Ucraniano é desclassificado das Olimpíadas de Inverno por capacete com homenagem a vítimas da guerra
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se posicionou dizendo que "o esporte não deveria significar amnésia"

O Comitê Olímpico Internacional (COI) desclassificou o atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. A polêmica decisão ocorreu após o esportista se recusar a retirar um capacete decorado com fotos de compatriotas mortos durante a invasão russa ao seu país.
Segundo a entidade, o equipamento violava as "diretrizes sobre expressão dos atletas" por representar uma "violação das regras relativas à expressão política".
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Veja boletim das Olimpíadas de Inverno - 12/02
O "capacete da memória", como Heraskevych, de 26 anos, denominou o equipamento, foi utilizado pelo atleta durante um treinamento oficial não televisionado na última segunda-feira (10). Entre os homenageados estavam o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, ambos falecidos no conflito. O COI permitiu o uso nas sessões de treino, mas vetou o equipamento para as competições oficiais.
A desclassificação foi comunicada pessoalmente ao atleta pela presidente do COI, Kirsty Coventry, momentos antes do evento de skeleton. Representantes da entidade tentaram negociar com Heraskevych para que ele pudesse se manifestar após a prova, mas não houve acordo, conforme as normas estabelecidas pelo Comitê e a Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF). O júri da IBSF fundamentou sua decisão na não conformidade do capacete com as regras da competição.
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Reações e consequências
A Ucrânia e Heraskevych apresentaram um recurso contra o veto do COI, mas a solicitação foi rejeitada. Emocionalmente abalado, o atleta lamentou a desclassificação.
—Fui desclassificado da prova. Certamente não encontramos um ponto em comum nesse assunto. Acredito que eles merecem esse momento. Eu não terei meu momento nestes Jogos Olímpicos, apesar de ter tido resultados muito bons nos treinos. Eu realmente acredito que poderíamos estar entre os medalhistas hoje e amanhã, mas não poderemos competir.
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Tradução: "Gostaria de agradecer a todos pelo apoio que estamos recebendo. É realmente uma quantidade incrível de apoio. Para mim, o sacrifício das pessoas retratadas no capacete significa mais do que qualquer medalha jamais poderia significar - porque elas deram a coisa mais preciosa que possuíam. E o simples respeito por eles é exatamente o que eu quero demonstrar."
Tradução: "Esse é o preço da nossa dignidade."
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Uma decisão difícil
A presidente do COI, Kirsty Coventry, reconheceu a dificuldade do momento, apesar da imposição das regras. "Eu não deveria estar aqui, mas achei muito importante vir e falar com ele pessoalmente (...) Ninguém, especialmente eu, discorda da mensagem; é uma mensagem poderosa, uma mensagem de lembrança, de memória. O desafio era encontrar uma solução para o campo de jogo. Infelizmente, não conseguimos encontrar essa solução. Eu realmente queria vê-lo correr. Foi uma manhã emocionante", disse Coventry, com a voz embargada.
O caso gerou repercussão imediata, levando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a manifestar apoio ao atleta em uma publicação "O esporte não deveria significar amnésia", afirmou Zelensky, condenando a decisão do COI.
Esta não é a primeira vez que Heraskevych se posiciona politicamente em competições. Nos Jogos de Pequim, ele exibiu uma placa com a frase: "Não à guerra na Ucrânia". O patinador de pista curta Oleh Handei, outro atleta ucraniano, também teve seu capacete personalizado proibido pelas autoridades olímpicas por conter a frase "Onde há heroísmo, não há derrota final", classificada como um "slogan político" pela União Internacional de Patinação.

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