Papo com Helio Castroneves: carros na pista no Daytona International Speedway
O choque térmico e o rugido dos motores

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Olá, amigos, tudo bem?
Pois é, o cara sai de Ribeirão Preto debaixo de quase 40 graus, aí pega um avião para os Estados Unidos e se deparara com 3 grauzinhos aqui em Daytona Beach, na Flórida, local da 64ª edição da Rolex 24 at Daytona, que será disputada na semana que vem. Eita frio!
Mas não tem nada, não, o importante é que têm carros na pista a partir desta sexta 16, aqui no Daytona International Speedway. São três dias de testes coletivos, tudo como aquecimento para a largada do dia 24. Obviamente, a nossa Meyer Shank Racing está completa para encarar esse desafio. Os dois Acura ARX-06 estão lindos e serão pilotados por dois quartetos de respeito. Tom Blomqvist, Colin Braun, Scott Dixon e AJ Allmendinger vão tocar o #60. No #93, os pilotos são Renger van der Zande, Nick Yelloly, Alex Palou e Kaku Ohta.
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10 horas de testes para a prova de 24 horas
No cômputo dos três dias, serão cerca de 10 horas de testes, que historicamente são fundamentais para a preparação diante da maratona da próxima semana. Não necessariamente é um teste que revela, de cara, qual o conjunto mais eficiente e, consequentemente, favorito para a prova de 24 horas. Até por uma questão de estratégia, nem todas as equipes mostraram todas as "cartas" no Roar. Porém, poucos testes coletivos são tão significativos como esse. Vou explicar.
No âmbito do IMSA WeatherTech SportsCar Championship, cada carro tem dois pilotos titulares. São aqueles que estarão juntos durante toda a temporada de 10 provas. Mas nas maiores em termos de horas disputadas, outros pilotos se somam aos fixos para dar conta do recado. Isso ocorre em Daytona, logo na abertura do campeonato, por causa das 24 horas. Mas o campeonato ainda reserva Sebring (12 horas), Watkins Glen (6) Road America (6) e Road Atlanta (10), todas com pilotos-suporte. Aliás, essas provas contam pontos para o IMSA Michelin Endurance Cup, campeonato formado só pelas cinco provas longas do calendário.
Por essas características tão especiais, o Roar é menos de velocidade e mais entrosamento, acerto e estratégia. Claro que todo mundo quer explorar toda a potencialidade do equipamento, mas há muitas outras coisas que contam também, além do cronômetro.
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Trocas de pilotos e de bancos
O primeiro desafio está posto antes mesmo de o carro entrar na pista pela primeira vez. Vocês já viram, em provas longas, trocas de pilotos que saem ou entram no carro carregando o próprio banco. Não é exatamente um banco, afinal, o banco é um só, mas cada um tem uma espécie de enchimento ou almofada ou sei lá o nome que cada um dê, cuja função é acomodar melhor cada piloto no carro.
Percebam que são quatro pilotos usando o mesmo carro e cada um, obviamente, apresenta estatura, peso e massa muscular próprias. Até para alcançar os pedais há um trabalho específico. Obviamente que há uma fórmula ideal para isso, que seria todos os pilotos saírem da mesma forma, mas isso só dá certo em desenho animado. Então, o negócio é tornar o cockpit o mais confortável possível para todos, mesmo que alterações nem sempre tão ortodoxas sejam adotadas.
Mas vou dizer para vocês que preservar o bumbum e as costas da galera não é a parte complicada. O X, Y e Z da questão é o acerto do carro. Para além de dados objetivos como peso e altura, cada piloto tem um estilo de pilotagem e, obviamente, como é impossível prover um mesmo carro com quatro acertos diferentes, costumo dizer que, no Endurance, os pilotos são mais abertos a abrir mão de certas vaidades e confortos, prevalecendo o coletivo na mais completa acepção da palavra.

Mudanças em nome do conjunto
É bonito ver pilotos consagrados aceitando certas mudanças em nome do conjunto. Claro, ninguém está ali para passear ou fazer festa. Todos estão de olho no Rolex destinado aos vencedores, mas o espírito é de ajuda mútua e encorajamento coletivo. E isso é fundamental. Imagine você bater o carro na primeira hora de uma corrida de 24 horas? Com certeza, ninguém vai ficar apontando o dedo, mas todos se unem para botar o possante para funcionar e voltar para a disputa. E olhem que já vi isso acontecer e, no final, esse mesmo carro terminar muito bem-posicionado.
Por tudo isso, o Endurance é especial. Tão especial que, dada a importância da Rolex 24 at Daytona, seja no "rugido" coletivo ou pra valer, ainda vou tratar desse assunto nas próximas colunas.
Forte abraço, fiquem bem e vamos que vamos!
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