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Ney Franco revela bastidor de Neymar no sub-20 e vê geração viva na Seleção de Ancelotti

Seleção fez campanha irretocável no Sul-Americano da categoria em 2011

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Lance!
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 31/03/2026
17:18
Neymar durante entrevista o Peru em 2011 (Foto: Márcio Iannacca / Divulgação)
imagem cameraNeymar durante entrevista o Peru em 2011 (Foto: Márcio Iannacca / Divulgação)

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Quinze anos depois, o título do Sul-Americano Sub-20 de 2011, no Peru, segue como um dos marcos mais emblemáticos da formação recente da Seleção Brasileira. Sob o comando de Ney Franco, a chamada "geração de 1992" reuniu talentos que não apenas dominaram a competição continental, mas também deixaram legado duradouro no futebol mundial.

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A campanha foi irretocável. O Brasil marcou 24 gols, teve Neymar como artilheiro com nove e encerrou o torneio com uma goleada por 6 a 0 sobre o Uruguai. Mais do que o título, a conquista garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando a equipe ficaria com a medalha de prata.

Dentro de campo, o time encantava. Fora dele, já se desenhava uma geração histórica. Neymar, Lucas Moura, Oscar, Casemiro, Danilo e Alex Sandro despontavam como promessas — e rapidamente se tornariam protagonistas no futebol europeu. Ainda em 2011, Neymar, Danilo e Alex Sandro conquistariam a Libertadores pelo Santos. No ano seguinte, Lucas e Oscar atravessariam o Atlântico. Neymar faria o mesmo em 2013. Casemiro, Danilo e Alex Sandro consolidariam carreiras de destaque, com o volante se tornando ídolo do Real Madrid.

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Agora, mais de uma década depois, parte desse grupo vive seus últimos capítulos com a camisa da Seleção. No confronto contra a Croácia, nesta terça-feira (31), às 21h (de Brasília), alguns nomes ainda resistem. Casemiro é titular e capitão sob o comando de Carlo Ancelotti. Danilo também foi confirmado pelo treinador italiano. Alex Sandro, por sua vez, ficou fora por lesão muscular na coxa direita, sofrida enquanto defendia o Flamengo.

E Neymar é um caso à parte. Desde a lesão no joelho sofrida no fim de 2023, o jogador não é mais o mesmo. Deixou o Al Hillal, da Arábia Saudita, e retornou ao Santos para tentar recuperar o bom futebol. Mas viveu cercado de lesões - a última, no fim de 2025, tirou o jogador de combate do início da temporada 2026. Agora, ele corre contra o tempo para ser lembrado por Ancelotti.

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Para revisitar aquela conquista, o Lance! bateu um papo com Ney Franco, técnico da campanha, atualmente na Jordânia. O treinador relembrou bastidores de um projeto que, segundo ele, foi determinante em sua carreira.

- Foi um ano especial. Foi um projeto especial na minha vida profissional e pessoal. Assumir esse cargo de Seleção Brasileira, não só como treinador do time sub-20, mas como um coordenador das categorias de base da Seleção Brasileira. Tenho que falar desde o início - contou.

Ney Franco detalhou como surgiu o convite, ainda durante seu trabalho no Coritiba, em 2010.

- Fui procurado em setembro de 2010, e eu estava comandando o Coritiba na Série B, um momento muito especial ali. Após um período de muita turbulência em 2009, com o rebaixamento, conseguimos reerguer o clube em 2010, iniciando com o título do Campeonato Estadual. Montamos uma equipe que se encaixou dentro do Brasileiro da Série B. Então, em setembro, o Mano Menezes esteve em Curitiba. Ele me procurou, eu o recebi no meu apartamento, e ele fez essa abordagem para eu assumir como coordenador e treinador do time sub-20.

O treinador relembrou que houve resistência inicial para deixar o clube antes do fim da Série B.

