Neymar inicia sequência decisiva pelo Santos para estar ou não na Copa; entenda
Neymar acumula 262 jogos com a camisa do Santos em duas passagens pelo clube, além de 150 gols

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Neymar tem três jogos para convencer Carlo Ancelotti de que merece estar na lista que será divulgada no dia 16 de março. Até lá, o camisa 10 do Santos terá compromissos decisivos pelo Campeonato Brasileiro que podem influenciar diretamente sua presença nos amistosos contra a França, no dia 26 de março, em Boston, e Croácia, dia 26, em Orlando, últimos testes antes da convocação final para a Copa do Mundo.
E a corrida para estar na Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (26), às 19h, na Vila Belmiro, contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro. Em 2026, Neymar disputou apenas duas partidas. O retorno ocorreu após uma artroscopia no joelho esquerdo, procedimento realizado em dezembro pelo médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar. Antes da cirurgia, o atacante foi peça-chave na reta final do último Brasileirão, quando liderou o time na luta contra o rebaixamento. Marcou cinco gols nos últimos quatro jogos e assumiu protagonismo dentro e fora de campo para evitar a queda à Série B.
O problema é que a sequência foi interrompida. Desde que voltou aos gramados, atuou 50 minutos na goleada sobre o Velo Clube, no dia 15 de fevereiro, e completou 90 minutos na derrota para o Novorizontino, no último domingo (22), que selou a eliminação nas quartas de final do Paulistão. Neymar, inclusive, errou o passe que originou o primeiro gol da equipe do interior. A saída precoce do Estadual reduziu o número de jogos antes da convocação — poderiam ser mais.
Após a partida contra o Vasco, o Santos com Neymar visita o Mirassol no interior paulista - no dia 10 de março - e encerra a série no clássico contra o Corinthians, dia 15 de março, véspera da convocação de Carlo Ancelotti. Três oportunidades para mostrar ritmo, intensidade e resistência física — pontos que passaram a ser monitorados com lupa pela comissão técnica da Seleção após um período marcado por lesões consecutivas.
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Final de ano melancólico:
O Santos iniciou a temporada com a mesma comissão técnica do ano anterior, algo que não acontecia há dois anos. A ideia era adiantar o planejamento para ter um time mais competitivo em 2026 e de "cara nova", após a saída de jogadores com a imagem desgastada junto à torcida, como o atacante Guilherme, negociado com o Houston Dynamo, dos Estados Unidos. A contratação de Gabriel Barbosa indicava que a responsabilidade em campo poderia ser dividida com o cunhado Neymar.
No entanto, em 12 jogos na temporada, o time soma apenas três vitórias, o que coloca em xeque o trabalho do técnico Juan Pablo Vojvoda, que tem somente nove triunfos em 30 partidas no comando da equipe. Os números ruins refletem também uma crise fora de campo, com constantes protestos das torcidas organizadas, insatisfeitas com a gestão do presidente Marcelo Teixeira e do diretor executivo Alexandre Mattos.
Mesmo com as chegadas de Gabigol, Gabriel Menino, Rony e Moisés, a falta de reforços em outros setores, como a zaga, segue evidente e urgente. Além disso, o clube foi notificado pela Fifa, no dia 19 de fevereiro, do bloqueio para registrar novas contratações devido ao transfer ban relacionado à negociação de João Basso com o Arouca, de Portugal. O defensor, inclusive, sequer vinha sendo relacionado e negocia a rescisão contratual.
Neymar sofreu uma lesão no menisco do joelho esquerdo no duelo contra o Mirassol, em 19 de novembro, e foi poupado do jogo seguinte, diante do Internacional, cinco dias depois. Ambas as partidas foram disputadas fora de casa e terminaram empatadas por 1 a 1, resultado que indicava que o clube lutaria até o fim para evitar o rebaixamento.
Um dia após o confronto contra o Colorado, a empresa da família de Neymar, a NRSports, promoveu um evento no Museu Pelé para anunciar oficialmente a compra da marca de Pelé. Na ocasião, ficou evidente a insatisfação do pai do jogador com Marcelo Teixeira e a diretoria santista em razão do vazamento da informação de que o atleta poderia desfalcar o time pelo restante da temporada.
