'Um foguete' e 'mais influência dos pilotos': o que simulações apontam em carro da F1 2026
Primeiras experiências do carro de 2026 da F1 nos simuladores buscam resgatar o protagonismo dos pilotos com o aumento da importância de gerenciamento de energia, mas isso não tem agradado a todos

A F1 se prepara para uma de suas maiores revoluções técnicas em 2026. Com um regulamento que traz um novo design dos carros e novos motores, a categoria promete uma dinâmica radicalmente diferente: monopostos mais lentos em curvas, velocidades recordes nas retas e, principalmente, um resgate do protagonismo do piloto com o aumento de importância do gerenciamento de energia.
Visualmente, os carros serão mais compactos, curtos e estreitos. As mudanças aerodinâmicas são profundas: as asas dianteiras e traseiras serão redesenhadas e ativas, enquanto elementos como a asa de feixe e os túneis de Venturi frontais, cruciais para o efeito solo atual, serão eliminados. No lugar, o assoalho se tornará plano, com um degrau central.
"Não será mais possível vedar tanto as laterais como nos carros atuais, o que dificulta manter a zona de baixa pressão sob o carro. O efeito Venturi será menor", explicou James Allison, diretor técnico da Mercedes em entrevista à revista alemã Auto Motor und Sport. O resultado será uma geração de carros com menos downforce e pneus mais estreitos, mas com uma janela de funcionamento aerodinâmico mais ampla.

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A maior mudança, no entanto, está na unidade de potência. A parte elétrica terá sua potência triplicada, entregando até 475 cv (350 kW), que se somarão aos cerca de 575 cv do motor a combustão. Com a aerodinâmica ativa, que permitirá o achatamento das asas em trechos de alta velocidade, a expectativa é que todos os recordes de velocidade final sejam quebrados.
Essa nova realidade dividiu opiniões no paddock. Pilotos como Charles Leclerc, da Ferrari, expressaram preocupação após os primeiros testes em simulador: "Não é divertido. Não consigo imaginar como vamos correr assim". Já Stefano Domenicali, CEO do Liberty Media, pediu paciência. "Será uma experiência de pilotagem diferente, mas isso não significa que será pior. Todos vão se adaptar", afirmou.
O ponto central da mudança está no papel do piloto. Atualmente, o gerenciamento de energia é majoritariamente automatizado. Em 2026, essa tarefa se tornará manual e estratégica. "Você poderá decidir muito mais como usar a potência e como carregar a bateria com mais eficiência. Quem entender melhor o sistema terá vantagem. A FIA quer que o piloto volte a ser protagonista", analisou Alexander Albon, da Williams.
Contudo, o regulamento ainda é um alvo móvel. A FIA continua a fazer ajustes mensais para fechar brechas aerodinâmicas e refinar os complexos parâmetros de recuperação e entrega de energia, o que gera frustração nas equipes. "Se você, como nós, entrou cedo no túnel de vento, mudanças como essas te atrasam mais do que os times que demoraram para mudar o foco", reclamou James Vowles, chefe da Williams.
Enquanto os engenheiros correm para se adaptar, a conclusão é clara: a Fórmula 1 de 2026 será definida por um novo equilíbrio entre tecnologia e talento, onde a habilidade do piloto em domar um carro mais arisco e gerenciar sua energia de forma inteligente será mais decisiva do que nunca.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso do verão europeu entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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