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ANÁLISE: Não foi só para o Paraguai; Brasil perdeu também a identidade

Seleção Brasileira vem de quatro derrotas nos últimos cinco jogos nas Eliminatórias

PorMarcio DolzanRio de Janeiro
11/09/2024 09:13
Atualizado em 11/09/2024 11:43
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Endrick finalmente foi titular, mas sucumbiu junto com a Seleção Brasileira (Foto: Daniel Duarte/AFP)

Quando, em 1993, a Seleção Brasileira perdeu para a Bolívia de 'El Diablo' Etcheverry na altitude de La Paz, houve um misto de comoção e incredulidade. O Brasil vinha de cinco fracassos seguidos em Copas do Mundo e perdia pela primeira vez na história das Eliminatórias. Passadas três décadas daquele jogo, a Seleção volta a emendar cinco fracassos seguidos em Mundiais e vem de — atenção — quatro derrotas nos últimos cinco jogos pelo qualificatório sul-americano. A diferença é que quase ninguém parece se importar, em campo ou fora dele. Incrédulos, ainda seguimos.

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O próximo jogo pelas Eliminatórias, daqui a um mês diante do Chile, marcará a metade do torneio e, até aqui, o Brasil soma mais derrotas do que vitórias (4 a 3), tem a pior defesa entre todos os que estão na zona de classificação à Copa do Mundo de 2026 (sofreu oito gols) e possui um aproveitamento de apenas 41%. Para ilustrar, se estivesse disputando o Campeonato Brasileiro, com esse desempenho de pontos a Seleção estaria hoje disputando posição com o Bragantino, que tem os mesmos 41% na 11ª colocação da competição nacional.

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A derrota dessa terça-feira para o Paraguai é o retrato do que se transformou a Seleção Brasileira: o craque não consegue jogar, o atacante não chuta, o armador não arma e o defensor entrega a bola para o adversário na entrada da área. O treinador até treina e orienta, mas não tem convicção.

Seleção Brasileira e seu ataque inoperante

Há cinco dias, diante do Equador, Dorival Júnior escalou o ataque com Luiz Henrique, convocado pela primeira vez, e deixou Endrick no banco, chamado por ele lista sim, outra também. Contra o Paraguai, alinhou o Brasil com Endrick e deixou o atacante do Botafogo na reserva. Mas, com o revés parcial no placar, decidiu que a solução ofensiva seria voltar para o segundo tempo com… Luiz Henrique. Qual o critério?

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Nem o argumento de que perdeu o atacante Pedro e sua ideia de jogo às vésperas das duas partidas desta rodada das Eliminatórias deveria ser aceitável. Afinal, seria admitir que a Seleção Brasileira é refém de um estilo de jogo — e que até o momento não foi minimamente comprovado. 

Vale lembrar que Lionel Scaloni, o interino que assumiu a Argentina em meio às Eliminatórias do Mundial passado, levou a seleção vizinha ao título da Copa do Mundo alterando seu esquema de jogo em cada um dos confrontos dos playoffs no Catar.

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Dorival Júnior tem, sim, sua parcela de culpa pelo que (não) vem jogando a Seleção Brasileira. Mas não é só ele. Quem vê Vinícius Júnior apenas atuando pelo Brasil provavelmente não entende como ele é um dos favoritos a melhor jogador do mundo. É um dos poucos que merecem ser reconhecidos como craque por tudo o que faz no Real Madrid, mas pelo Brasil não consegue fazer muita coisa além de conduzir a bola pelo flanco esquerdo.

No meio, Lucas Paquetá dribla, dá passes de calcanhar — três diante do Equador, dois frente ao Paraguai —, e fica por isso mesmo. Não há mais a profundidade que demonstrava quando tabelava com Neymar. Em vez disso, Paquetá fica dando passes laterais, na expectativa que os alas ou os jogadores das pontas avancem à grande área. O problema é que não conseguem avançar.

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Contra o Paraguai, o Brasil deu três chutes a gol durante toda a partida. Exatamente o mesmo número de finalizações que tinha dado semana passada diante do Equador.

Técnico da seleção brasileira Dorival Júnior em Paraguai x Brasil, no Defensores del Chaco
Estreia de Dorival Júnior nas Eliminatórias foi marcada por pouco futebol (Foto: Daniel Duarte/AFP)

Renovação do Brasil engatinha mal

Tão preocupante quanto o desempenho nesta rodada das Eliminatórias é a mensagem que o campo vem passando à Seleção Brasileira: a prometida e necessária renovação do grupo ainda depende da muleta de velhos conhecidos.

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O meio campo com João Gomes, Bruno Guimarães e Andreas Pereira não funcionou na Copa América. André teve bom desempenho, mas pouco pôde ajudar nesta rodada das Eliminatórias. A última vez que o setor funcionou foi na Copa do Mundo do Catar, quando tinha Casemiro à frente da área. Mas ele próprio vem oscilando (para baixo) no Manchester United.

E, mesmo com todas as merecidas ressalvas, fica claro que a Seleção Brasileira ainda depende de Neymar. Mesmo afastado dos campos há quase um ano, jogando numa liga pouco competitiva e já com 32 anos de idade, o atacante parece ser o único entre todos os que têm sido convocados ainda capaz de colocar a bola debaixo do braço e tentar resolver.

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Os treinadores costumam dizer que futebol é conjunto, e que é o conjunto que vai potencializar as individualidades. Mas, na Seleção Brasileira atual, uma coisa parece estar anulando a outra.

Com dez pontos em oito partidas das Eliminatórias, o Brasil está a oito da liderança e apenas um da Bolívia — que não é mais a do Etcheverry —, hoje a oitava colocada e a primeira fora da zona de classificação ao Mundial.

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Dorival Júnior disse esta semana que "estaremos na decisão da Copa do Mundo". Pelo que o Brasil vem demonstrando, nada parece estar mais dissociado da realidade. Mas, se for verdade, resta torcer que a final não seja contra o Paraguai.

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