Como alguns dos nossos entrevistados ressaltou, Neymar foi mais participativo no jogo contra a Costa Rica e a partir do segundo tempo começou a flutuar pelo meio, recebendo a bola e cortando para o setor central do campo, criando chances de marcar. Alguns números do camisa 10 nessas duas partidas da Copa do Mundo comprovam que existiu uma melhora e que o craque passou a ser mais participativo no triunfo contra os costa-riquenhos. Confira as tabelas abaixo.

Em que partes do campo esteve Neymar (Fonte: Fifa Data)

                                                  Brasil 1x1 Suíça                          Brasil 2x0 Costa Rica
No campo do adversário         71% do tempo                            80% do tempo
No terço final do campo          42% do tempo                            50% do tempo
Dentro da área do rival            6% do tempo                               9% do tempo


Os passes de Neymar na Copa do Mundo (Fonte: Fifa Data)

                      Brasil 1x1 Suíça                      Brasil 2x0 Costa Rica
Passes                     38                                              63
Passes certos         30                                              49
Passes longos         3                                                 9
Passes médios      15                                               36
Passes curtos        20                                               18

A medição da Fifa aponta que Neymar percorreu uma distância maior contra a Costa Rica: 9,4km contra 9,1km da estreia, e atingiu uma velocidade máxima superior: 31,7km/h contra 29km/h.

*Sob supervisão de Marcio Monteiro