César Cielo analisa crise da natação: 'Difícil querer ser medalhista treinando no Brasil'
Campeão olímpico vê problemas de gestão e falta de apelo comercial como pontos críticos

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A natação brasileira atravessa um momento de alerta, marcado por perda de protagonismo internacional e problemas de renovação, com impacto desde a base até o alto rendimento. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o campeão olímpico Cesar Cielo fez um diagnóstico da modalidade no país e aponta uma combinação de falhas de gestão, planejamento e estratégia comercial como determinantes no cenáro atual.
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O Brasil ficou fora do pódio nos últimos três mundiais, e a edição de 2025 ficou marcada pelo menor número de finais do país em 20 anos — foram apenas duas, ambas com Guilherme Caribé, nos 100m livre e 50m borboleta. Nos Jogos Olímpicos de Paris, a delegação brasileira também havia passado em branco.
Cielo vê a fase atual como resultado de um acúmulo de decisões equivocadas ao longo dos últimos anos, incluindo má gestão da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Um dos principais problemas, na opinião do campeão olímpico, é a falta de apelo comercial da modalidade. Ele citou o formato pouco dinâmico de torneios tradicionais, como o Troféu Brasil, como um dos motivos que afasta público, mídia e parceiros do esporte.
— A gente não tem nada de novo. Precisamos pensar no lado comercial, em como deixar o esporte mais atrativo, precisa estar na TV. Mas pra isso precisa ter apelo pro público. Fazer um torneio de seis dias, com finais que têm três provas, para mim, comercialmente, parece um erro. Nenhuma televisão quer parar uma hora para mostrar três provas e depois premiação. Nem eu, como nadador, tenho facilidade de acompanhar - pontuou.

Estratégia na formação de atletas
Na visão do campeão olímpico, falta um planejamento nacional consistente para a base, que atualmente depende majoritariamente dos clubes. Cielo também citou a organização das categorias de base por ano de nascimento, e não por idade, como mais um obstáculo na formação de atletas.
— A gente tem escolinhas espalhadas pelo Brasil, mas é uma coisa meio aleatória. Hoje, não sinto que existe um planejamento, a não ser o que os clubes estejam fazendo. Mas esse sistema clubístico pra elite não é tão legal, quando a gente fala em treinar pra seleção brasileira e torneios maiores, esse sistema fica muito genérico pra nadadores de elite - disse.
Nesse cenário, o nadador acredita que o melhor caminho para os atletas que desejam se destacar no cenário mundial ainda é treinar no exterior. Essa estratégia foi adotada justamente por Guilherme Caribé, que desde 2022 vive nos Estados Unidos e hoje é o principal nome da natação brasileira.
— A minha opinião é que hoje é muito difícil você querer ser medalhista e conseguir uma grande carreira treinando no Brasil. A fórmula é: vai pros Estados Unidos. Lá você vai ter um ambiente e um cenário muito mais propícios para chegar aos seus grandes resultados - finalizou.
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