- Tivemos um entrave no início, porque eles queriam que eu assumisse imediatamente. Eu teria que me desligar em setembro, mas eu disse que não tinha como deixar o Coritiba pelo investimento que eles fizeram. Eu me sentia responsável pelo projeto. O Mano voltou para o Rio de Janeiro, conversou com o Ricardo Teixeira, e eles concordaram que eu me apresentaria após o término da Série B. Isso aconteceu no fim de novembro, e no início de dezembro eu já estava trabalhando na Seleção.

A montagem do elenco foi um dos pontos-chave do sucesso.

- Em dezembro, fiz a convocação. Fizemos um trabalho muito legal com os clubes. O São Paulo liberou Lucas Moura, Oscar e Casemiro. O Santos… o trabalho do pai do Neymar foi muito importante para conseguirmos trazê-lo. O próprio Danilo e o Alex Sandro já estavam no profissional. Tivemos competência para convocar. Eu queria jogar com uma linha de quatro, dois volantes, três meias e um atacante. Neymar de um lado, Lucas do outro, Oscar por dentro. Fomos muito felizes na convocação e na preparação.

Nem todos os nomes desejados puderam estar presentes.

- Tentei levar o Philippe Coutinho, mas o clube não liberou. Mesmo assim, fomos campeões, e depois ele fez questão de participar do Mundial sub-20. Foi algo que partiu dele."

A preparação, segundo Ney Franco, foi determinante.

- A preparação foi espetacular. Ficamos dois meses trabalhando, entre dezembro e janeiro, na Granja Comary, e depois finalizamos no Peru. A CBF deu toda a estrutura. Montamos uma equipe muito forte, com comissão técnica qualificada. Foi um trabalho espetacular, que se confirmou com o título e com a forma como encerramos: 6 a 0 sobre o Uruguai.

A chegada de Neymar, após um período de descanso negociado com a família, mudou o ambiente da equipe.

- O pai dele foi muito gentil. Ele só pediu que o Neymar tivesse uma semana de folga após o Brasileirão. Disse que ele ainda era uma criança e precisava descansar, até andar de bicicleta. Quando ele chegou, mudou tudo. A seleção tinha um ambiente antes e depois do Neymar. Vieram torcida, imprensa, uma repercussão enorme. Parecia acompanhamento de Seleção principal - relembrou Ney.

Dentro de campo e fora dele, o atacante já demonstrava liderança.

- Era impressionante o que o Neymar agregava. Ele era o primeiro a chegar e o último a sair. Tinha treino em que queria até jogar no gol. Pedíamos para ele parar para não se machucar. Aquele episódio do Emerson vinha logo à cabeça (o volante se machucou ao brincar no gol antes da Copa de 2002 e acabou cortado por conta de uma luxação no ombro). Era uma liderança técnica muito forte, além do carisma.

O treinador também relembrou episódios marcantes, como o caso de racismo envolvendo Diego Maurício. O incidente aconteceu na cidade de Moquegua.

- Ele ficou muito chateado. Não aceitamos aquela situação, nos posicionamos. Internamente resolvemos, mas foi um episódio isolado. Hoje vemos avanços, embora ainda existam casos, como o do Vini Jr na Europa."

Por fim, Ney Franco analisou o momento atual daquela geração, que pode disputar sua última Copa do Mundo.

- Acho que eles chegam no auge da experiência. O Casemiro, além de ser um grande atleta, é líder e capitão. O treinador já trabalhou com ele. O volante hoje é peça-chave no futebol moderno, e o Brasil tem isso. Tem também Danilo, Alex Sandro, e torcemos pela recuperação do Neymar. É uma geração que poderia ter sido mais utilizada anteriormente, mas ainda pode encerrar seu ciclo com um grande título.

Quinze anos depois, aquela equipe segue viva — seja nas memórias de um título dominante no Peru, seja na trajetória de jogadores que marcaram época. Agora, diante da possibilidade de uma última Copa do Mundo, a geração de 1992 tenta escrever o capítulo final de uma história que começou com brilho e promessa — e que ainda busca um desfecho à altura.

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Ney Franco durante o Sul-Americano de 2011, no Peru (Foto: Márcio Iannacca / Lance!)
Ney Franco durante o Sul-Americano de 2011, no Peru (Foto: Márcio Iannacca / Lance!)
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