Semanas depois do ocorrido, o pai de Neymar chegou a declarar em entrevista ao canal Rafa Tecla T que o jogador pensou em parar de jogar futebol e que passou por um momento difícil na carreira.
Nos três jogos finais do ano, Neymar foi decisivo para evitar a queda. Atuou contra o Sport, Juventude e Cruzeiro. Marcou cinco gols nos últimos quatro jogos, liderou o vestiário e chamou a responsabilidade, blindando especialmente os Meninos da Vila. Após o apito final diante da Raposa, pela última rodada do Brasileirão, se emocionou e fez questão de dar a volta olímpica na Vila Belmiro, agradecendo o apoio da torcida.
O camisa 10 atuou com uma proteção no joelho para adiar a cirurgia até 22 de dezembro. Por isso, retornou aos gramados apenas em 15 de fevereiro, na goleada por 6 a 0 sobre o Velo Clube, na Vila Belmiro, pela última rodada da primeira fase do Paulistão, quando jogou 50 minutos. Na partida seguinte, foi titular e atuou durante os 90 minutos na derrota por 2 a 1 para o Novorizontino, que culminou na eliminação nas quartas de final do Estadual.
Sequência de jogos:
Neymar foi anunciado no dia 31 de janeiro, com contrato válido por apenas seis meses. Ainda no primeiro semestre, porém, passou a conviver com uma sequência de lesões. A primeira, na coxa esquerda, foi sentida em 2 de março de 2025, após a classificação para a semifinal do Paulistão. Ele ficou fora da decisão e ainda viu o rival Corinthians avançar à final do Estadual do banco de reservas, sem sequer entrar em campo.
A segunda lesão ocorreu em 16 de abril, novamente na coxa esquerda, no gramado sintético da Arena MRV, em duelo contra o Atlético-MG. O jogador afirmou recentemente pelas redes sociais que a prática esportiva neste tipo de piso é "impossível".
Já a terceira lesão foi na coxa direita e o afastou por 42 dias, o maior período de inatividade entre todas as contusões. Em número de partidas, porém, a maior ausência aconteceu na sequência deste início de ano, quando ficou fora de dez jogos. Já a quarta lesão foi no menisco do joelho esquerdo, sentida em 19 de novembro, contra o Mirassol. Ao todo, foram 151 dias de ausência. Na última temporada, ele participou de 30 dos 57 jogos disputados pelo Santos em três competições.
Em razão das recorrentes lesões, a maior sequência de partidas de Neymar no período foi de sete jogos, marca alcançada em duas oportunidades no ano passado: nos primeiros compromissos após a reestreia e, depois, entre 16 de julho e 17 de agosto.
Na primeira passagem pelo clube, entre 2009 e 2013, a maior sequência foi de 24 partidas, justamente após a estreia como profissional, em 7 de março de 2009, contra o Oeste de Itápolis, na vitória por 2 a 1 no Estádio do Pacaembu.
Dados do GPS:
Os dados de GPS divulgados após o último jogo indicam números competitivos em distância percorrida, ações de alta intensidade, sprints e velocidade máxima. Analistas de desempenho consideram os índices compatíveis com um atleta em evolução, embora ressaltem que a amostra ainda é pequena.
Os números mostram que o camisa 10 esteve entre os melhores da equipe nos quesitos distância total percorrida e ações em alta intensidade, além de velocidade máxima, sprints e acelerações, indicadores que reforçam a recuperação física do atleta.
Na avaliação do analista de desempenho e scout Victor Herman, Neymar apresentou índices expressivos em métricas que, normalmente, são lideradas por laterais, em razão da movimentação contínua. Para ele, isso sugere uma participação física acima do habitual para a função desempenhada, já que o jogador atuou de maneira mais centralizada e criativa na partida.
Em relação à intensidade relativa, Victor explicou que, em geral, os líderes nesse quesito são atletas que atuam por menos tempo, pois o custo metabólico é inferior ao de quem permanece em campo durante os 90 minutos. Nesse contexto, a quarta colocação do camisa 10 é considerada satisfatória.
O analista também entende que Neymar não "economizou" na performance e sustentou a carga física para permanecer em campo até o fim, prevendo, inclusive, a possibilidade de decisão por pênaltis, já que o jogo foi definido no último lance.
