'O presidente não quer ter pessoas com deficiência no Flamengo', diz atleta
Cortes expõem "crise" de gestão e revolta em esportes olímpicos do Flamengo

Carregando conteúdo exclusivo...
A reestruturação promovida pelo Flamengo em seus esportes olímpicos tem provocado revolta entre atletas, familiares e profissionais envolvidos nos projetos afetados. Entrevistados pela reportagem do Lance! relatam decisões tomadas sem diálogo, comunicação informal, e uma condução que, na avaliação deles, revela desprezo pelo esporte olímpico, pelo paradesporto e pela formação de jovens atletas. (Clique aqui e entenda todas as mudanças feitas pelo clube)
➡️Tudo sobre Lutas agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Lutas
➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
O encerramento do pararemo – até então única modalidade paralímpica mantida pelo clube – é apontado como o caso mais simbólico. A atleta Gessyca Guerra afirma que o grupo soube da possibilidade de cortes por "rádio corredor", antes de qualquer posicionamento oficial. Segundo ela, a justificativa apresentada pela gerência sempre remetia a uma determinação direta da presidência, baseada em contenção de gastos, ainda que os atletas apresentassem resultados expressivos em competições internacionais.
— Em todo momento, dizia-se que era por oneração, e que a decisão vinha do presidente BAP, que estava tendo alguns conflitos com outros departamentos de esporte do Flamengo. E aí, teve um determinado momento em que a gente fez a reunião com o gerente. Ele falou, então, que estavam sugerindo que cortassem o nosso salário. E todos nós, de Seleção e nível internacional, e que tinham contrato com o clube, achamos isso desrespeitoso e inaceitável — relatou.
O projeto paralímpico vinha em ascensão, com títulos em Copas do Mundo e presença em finais de Mundiais. Dessa maneira, desmontar a equipe neste momento interrompe um trabalho estruturado e competitivo. Para a atleta, o encerramento do pararemo reflete ainda preconceito e falta de compromisso com políticas de inclusão.
— O que ele fala não tem concordância. Inclusive, verbalizaram isso na minha frente, na frente do Michel e na frente do nosso antigo treinador: "o presidente não quer ter pessoas com deficiência no Flamengo". Assim, ele não quer se dispor com as outras modalidades, com a gerência de outras modalidades para ter pessoa com deficiência, porque ele não quer ter pessoa com deficiência no Flamengo — disse.

Na canoagem, o processo também foi marcado por informalidade. Gabriel Assunção, um dos atletas dispensados, contou que soube do fim da modalidade por telefone, sem reunião ou explicação detalhada. Embora já treinasse fora do Rio de Janeiro há anos, ele reconhece que o encerramento da modalidade e, principalmente, a saída do campeão olímpico Isaquias Queiroz causaram choque entre os atletas.
— Pegou todo mundo de surpresa, principalmente no caso do Isaquias. Não houve uma conversa clara com o grupo — afirmou Gabriel.
Os efeitos da política de cortes não se restringem ao alto rendimento e atingem diretamente as categorias de base. No judô, o encerramento das categorias sub-13 e sub-15 gerou indignação entre pais e responsáveis. Empresária e mãe de uma atleta mirim, Isabela Mourão afirma que a família ficou arrasada com a decisão e relata que, desde a mudança de diretoria, despesas antes custeadas pelo clube passaram a ser transferidas às famílias.
— Antigamente, o Flamengo pagava a federação e as inscrições de todos os campeonatos dos atletas. Sempre foi assim. E assim, logo no início do ano, quando mudou a diretoria, a gente já recebeu a notícia que a gente teria que pagar as competições caso o atleta não medalhasse. Se ele fosse para a competição e não medalhasse, na próxima competição, a gente teria que arcar com as inscrições — relatou.
Isabela destaca ainda que o impacto vai além do aspecto esportivo e atinge o emocional das crianças, que veem interrompido um projeto de formação em um clube historicamente associado ao alto rendimento. Para a empresária, muitas famílias precisaram buscar às pressas outras agremiações, enquanto outras cogitam abandonar a modalidade por falta de estrutura e opções viáveis no Rio de Janeiro.
➡️ Flamengo acaba com categorias de base do judô; Rafaela Silva em risco
Situação semelhante viveu o autônomo Willians Sena, pai das chamadas "Irmãs Sena", consideradas promessas do judô rubro-negro. Ele relata que a filha mais nova havia sido destaque da categoria sub-13 e que a família recebeu garantias da comissão técnica de que ela permaneceria no clube. A decisão, no entanto, mudou após uma reunião da diretoria.
— A comissão técnica até disse que elas iam ficar, deu uma certeza que a minha filha sub-15 ia ficar até ao último momento. Mas, aí, teve uma reunião que eles tiveram em que o presidente disse que não queria que ficasse ninguém, nem sub-13, nem sub-15. Aí cortou a minha filha.
A condução do processo parece evidenciar uma opção clara da atual gestão: a priorização de esportes que possam se manter ou gerar lucro. Segundo Willians, decisões como o fim das categorias sub-13 e sub-15 mostram que o clube deixou de enxergar essas modalidades como parte de seu projeto esportivo.
— Eu acho que é o sonho de toda criança, estar num clube bom, um clube estruturado. Mas eu acho que o presidente do Flamengo está pensando só no futebol, né? Para ele, o esporte olímpico não vale muito.
As críticas convergem para um ponto central: a percepção de que as decisões foram tomadas de forma abrupta e sem transparência. Para atletas e familiares, o processo expõe uma crise de gestão que vai além de ajustes financeiros e coloca em xeque o compromisso histórico do Flamengo com o esporte olímpico e a formação de atletas.
Procurada pela reportagem, a diretoria rubro-negra preferiu não se manifestar.

Fórmula 1
Rafa Câmara estreia na F1 no GP de São Paulo ainda em 2026, diz comentarista
Há 2 minutos
Fórmula 1
Gabriel Bortoleto é punido pela F1 e larga do fim do grid no GP dos Estados Unidos
Há 27 minutos
Mais Esportes
Flávia Saraiva e Lorrane ficam fora do pódio no Mundial de Ginástica
Há 28 minutos
Mais Esportes
LNF revela troféu inédito para final entre Joinville e Carlos Barbosa
Há 3 horas
Fórmula 1
Com erro de Verstappen, Leclerc lidera treino livre 1 do GP dos Estados Unidos na F1
Há 3 horas
Colunas
Papo com Helio Castroneves: De olho na Corrida do Milhão da Stock Car
Há 3 horasMais LANCE!

Gabriel Medina perde final em Portugal e segue sem vencer na WSL em 2026

Fórmula 1 hoje: horários e onde assistir ao GP dos Estados Unidos nesta sexta-feira (23)

Knicks ilude funcionários com anéis falsos e gera revolta

Para ficar de olho: jovens que buscam despontar na Superliga masculina 2026/27

Do pódio ao altar: Cachopa planeja casamento com medalha olímpica após LA 2028

NBA: LeBron James é vaiado em estreia em casa pelos 76ers

Brasília vence Corinthians pela estreia no NBB 2026/27

João Fonseca exalta 'hora da revanche' contra Alcaraz no Brasil

Esteban Ocon elogia Rafael Câmara e defende vaga na F1

Alex Poatan revela plano após luta decisiva no UFC 335

Dirigente da NBA aponta razão para Brasil não sediar jogos

Ex-número 1 do mundo aconselha João Fonseca: 'Ele precisa'

NFL e Ticketmaster anunciam novo acordo para ingressos
