Ney Franco revela bastidor de Neymar no sub-20 e vê geração viva na Seleção de Ancelotti
Seleção fez campanha irretocável no Sul-Americano da categoria em 2011

Quinze anos depois, o título do Sul-Americano Sub-20 de 2011, no Peru, segue como um dos marcos mais emblemáticos da formação recente da Seleção Brasileira. Sob o comando de Ney Franco, a chamada "geração de 1992" reuniu talentos que não apenas dominaram a competição continental, mas também deixaram legado duradouro no futebol mundial.
A campanha foi irretocável. O Brasil marcou 24 gols, teve Neymar como artilheiro com nove e encerrou o torneio com uma goleada por 6 a 0 sobre o Uruguai. Mais do que o título, a conquista garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando a equipe ficaria com a medalha de prata.
Dentro de campo, o time encantava. Fora dele, já se desenhava uma geração histórica. Neymar, Lucas Moura, Oscar, Casemiro, Danilo e Alex Sandro despontavam como promessas — e rapidamente se tornariam protagonistas no futebol europeu. Ainda em 2011, Neymar, Danilo e Alex Sandro conquistariam a Libertadores pelo Santos. No ano seguinte, Lucas e Oscar atravessariam o Atlântico. Neymar faria o mesmo em 2013. Casemiro, Danilo e Alex Sandro consolidariam carreiras de destaque, com o volante se tornando ídolo do Real Madrid.
Agora, mais de uma década depois, parte desse grupo vive seus últimos capítulos com a camisa da Seleção. No confronto contra a Croácia, nesta terça-feira (31), às 21h (de Brasília), alguns nomes ainda resistem. Casemiro é titular e capitão sob o comando de Carlo Ancelotti. Danilo também foi confirmado pelo treinador italiano. Alex Sandro, por sua vez, ficou fora por lesão muscular na coxa direita, sofrida enquanto defendia o Flamengo.
E Neymar é um caso à parte. Desde a lesão no joelho sofrida no fim de 2023, o jogador não é mais o mesmo. Deixou o Al Hillal, da Arábia Saudita, e retornou ao Santos para tentar recuperar o bom futebol. Mas viveu cercado de lesões - a última, no fim de 2025, tirou o jogador de combate do início da temporada 2026. Agora, ele corre contra o tempo para ser lembrado por Ancelotti.
Para revisitar aquela conquista, o Lance! bateu um papo com Ney Franco, técnico da campanha, atualmente na Jordânia. O treinador relembrou bastidores de um projeto que, segundo ele, foi determinante em sua carreira.
- Foi um ano especial. Foi um projeto especial na minha vida profissional e pessoal. Assumir esse cargo de Seleção Brasileira, não só como treinador do time sub-20, mas como um coordenador das categorias de base da Seleção Brasileira. Tenho que falar desde o início - contou.
Ney Franco detalhou como surgiu o convite, ainda durante seu trabalho no Coritiba, em 2010.
- Fui procurado em setembro de 2010, e eu estava comandando o Coritiba na Série B, um momento muito especial ali. Após um período de muita turbulência em 2009, com o rebaixamento, conseguimos reerguer o clube em 2010, iniciando com o título do Campeonato Estadual. Montamos uma equipe que se encaixou dentro do Brasileiro da Série B. Então, em setembro, o Mano Menezes esteve em Curitiba. Ele me procurou, eu o recebi no meu apartamento, e ele fez essa abordagem para eu assumir como coordenador e treinador do time sub-20.
O treinador relembrou que houve resistência inicial para deixar o clube antes do fim da Série B.
- Tivemos um entrave no início, porque eles queriam que eu assumisse imediatamente. Eu teria que me desligar em setembro, mas eu disse que não tinha como deixar o Coritiba pelo investimento que eles fizeram. Eu me sentia responsável pelo projeto. O Mano voltou para o Rio de Janeiro, conversou com o Ricardo Teixeira, e eles concordaram que eu me apresentaria após o término da Série B. Isso aconteceu no fim de novembro, e no início de dezembro eu já estava trabalhando na Seleção.
A montagem do elenco foi um dos pontos-chave do sucesso.
- Em dezembro, fiz a convocação. Fizemos um trabalho muito legal com os clubes. O São Paulo liberou Lucas Moura, Oscar e Casemiro. O Santos… o trabalho do pai do Neymar foi muito importante para conseguirmos trazê-lo. O próprio Danilo e o Alex Sandro já estavam no profissional. Tivemos competência para convocar. Eu queria jogar com uma linha de quatro, dois volantes, três meias e um atacante. Neymar de um lado, Lucas do outro, Oscar por dentro. Fomos muito felizes na convocação e na preparação.
Nem todos os nomes desejados puderam estar presentes.
- Tentei levar o Philippe Coutinho, mas o clube não liberou. Mesmo assim, fomos campeões, e depois ele fez questão de participar do Mundial sub-20. Foi algo que partiu dele."
A preparação, segundo Ney Franco, foi determinante.
- A preparação foi espetacular. Ficamos dois meses trabalhando, entre dezembro e janeiro, na Granja Comary, e depois finalizamos no Peru. A CBF deu toda a estrutura. Montamos uma equipe muito forte, com comissão técnica qualificada. Foi um trabalho espetacular, que se confirmou com o título e com a forma como encerramos: 6 a 0 sobre o Uruguai.
A chegada de Neymar, após um período de descanso negociado com a família, mudou o ambiente da equipe.
- O pai dele foi muito gentil. Ele só pediu que o Neymar tivesse uma semana de folga após o Brasileirão. Disse que ele ainda era uma criança e precisava descansar, até andar de bicicleta. Quando ele chegou, mudou tudo. A seleção tinha um ambiente antes e depois do Neymar. Vieram torcida, imprensa, uma repercussão enorme. Parecia acompanhamento de Seleção principal - relembrou Ney.
Dentro de campo e fora dele, o atacante já demonstrava liderança.
- Era impressionante o que o Neymar agregava. Ele era o primeiro a chegar e o último a sair. Tinha treino em que queria até jogar no gol. Pedíamos para ele parar para não se machucar. Aquele episódio do Emerson vinha logo à cabeça (o volante se machucou ao brincar no gol antes da Copa de 2002 e acabou cortado por conta de uma luxação no ombro). Era uma liderança técnica muito forte, além do carisma.
O treinador também relembrou episódios marcantes, como o caso de racismo envolvendo Diego Maurício. O incidente aconteceu na cidade de Moquegua.
- Ele ficou muito chateado. Não aceitamos aquela situação, nos posicionamos. Internamente resolvemos, mas foi um episódio isolado. Hoje vemos avanços, embora ainda existam casos, como o do Vini Jr na Europa."
Por fim, Ney Franco analisou o momento atual daquela geração, que pode disputar sua última Copa do Mundo.
- Acho que eles chegam no auge da experiência. O Casemiro, além de ser um grande atleta, é líder e capitão. O treinador já trabalhou com ele. O volante hoje é peça-chave no futebol moderno, e o Brasil tem isso. Tem também Danilo, Alex Sandro, e torcemos pela recuperação do Neymar. É uma geração que poderia ter sido mais utilizada anteriormente, mas ainda pode encerrar seu ciclo com um grande título.
Quinze anos depois, aquela equipe segue viva — seja nas memórias de um título dominante no Peru, seja na trajetória de jogadores que marcaram época. Agora, diante da possibilidade de uma última Copa do Mundo, a geração de 1992 tenta escrever o capítulo final de uma história que começou com brilho e promessa — e que ainda busca um desfecho à altura.
➡️ Aposte nos jogos da Seleção Brasileira!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.


