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O que é "nova fase de ataque" no impedimento? Entenda quando o lance deixa de ser infração

A "nova fase de ataque" explica por que alguns gols são validados.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 31/03/2026
07:38
Fabio Pereira - Bandeirinha (foto:Reprodução)
imagem cameraAssistente levanta a bandeira de impedimento: entender a “nova fase de ataque” é essencial para interpretar decisões do VAR. (Reprodução)

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O conceito de 'nova fase de ataque' no futebol se refere ao momento em que a jogada é considerada reiniciada, conforme a Regra 11 (Impedimento).
Um jogador só pode ser punido por impedimento se estiver em posição irregular no momento em que a bola é tocada por um companheiro de equipe.
Caso ocorra uma nova posse ou jogada clara, a posição de impedimento anterior deixa de ser considerada.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

No futebol moderno, especialmente depois da chegada do VAR, expressões como "nova fase de ataque" ou "nova fase da jogada" entraram de vez no vocabulário de narradores, comentaristas e torcedores. Esse conceito está diretamente ligado à Regra 11 (Impedimento) das Regras do Jogo, documento oficial da IFAB adotado pela CBF, e ajuda a explicar por que uma posição de impedimento no início do lance nem sempre resulta em infração alguns segundos depois. Em termos simples, a "nova fase de ataque" é o momento em que a jogada é considerada "reiniciada", fazendo a análise de impedimento voltar ao ponto zero. O Lance! explica o que é "nova fase de ataque" no impedimento.

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A lógica central é a seguinte: um jogador só pode ser punido por impedimento se estiver em posição irregular no momento em que a bola é jogada ou tocada por um companheiro de equipe e, a partir daí, participar ativamente do jogo. Se, entre esse toque inicial e o desfecho do lance, ocorre uma nova posse ou uma nova construção clara de jogada, entende‑se que começou uma nova fase de ataque; nesse caso, a posição de impedimento anterior deixa de ser considerada para efeito de infração. É exatamente essa "troca de fase" que, muitas vezes, decide se o VAR vai anular ou confirmar um gol contestado.

O que é "nova fase de ataque" no impedimento

O que diz a Regra 11

Na versão em português das Regras do Jogo, a Regra 11 – Impedimento explica quando um jogador em posição irregular passa, de fato, a ser punido. De forma equivalente ao texto oficial, a regra estabelece que um jogador em posição de impedimento no momento em que a bola é jogada ou tocada por um colega de equipe só será penalizado se participar ativamente do jogo, entre outras formas, "ganhando vantagem de sua posição" quando a bola:

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"tiver ressaltado ou sido desviada do poste, da trave, do travessão, do árbitro ou de um adversário; ou tiver sido deliberadamente defendida por qualquer adversário."

No mesmo espírito, a Regra 11 também esclarece a situação em que a bola vem de um adversário que tenta jogar conscientemente a bola:

"Um jogador em posição de impedimento que receba a bola de um adversário que deliberadamente joga a bola, inclusive por mão deliberada, não é considerado como tendo ganho vantagem de sua posição, exceto se se tratar de uma defesa deliberada (save) de qualquer adversário."

Esses dois trechos são a base técnica para o conceito de "nova fase de ataque". Em resumo: se a bola apenas rebate ou desvia, ou se há uma defesa deliberada para evitar gol, o impedimento antigo continua valendo; se o adversário joga deliberadamente a bola, com algum controle, a regra passa a considerar que se iniciou uma nova fase da jogada, e a posição anterior deixa de ser punível.

Quando começa uma "nova fase de ataque"

Na linguagem aplicada no campo e na cabine do VAR, fala‑se muito em "fase de posse ofensiva" (Attacking Possession Phase – APP), isto é, o trecho contínuo de ataque que está sendo analisado. Para que se considere que nasceu uma nova fase de ataque, normalmente é preciso que aconteça uma dessas situações:

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  1. Um novo lance controlado do próprio time atacante: um companheiro domina a bola com clareza, conduz, faz um passe consciente ou organiza outro momento de ataque, em vez de apenas esbarrar na bola de forma involuntária.
  2. Um "jogar deliberado" (deliberate play) de um adversário: o defensor tem tempo e possibilidade para controlar a bola e tenta, conscientemente, fazer uma jogada (domínio, passe, corte direcionado, recuo), ainda que a execução não seja perfeita.