— No segundo jogo pós-cirurgia e o primeiro completo, os dados indicam que ele não ficou se poupando. Demonstrou capacidade de suportar a carga sem necessidade de minutagem reduzida. A exposição a picos de velocidade máxima exige confiança, elasticidade muscular e tempo de ação. Não é possível afirmar clinicamente que o joelho está totalmente recuperado, mas ele atingiu um ritmo de jogo que muitos atletas evitam nas primeiras partidas como forma de proteção — analisou.
Por fim, Victor pondera que se trata de uma amostra pontual, insuficiente para estabelecer tendência. Por isso, ressalta a importância de manter a sequência de desempenho físico alinhada à qualidade técnica dentro de campo para confirmar a evolução apresentada.
O fisiologista Gustavo Jorge também chama a atenção para o fato de que os números seguem padrões diferentes não apenas entre clubes, mas também entre campeonatos nacionais e internacionais.
— No infográfico, temos parâmetros que utilizamos para quantificar a carga do atleta em relação ao jogo. Ou seja, qual foi a carga e o quanto ele se esforçou, para usarmos como referência. A grande questão é que, toda vez que temos um grande campeonato, surgem novos dados e informações que estabelecem novos parâmetros. Se eu comparar, por exemplo, com os dados da Euro, tenho as faixas de velocidade. Nas métricas de zona de alta intensidade, Neymar tem 768 metros. Não sabemos o que o Santos considera zona de alta intensidade, que, para mim, é entre 20 e 25 km/h, mas há artigos que apontam acima de 22 km/h. Se analisarmos os dados de Neymar em comparação com os companheiros neste documento, ele está dentro da normalidade. No entanto, para os padrões da Europa, talvez o critério de análise seja diferente. Hoje, atuando como meio-campista, ele pode estar um pouco abaixo do parâmetro, mas dentro de uma média. Também precisamos lembrar que ele está em processo de retorno, e os próximos jogos vão mostrar quais parâmetros ele pode entregar - disse Gustavo.

Seleção Brasileira:
Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, com 79 gols, Neymar vive a expectativa de disputar a quarta Copa do Mundo da carreira com a Amarelinha. No Copa de 2022, no Catar, sofreu uma lesão nos ligamentos do tornozelo direito, com edema ósseo, logo na estreia. Desde então, atuou em apenas 53 partidas, 44 como titular e marcou 19 gols. À época, defendia o Paris Saint-Germain, da França.
No retorno ao Santos, chegou a ser convocado para amistosos quando Dorival Júnior comandava a Seleção, mas foi cortado por lesão. Dias depois, o Brasil acabou derrotado pela Argentina, e o treinador deixou o cargo.
Com Carlo Ancelotti, o camisa 10 ainda não foi chamado e já manifestou publicamente, inclusive durante um show de pagode, o desejo de retornar à equipe nacional. O italiano, por sua vez, chegou a ser cobrado em pleno Carnaval, quando participou de eventos em diferentes cidades, para que o nome de Neymar esteja no grupo que disputará o próximo Mundial.
Neymar não atua pela Seleção desde 17 de outubro de 2023, quando enfrentou o Uruguai, em Montevidéu, pelas Eliminatórias. Na ocasião, rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo e só voltou a jogar em 21 de outubro de 2024, pela Champions League da Ásia, já pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, clube para o qual se transferiu em abril de 2023 e pelo qual soma apenas sete partidas em 17 meses.
Às vésperas de mais uma convocação decisiva, Neymar tem diante de si três jogos pelo Peixe que podem pesar não apenas na avaliação da comissão técnica da Seleção, mas também na própria narrativa de sua carreira recente.
Entre lesões e recomeços, o desafio é duplo: provar que ainda pode responder fisicamente em alto nível e, ao mesmo tempo, liderar um Santos que tenta sair de um ciclo de frustrações. Em meio a um processo de reconstrução do clube que se arrasta e a um jejum de dez anos sem títulos relevantes no cenário nacional, o camisa 10 carrega a responsabilidade de transformar expectativa em resposta dentro de campo no momento mais simbólico desta nova fase.
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