Futebol Internacional
Após Copa do Mundo, Al Ahli anuncia renovação de Roger Ibañez até 2030
Há 1 dia
Seleção Brasileira
Com gol de joia do Palmeiras, Brasil Sub-20 vence a Bolívia sem sustos
Há 1 dia
Futebol Internacional
Trio brasileiro 'desafia' fala de Ancelotti e movimenta mais de R$ 1 bilhão na janela
Há 2 dias
Fora de Campo
Bárbara Coelho e Ana Thaís analisam o que Ancelotti deve mudar para 2030
Há 2 dias
Seleção Brasileira
Cinco anos após o ouro olímpico, Jardine relembra final contra a Espanha
Há 3 dias
Seleção Brasileira
Seleção ganhava Ouro olímpico há cinco anos; veja destino dos atletas
Há 3 diasMais LANCE!

Corinthians decide não liberar Dieguinho para Seleção Brasileira Sub-20

Corinthians tem dois convocados para a Seleção Brasileira Sub-15

Seleção Brasileira Sub-20 inicia preparação na Granja Comary com foco no Sul-Americano

Pai não descarta Neymar na Seleção, e jogador responde; veja

Romário tenta reverter penhora de valores a receber da CazéTV

20 anos de Rayan: o que mudou em um ano para o prodígio brasileiro

10 ou ponta: Gabriel Mec enfrenta dilema que impacta a Seleção

Estrangeiros são sinceros sobre Endrick: 'Real não valoriza'

Veja gols em Real Madrid x Fiorentina: Endrick abre o placar

Recuperado de lesão, Estêvão marca e vira assunto: 'Fez falta'

Arsenal fecha a contratação de Bruno Guimarães, diz jornal

Endrick x Carlos Espí: compare os concorrentes por vaga no ataque do Real Madrid

Sem europeus, simulação aponta Brasil na final da Copa do Mundo de 2030


