Fuga de talentos molda o novo trabalho da Seleção Brasileira de basquete
: Fernando Pereira, técnico da Sub-19, detalha os desafios de monitorar atletas fora do país

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O sonho de jogar na NBA ou na Euroliga tem feito jovens talentos brasileiros cruzarem o oceano cada vez mais cedo. Se antes a saída acontecia após a maioridade, hoje o recrutamento começa no Ensino Médio. Em entrevista exclusiva ao Lance!, Fernando Pereira, treinador da Seleção Brasileira Sub-19, destrinchou como esse fenômeno impacta o seu trabalho e o que o Brasil precisa fazer para valorizar quem decide ficar.
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A "fuga de talentos" para as High Schools americanas e clubes europeus cria um buraco no radar tradicional. Como o sistema escolar dos EUA não exige transferência oficial via FIBA, muitos meninos "desaparecem" do mapa federativo.

— Em relação à observação, acaba sendo bastante desafiador, porque temos que primeiramente identificar quais são os atletas da categoria ao redor do mundo — explica Fernando. — Devido a este êxodo significativo, acaba dificultando o nosso rastreio. Tivemos um caso recente de um atleta chamado Johan, que nasceu na Alemanha, mas sua mãe é brasileira. Através do nosso assistente Marcelo Bandiera, conseguimos que ele treinasse e fosse observado durante a preparação para o Sul-Americano.
A avaliação, que antes era presencial, hoje depende da tecnologia. Fernando ressalta que o acesso a vídeos ajuda, mas o contato direto é fundamental. — Para ter a melhor avaliação sempre será in loco, porque vemos além da questão técnica e tática, toda a questão comportamental e emocional do atleta.
Apesar do brilho das estruturas estrangeiras, Fernando é categórico: o Brasil é um celeiro de elite. Ele cita Gui Santos, do Golden State Warriors, como o maior exemplo de que o sistema nacional funciona.
— Posso garantir que conseguimos formar atletas no Brasil para qualquer nível de basquete no mundo. O Gui Santos, único brasileiro hoje na NBA e que acaba de renovar com o Warriors, foi formado e revelado aqui. Eu tive a sorte de dirigi-lo na Sub-17. — pontua.

A Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) é vista como a ponte crucial para quem não quer sair cedo, oferecendo protagonismo a quem ainda busca espaço no profissional. Porém, o Brasil agora enfrenta um novo concorrente: o NIL (Name, Image and Likeness), que permite ganhos financeiros a atletas universitários nos EUA.
— É uma pergunta complexa, pois vivemos uma nova realidade com o NIL nos EUA. Sabemos que existem diferentes motivos para a saída, alguns que não conseguimos cobrir, como o combo de esporte e educação e salários altíssimos nas universidades americanas — reflete Fernando. — Precisamos de mais políticas públicas que priorizem a atividade física nas escolas e universidades. Com isso, vamos criar mais estruturas e massificar a prática, fazendo com que o jovem não necessite sair do país por qualquer motivo para alcançar a Seleção Brasileira adulta.
Para manter a coesão, a CBB tem apostado em convocações estratégicas. Em junho, um torneio na China servirá para integrar jovens que atuam fora. — O atleta tem que se sentir brasileiro e ter orgulho de defender nossa camisa, independentemente de onde joga — conclui.
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