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Lewis Hamilton enfrenta dificuldades na F1 com a Ferrari; entenda

Uma face inesperada do heptacampeão em ano que deveria ser de sonho realizado

PorGrande PremioRio de Janeiro (RJ)
17/08/2025 19:19
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Lewis Hamilton, da Ferrari, durante GP da Arábia Saudita na F1 2025 (Foto: Giuseppe CACACE / AFP)

União de gigantes, casamento de lendas, alinhamento de astros. Esses foram apenas alguns dos termos utilizados após a confirmação de que Lewis Hamilton e Ferrari se reuniriam a partir de 2025, em uma das parcerias com mais títulos e vitórias somados na história da Fórmula 1. A realidade, porém, bate à porta com um cenário bem diferente: dificuldades, falta de adaptação e muito desânimo. Decididamente, uma face inesperada do heptacampeão em um ano que deveria ser de sonho realizado.

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Desde que assinou com a Ferrari, Hamilton vem deixando claro o quanto sonhou em fazer parte da escuderia na Fórmula 1. Inegavelmente, era um negócio de encher os olhos pelos dois lados: enquanto a equipe garantia o maior vencedor e o nome mais midiático da história, o piloto se reunia ao time que sempre sonhou defender.

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Além disso, o heptacampeão mundial tinha grande expectativa para a nova parceira, que "chegou" como resposta para espantar a má fase do último ano de Mercedes. Essa segunda parte, porém, ainda não aconteceu.

Relembre a atuação de Hamilton na F1 2025

Cheio de problemas para se adaptar ao carro, Hamilton sofre desde o início na temporada e não deu nenhum indício de conforto até aqui no monoposto italiano. A vitória na corrida sprint da China deu a impressão de que destravaria algo, mas o dia seguinte foi acompanhado de uma desclassificação pelo desgaste da prancha do assoalho. Tudo de volta à estaca zero.

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E a história não mudou muito depois disso. Em provas principais, o melhor resultado de Hamilton até agora foi o quarto lugar, conquistado três vezes: em Ímola, Áustria e Inglaterra. Nenhum top-3 em corridas principais. Enquanto isso, Charles Leclerc soma cinco pódios na temporada, inclusive com um segundo lugar no GP de Mônaco. Há uma diferença clara de ritmo entre os dois.

E isso até faz sentido, principalmente ao considerar que Leclerc é piloto da Ferrari desde 2019, enquanto Lewis chegou esse ano. O que chama atenção mesmo é a dificuldade de evolução, com problemas a cada fim de semana, e principalmente o desânimo. Certamente, ninguém estava preparado para este segundo tópico.

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"Sou um inútil", diz Hamilton

Em um ano que deveria ser de festa, de sonho realizado, Hamilton aparece cada vez mais cabisbaixo para conversar com a imprensa. Monossilábico em algumas falas, o inglês já até pediu desculpas a uma repórter por ser excessivamente frio em entrevista. Mas o que chamou atenção mesmo foi a fala após o GP da Hungria.

— Sou um inútil, completamente inútil. Não há problemas com a equipe, vocês viram quem está na pole. Sou sempre eu, toda vez. Talvez seja preciso trocar de piloto — disse o heptacampeão mundial, em fala fragmentada entre algumas respostas e que gerou repercussão mundial.

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Naturalmente, não é normal ver alguém com sete títulos mundiais e mais de 100 vitórias agir desta forma. As dificuldades na Ferrari parecem ter pegado o próprio Hamilton de surpresa, e o chefe Frédéric Vasseur até admitiu que a equipe subestimou os problemas no início da temporada. A questão que fica é: trata-se de uma questão entre piloto e carro ou realmente o brilho foi embora?

Porque se o sofrimento já é grande em ritmo de corrida, Lewis ao menos tem entregado resultados regulares — o que mantém a Ferrari no segundo lugar do Mundial de Construtores. Nas classificações, por outro lado, a situação é dramática. Sem se entender com o equipamento, o inglês caiu no Q1 da Bélgica e no Q2 em Miami, Ímola e Hungria. E nunca se classificou além do quarto posto, que só conseguiu uma vez.

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Problemas de comunicação na Ferrari

É difícil fazer esse tipo de questionamento sobre uma figura como Hamilton, considerado por muitos como o maior piloto de todos os tempos da Fórmula 1 e indiscutivelmente o maior vencedor. Como definir que um profissional tão laureado já não consegue entregar como antes? Parece ser algo que o próprio Lewis tem se questionado em 2025.

E é incrível que, por qualquer ângulo que se olhe, é possível ver o incômodo de Lewis nesses primeiros meses de Ferrari. A comunicação difícil com o engenheiro Riccardo Adami era completamente esperada no início do ano, mas parece ter evoluído pouquíssimo desde então. Até hoje, os dois se bicam após mensagens simples no rádio e não parecem ter entendido a dinâmica um do outro. Falta entrosamento.

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Por outro lado, algumas considerações precisam ser feitas. A Ferrari de 2025 simplesmente largou o momento de alta da segunda metade da temporada passada, com um desempenho que em nada lembra um time que chegou perto de encerrar o jejum de títulos. Em que pese o crescimento da McLaren, a verdade é que a Ferrari não saiu do lugar e também não tem oferecido muitas ferramentas aos pilotos.

O próprio Leclerc já reclamou do carro aqui e ali, enquanto Hamilton destacou que está profundamente envolvido com o desenvolvimento do carro de 2026 - inclusive compartilhando dicas. Preocupado com as dificuldades deste ano, o britânico quer garantir que certos traços não estejam presentes no equipamento que vai abrir a próxima geração. E o segredo pode estar justamente aí.

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Lewis Hamilton em Mugello (foto: Ferrari)
Lewis Hamilton em Mugello (foto: Ferrari)

Hamilton e o novo regulamento da F1

As dificuldades de Hamilton estão acentuadas em 2025, é verdade, mas não são inéditas. O heptacampeão mundial tem sofrido com os carros da Fórmula 1 desde a última mudança de regulamento, em 2022, e o retorno do efeito-solo. A chegada de uma nova geração de carros, com motores e chassis diferentes, pode inverter essa lógica e trazer de volta um Lewis diferente. Ao menos, renovado.

Daqui até o fim do ano, nada indica que as dificuldades vão diminuir. A discrepância em relação a Leclerc precisa ser reduzida, sob risco de colocar Lewis em um papel secundário que provavelmente geraria uma série de reações adversas.

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As questões de classificação precisam ser identificadas urgentemente, já que não são um problema novo. E o desânimo também precisa ser melhor gerenciado, ao menos em termos de imagem. As sugestões de que "coisas têm acontecido" nos bastidores da equipe também não ajudam e aumentam a impressão de desconforto do britânico na equipe.

O que era para ser um sonho, decididamente, começou como um pesadelo. E cabe apenas a Hamilton e Ferrari mudarem isso — juntos ou não.

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