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Nicholas Santos critica formato de classificação nos 50m estilos para LA 2028

Processo de qualificação olímpica para as disciplinas não seguirá o modelo tradicional

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 29/01/2026
10:00
Nicholas Santos conquista a prata nos 50m borboleta
imagem cameraNicholas Santos é um dos principais velocistas da história da natação (Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

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A inclusão das provas de 50m estilos no programa olímpico foi recebida com entusiasmo pelos fãs da natação. A empolgação, porém, deu lugar a dúvidas e frustrações quando Comitê Olímpico Internacional (COI) e World Aquatics publicaram os critérios de qualificação para os Jogos de Los Angeles 2028, que não seguirão o padrão das demais disciplinas. Referência da modalidade, o nadador Nicholas Santos fez críticas sobre o modelo adotado.

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Tradicionalmente, para buscar a vaga olímpica, os nadadores precisam atingir o índice A (tempo estabelecido em regulamento pela World Aquatics), em competições específicas durante o período de classificação. Caso o total de vagas não seja preenchido, o sistema de qualificação segue a distribuição de vagas na seguinte ordem: atletas classificados para revezamentos, critério de universalidade (visando garantir a presença de representantes de todos os Comitês Olímpicos Nacionais), e índice B.

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Para as provas de 50m nos estilos, as vagas olímpicas serão definidas a partir da Copa do Mundo de 2027, que será disputada em três etapas, uma para cada disciplina (peito, costas e borboleta). Após a disputa de fases eliminatórias, apenas os seis melhores nadadores de cada prova garantem a vaga direta para Los Angeles 2028.

— Os Jogos Olímpicos não vão ser em 2028, vai ser essa seletiva. Vai ser uma loucura o pessoal querendo disputar a prova ali, vai ser uma barreira bem antecipada. A gente tem um cenário em que todas as provas têm um índice olímpico e essa vai ter um critério completamente diferente. Achei bem ruim esse critério - opinou Nicholas, em entrevista ao Lance!.

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Para além da seletiva via Copa do Mundo, serão distribuídas vagas olímpicas adicionais. Porém, para lutar por essas vagas, os atletas precisarão garantir também a classificação em alguma das outras disciplinas individuais ou revezamentos, além de atingir o índice estabelecido para os 50m nos estilos. Na visão de Nicholas, esse critério prejudica os nadadores especializados nas provas rápidas.

— Vários atletas que são "super-velocistas", que só nadam 50m... Esse cara não tem uma segunda carta na manga. Ou ele participa de uma Copa do Mundo, ou ele não tem uma seletiva pra competir. (Esse formato) Não seleciona os dois melhores por país, seleciona os seis melhores do mundo, é um critério muito mal feito. Tem muitos atletas mais veteranos que são especialistas nessa prova, pra quem não faz sentido seguir um planejamento como esse - avaliou.

— Acho que pela falta de eventos que tem a World Aquatics, eles estão criando um novo evento pra ser bem visto, sendo que a Copa do Mundo ninguém quer assistir. Eu falei com pessoas de fora também, muita gente tá querendo bater de frente com a World Aquatics agora - completou.

Nicholas Santos conquistou a prata nos 50m borboleta
Nicholas Santos foi quatro vezes campeão mundial dos 50m borboleta (Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

Volta ao cenário competitivo?

A mudança no programa olímpico agitou o mundo da natação e incentivou o retorno de alguns velocistas ao cenário competitivo. Campeão olímpico nos Jogos de Londres 2012 e especialista em nado peito, o sul-africano Cameron Van Der Burgh anunciou que voltaria quase sete anos após sua aposentadoria. Em solo brasileiro, a novidade incentivou o retorno às piscinas de Etiene Medeiros, que em 2017 se sagrou campeã mundial nos 50m costas.

Prestes a completar 46 anos, Nicholas segue nadando em competições master e nunca deixou efetivamente a modalidade, mas atualmente divide seu tempo entre as piscinas e os compromissos como empreendedor. Questionado se tem vontade de retornar de vez ao cenário competitivo, o veterano disse que não descarta a possibilidade, mas considera que precisaria de mais horas na água para retomar o nível mais alto no contexto internacional.

— Eu acompanho os resultados do mundo, e hoje com o melhor tempo da minha carreira, que foi 22.60 na prova de 50m, eu ficaria em segundo, terceiro... o que com 45 anos não é ruim, né? Vontade dá, mas hoje eu tenho outras coisas que eu não posso deixar de lado. Mas é possível e não seria um peso pra mim, eu gosto de fazer isso, hoje eu não tenho que provar nada pra ninguém. Seria legal, uma história bacana - disse.

Natação brasileira rumo a Los Angeles 2028

O início do ciclo olímpico rumo aos Jogos de Los Angeles não foi positivo para o Brasil. Em 2025, a delegação deixou o Mundial de Esportes Aquáticos, em Singapura, sem nenhuma medalha e com apenas duas finais disputadas, ambas com o jovem Guilherme Caribé, de 22 anos, principal destaque da nova geração. Foi a pior participação do Brasil na competição em 20 anos.

Na visão de Nicholas, o principal desafio da natação brasileira na atualidade está na renovação entre as gerações. Ele também citou a falta de estruturas públicas para prática da natação como uma barreira que impede a massificação do esporte e o incentivo à formação de atletas.

— A gente não tem renovação. Eu tenho 45 anos, voltando a nadar agora, eu teria um tempo suficiente para ganhar o Troféu Brasil, que é o nosso campeonato absoluto. Isso não faz sentido. Quando a gente compara com países como Estados Unidos ou Austrália, a renovação deles é gigante, a gente não tem isso. Precisaria investir bem em categorias de base, estrutura para ter mais atletas praticando. A remuneração na natação também é muito ruim, em comparação com outras modalidades - finalizou.

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