Quando os árbitros entendem que houve esse "jogar deliberado" do defensor, considera‑se que a equipe defensora teve a chance real de resolver o lance. A partir desse momento, qualquer participação posterior de um atacante que estava impedido na fase anterior é vista dentro de uma nova jogada, ou seja, de uma nova fase de ataque iniciada depois da ação do adversário.

Um exemplo clássico ajuda:

  1. Um atacante está em posição de impedimento quando o companheiro cruza a bola.
  2. O zagueiro adversário domina a bola e tenta fazer um passe, mas erra e entrega nos pés do mesmo atacante, que então marca o gol.
    Nesse cenário, como houve um domínio e um passe intencional do defensor, o livro de regras entende que ele "jogou deliberadamente a bola", inaugurando uma nova fase. Resultado: a posição de impedimento original não é mais levada em conta, e o gol tende a ser validado.

Quando o impedimento NÃO "zera" e continua valendo

Do outro lado, há muitos lances em que os árbitros e o VAR concluem que não houve nova fase de ataque, justamente porque o toque do adversário não foi considerado "jogar deliberadamente a bola". Nesses casos, a posição de impedimento lá do início do lance segue ativa e pode terminar anulando um gol.

Isso acontece principalmente em três tipos de situação:

  1. Desvio ou rebote involuntário: a bola apenas bate no defensor, sem que ele tenha tempo, espaço ou controle para decidir o que fazer — é um toque de corpo, de perna ou de cabeça puramente reativo.
  2. Corte de desespero, sem controle: o zagueiro só estica a perna para afastar de qualquer jeito, sem domínio da jogada; na prática, muitos lances desse tipo ainda são interpretados como uma espécie de desvio, não como jogada controlada.
  3. Defesa deliberada (save): qualquer ação consciente de impedir que a bola entre no gol (do goleiro ou de um defensor de linha) é tratada como defesa, e não reinicia a fase de ataque.

Nesses cenários, a própria redação da Regra 11 diz que o jogador em posição de impedimento continua ganhando vantagem de sua posição se participar depois do rebote, desvio ou defesa. Em termos de prática arbitral, isso quer dizer: mesmo que a bola toque em um adversário no meio do caminho, a jogada ainda é considerada parte da mesma fase de ataque, e o impedimento original pode (e deve) ser marcado se o atacante voltar a interferir no lance.

Um exemplo bem comum:

  1. Um atacante está impedido quando o colega chuta para o gol.
  2. O goleiro faz uma defesa parcial, espalmando a bola para frente.
  3. Na sobra, o atacante impedido aproveita e marca.
    Aqui, por se tratar de uma defesa deliberada, a Regra 11 entende que não houve nova fase de ataque: a jogada é uma continuidade do chute inicial, e o gol deve ser anulado por impedimento.

Por que isso pesa tanto na era do VAR

Com a tecnologia traçando linhas milimétricas de impedimento, a discussão não se limita mais a "estava ou não estava à frente da linha?". Cada vez mais, a decisão depende de interpretar fases da jogada: se aquele toque do defensor foi um desvio, uma defesa ou se caracterizou um verdadeiro "jogar deliberadamente a bola".

Na prática:

  1. Se os árbitros concluírem que não houve nova fase de ataque, a posição de impedimento original continua valendo, e o gol pode ser anulado.
  2. Se entenderem que houve um "deliberate play" do adversário ou uma nova construção clara do ataque, considera‑se que a fase foi "resetada" e a posição anterior deixa de configurar infração.

Tudo isso está amparado pela Regra 11 – Impedimento das Regras do Jogo em português, especialmente nos trechos que tratam de "ganhar vantagem da posição de impedimento" em lances de rebote, desvio, defesa deliberada e jogada deliberada do adversário. Em linguagem simples: a tal "nova fase de ataque" é a forma didática de explicar o momento exato em que o próprio livro de regras manda zerar a análise de impedimento.

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