O que é "nova fase de ataque" no impedimento? Entenda quando o lance deixa de ser infração
A "nova fase de ataque" explica por que alguns gols são validados.

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No futebol moderno, especialmente depois da chegada do VAR, expressões como "nova fase de ataque" ou "nova fase da jogada" entraram de vez no vocabulário de narradores, comentaristas e torcedores. Esse conceito está diretamente ligado à Regra 11 (Impedimento) das Regras do Jogo, documento oficial da IFAB adotado pela CBF, e ajuda a explicar por que uma posição de impedimento no início do lance nem sempre resulta em infração alguns segundos depois. Em termos simples, a "nova fase de ataque" é o momento em que a jogada é considerada "reiniciada", fazendo a análise de impedimento voltar ao ponto zero. O Lance! explica o que é "nova fase de ataque" no impedimento.
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A lógica central é a seguinte: um jogador só pode ser punido por impedimento se estiver em posição irregular no momento em que a bola é jogada ou tocada por um companheiro de equipe e, a partir daí, participar ativamente do jogo. Se, entre esse toque inicial e o desfecho do lance, ocorre uma nova posse ou uma nova construção clara de jogada, entende‑se que começou uma nova fase de ataque; nesse caso, a posição de impedimento anterior deixa de ser considerada para efeito de infração. É exatamente essa "troca de fase" que, muitas vezes, decide se o VAR vai anular ou confirmar um gol contestado.
O que é "nova fase de ataque" no impedimento
O que diz a Regra 11
Na versão em português das Regras do Jogo, a Regra 11 – Impedimento explica quando um jogador em posição irregular passa, de fato, a ser punido. De forma equivalente ao texto oficial, a regra estabelece que um jogador em posição de impedimento no momento em que a bola é jogada ou tocada por um colega de equipe só será penalizado se participar ativamente do jogo, entre outras formas, "ganhando vantagem de sua posição" quando a bola:
"tiver ressaltado ou sido desviada do poste, da trave, do travessão, do árbitro ou de um adversário; ou tiver sido deliberadamente defendida por qualquer adversário."
No mesmo espírito, a Regra 11 também esclarece a situação em que a bola vem de um adversário que tenta jogar conscientemente a bola:
"Um jogador em posição de impedimento que receba a bola de um adversário que deliberadamente joga a bola, inclusive por mão deliberada, não é considerado como tendo ganho vantagem de sua posição, exceto se se tratar de uma defesa deliberada (save) de qualquer adversário."
Esses dois trechos são a base técnica para o conceito de "nova fase de ataque". Em resumo: se a bola apenas rebate ou desvia, ou se há uma defesa deliberada para evitar gol, o impedimento antigo continua valendo; se o adversário joga deliberadamente a bola, com algum controle, a regra passa a considerar que se iniciou uma nova fase da jogada, e a posição anterior deixa de ser punível.
Quando começa uma "nova fase de ataque"
Na linguagem aplicada no campo e na cabine do VAR, fala‑se muito em "fase de posse ofensiva" (Attacking Possession Phase – APP), isto é, o trecho contínuo de ataque que está sendo analisado. Para que se considere que nasceu uma nova fase de ataque, normalmente é preciso que aconteça uma dessas situações:
- Um novo lance controlado do próprio time atacante: um companheiro domina a bola com clareza, conduz, faz um passe consciente ou organiza outro momento de ataque, em vez de apenas esbarrar na bola de forma involuntária.
- Um "jogar deliberado" (deliberate play) de um adversário: o defensor tem tempo e possibilidade para controlar a bola e tenta, conscientemente, fazer uma jogada (domínio, passe, corte direcionado, recuo), ainda que a execução não seja perfeita.
Quando os árbitros entendem que houve esse "jogar deliberado" do defensor, considera‑se que a equipe defensora teve a chance real de resolver o lance. A partir desse momento, qualquer participação posterior de um atacante que estava impedido na fase anterior é vista dentro de uma nova jogada, ou seja, de uma nova fase de ataque iniciada depois da ação do adversário.
Um exemplo clássico ajuda:
- Um atacante está em posição de impedimento quando o companheiro cruza a bola.
- O zagueiro adversário domina a bola e tenta fazer um passe, mas erra e entrega nos pés do mesmo atacante, que então marca o gol.
Nesse cenário, como houve um domínio e um passe intencional do defensor, o livro de regras entende que ele "jogou deliberadamente a bola", inaugurando uma nova fase. Resultado: a posição de impedimento original não é mais levada em conta, e o gol tende a ser validado.
Quando o impedimento NÃO "zera" e continua valendo
Do outro lado, há muitos lances em que os árbitros e o VAR concluem que não houve nova fase de ataque, justamente porque o toque do adversário não foi considerado "jogar deliberadamente a bola". Nesses casos, a posição de impedimento lá do início do lance segue ativa e pode terminar anulando um gol.
Isso acontece principalmente em três tipos de situação:
- Desvio ou rebote involuntário: a bola apenas bate no defensor, sem que ele tenha tempo, espaço ou controle para decidir o que fazer — é um toque de corpo, de perna ou de cabeça puramente reativo.
- Corte de desespero, sem controle: o zagueiro só estica a perna para afastar de qualquer jeito, sem domínio da jogada; na prática, muitos lances desse tipo ainda são interpretados como uma espécie de desvio, não como jogada controlada.
- Defesa deliberada (save): qualquer ação consciente de impedir que a bola entre no gol (do goleiro ou de um defensor de linha) é tratada como defesa, e não reinicia a fase de ataque.
Nesses cenários, a própria redação da Regra 11 diz que o jogador em posição de impedimento continua ganhando vantagem de sua posição se participar depois do rebote, desvio ou defesa. Em termos de prática arbitral, isso quer dizer: mesmo que a bola toque em um adversário no meio do caminho, a jogada ainda é considerada parte da mesma fase de ataque, e o impedimento original pode (e deve) ser marcado se o atacante voltar a interferir no lance.
Um exemplo bem comum:
- Um atacante está impedido quando o colega chuta para o gol.
- O goleiro faz uma defesa parcial, espalmando a bola para frente.
- Na sobra, o atacante impedido aproveita e marca.
Aqui, por se tratar de uma defesa deliberada, a Regra 11 entende que não houve nova fase de ataque: a jogada é uma continuidade do chute inicial, e o gol deve ser anulado por impedimento.
Por que isso pesa tanto na era do VAR
Com a tecnologia traçando linhas milimétricas de impedimento, a discussão não se limita mais a "estava ou não estava à frente da linha?". Cada vez mais, a decisão depende de interpretar fases da jogada: se aquele toque do defensor foi um desvio, uma defesa ou se caracterizou um verdadeiro "jogar deliberadamente a bola".
Na prática:
- Se os árbitros concluírem que não houve nova fase de ataque, a posição de impedimento original continua valendo, e o gol pode ser anulado.
- Se entenderem que houve um "deliberate play" do adversário ou uma nova construção clara do ataque, considera‑se que a fase foi "resetada" e a posição anterior deixa de configurar infração.
Tudo isso está amparado pela Regra 11 – Impedimento das Regras do Jogo em português, especialmente nos trechos que tratam de "ganhar vantagem da posição de impedimento" em lances de rebote, desvio, defesa deliberada e jogada deliberada do adversário. Em linguagem simples: a tal "nova fase de ataque" é a forma didática de explicar o momento exato em que o próprio livro de regras manda zerar a análise de impedimento.
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