De caçulinha a referência: a nova fase de Flávia Saraiva na seleção
Aos 26 anos, ginasta brasileira chega a sua sexta edição de Mundial

Dez anos atrás, uma franzina ginasta de 1,48m de altura e 16 anos surgia no cenário brasileiro, conquistando o público com muito carisma e precisão nas séries de trave, um dos aparelhos mais desafiadores da modalidade. Hoje, mais forte e experiente, Flávia Saraiva chega a sua sexta edição de Mundial de Ginástica com status de medalhista olímpica e líder da seleção.
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Aos 26 anos, Flávia é onze anos mais velhas que as atuais caçulinhas da seleção brasileira, Júlia Coutinho e Sophia Weisberg, ambas de 15 anos, estreantes no Mundial de Ginástica. Ao lado da também medalhista olímpica Júlia Soares, a atleta pediu calma no processo de amadurecimento das novatas e espera ser uma referência como companheira de equipe.
— A gente consegue ensinar até sem palavras. Consegue-se assimilar muita coisa observando postura, comportamento. Nossa corrida pela vaga olímpica começa em 2026. Então, este é o momento de aproveitarem o Mundial, ver o que significa, que sintam os aparelhos e absorvam o que puderem ao lado das melhores do mundo. É um momento muito interessante, de descoberta, pelo qual eu também passei. E que possam voltar felizes ao Brasil, para dar continuidade ao trabalho, cheias de inspiração - projetou.
Assim como Júlia e Sophia, Flavinha também contou com grandes referências em seus primeiros passos na seleção brasileira, competindo ao lado de nomes como Daniele Hypólito e Jade Barbosa. Depois de brilhar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, em casa, Flávia Saraiva estreou no Mundial de 2018 e subiu ao pódio pela primeira vez em 2023, quando conquistou o bronze no solo e a prata por equipes, primeira na história do Brasil na competição.
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O retorno após Paris
Flávia disputa a principal competição da temporada, que marca o início do ciclo olímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. Depois da conquista do inédito bronze por equipes em Paris, a atleta passou por uma cirurgia no ombro direito em setembro de 2024, e passou boa parte da atual temporada se dedicando à recuperação física.
O retorno da atleta às competições aconteceu no Brasileiro de Ginástica, um ano após o procedimento. Flávia competiu apenas na trave, aparelho em que é especialista e duas vezes finalista olímpica, e confirmou o favoritismo, com o título. Ainda em setembro deste ano, conquistou a medalha de ouro na Copa do Mundo de Szombathely, na Hungria, sua primeira competição internacional pós-Paris.
Para o Mundial de Jacarta, que começa neste domingo (19) e não contempla a disputa por equipes, Flávia Saraiva deve competir apenas na trave e solo, seus dois melhores aparelhos. Apesar das lesões que enfrentou ao longo da carreira, a ginasta se considera em melhor forma do que no início de sua trajetória na seleção.
— Eu tinha mais dificuldade quando era mais nova, porque era muito magra. Agora eu sou bem mais forte. Mesmo com as lesões acontecendo, eu sou forte, então volto a fazer os elementos muito facilmente. Então a ginástica acaba sendo melhor comigo agora do que 10 anos atrás - declarou, em entrevista ao Olympics.
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