Impacto do retorno da NHL aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026
Volta dos atletas da NHL encerra hiato de 12 anos e resgata o hóquei olímpico.

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A confirmação da participação dos jogadores da National Hockey League nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d'Ampezzo, marca um ponto de inflexão na história recente do hóquei no gelo internacional. O anúncio conjunto envolvendo liga, jogadores e entidades reguladoras encerra um hiato de 12 anos sem a presença plena da elite mundial no torneio olímpico. O Lance! explica o impacto do retorno da NHL aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026.
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Desde a última edição com atletas da NHL, em Sochi 2014, o hóquei olímpico masculino passou a conviver com questionamentos sobre legitimidade técnica e valor simbólico. As edições de PyeongChang 2018 e Pequim 2022 mantiveram competitividade, mas perderam o caráter absoluto de consagração esportiva que historicamente diferenciava o ouro olímpico.
O retorno em Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina devolve ao torneio o conceito de best-on-best, reunindo os melhores jogadores do planeta em um mesmo palco. Trata-se de um resgate não apenas técnico, mas também histórico, midiático e comercial.
Além disso, a edição de 2026 será a primeira experiência olímpica de uma geração inteira de superestrelas da NHL, ao mesmo tempo em que veteranos consagrados poderão ampliar legados já consolidados. O contexto cria uma combinação rara entre passado, presente e futuro do esporte.
Impacto do retorno da NHL aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026
Histórico da participação da NHL nos Jogos Olímpicos
A presença de jogadores da NHL nos Jogos Olímpicos é relativamente recente. Embora o hóquei no gelo faça parte do programa olímpico desde 1924, a autorização para atletas profissionais só foi concedida pelo Comitê Olímpico Internacional em 1988, iniciando um longo processo de negociações.
O acordo definitivo foi anunciado em 1995, após tratativas entre NHL, NHL Players' Association e International Ice Hockey Federation. A estreia ocorreu em Nagano 1998, inaugurando a era do hóquei olímpico com os melhores profissionais do mundo.
Entre 1998 e 2014, os jogadores da NHL participaram de cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos. Esse período consolidou o torneio como o principal evento internacional da modalidade, com domínio canadense, títulos suecos e finais históricas.
A era de ouro entre 2002 e 2014
O auge da participação da NHL ocorreu entre Salt Lake City 2002 e Sochi 2014. Em 2002, o Canadá voltou a conquistar o ouro após meio século, sob gestão de Wayne Gretzky e com um elenco repleto de estrelas da liga.
Em Vancouver 2010, o torneio atingiu um de seus momentos mais icônicos. O gol decisivo de Sidney Crosby na prorrogação contra os Estados Unidos transformou-se no evento esportivo mais assistido da história do Canadá, simbolizando o impacto cultural da NHL nos Jogos.
Sochi 2014 marcou o último torneio olímpico com atletas da liga por mais de uma década. A edição encerrou um ciclo histórico antes de um período de afastamento motivado por disputas comerciais e fatores externos.
Por que a NHL ficou fora em 2018 e 2022
A ausência em PyeongChang 2018 foi resultado de impasses financeiros e institucionais. Custos de viagem, seguros, hospedagem e limitações de marketing levaram a NHL a considerar a participação economicamente desvantajosa, além do impacto negativo no calendário da temporada regular.
Para Pequim 2022, havia inicialmente um acordo em vigor. No entanto, a pandemia de COVID-19 forçou o adiamento de dezenas de jogos da NHL, tornando inviável uma nova paralisação em fevereiro. Soma-se a isso o risco de isolamento prolongado de atletas na China, fator decisivo para a retirada.
Essas duas edições reforçaram a percepção de que, sem jogadores da NHL, o torneio olímpico perde parte significativa de seu peso esportivo e simbólico.
A importância do modelo "best-on-best" em 2026
A principal relevância do retorno da NHL está na restauração do modelo best-on-best. Com elencos completos, a medalha de ouro volta a representar supremacia inequívoca no hóquei mundial, algo impossível de ser alcançado em torneios com formações alternativas.
A edição de 2026 será marcada pela estreia olímpica de nomes centrais da liga atual, como Connor McDavid e Auston Matthews, protagonistas absolutos da NHL nos últimos anos.
O equilíbrio competitivo também se intensifica. Finlândia, Suécia e Estados Unidos passam a competir em igualdade de condições com o Canadá, elevando o nível técnico e tornando o torneio mais imprevisível.
Regras, gelo e formato do torneio em Milão-Cortina
Para viabilizar o acordo, a NHL interromperá novamente sua temporada em fevereiro. Em contrapartida, a IIHF adotará ajustes importantes, incluindo o uso de dimensões de gelo no padrão da NHL (60 x 26 metros), privilegiando velocidade, contato físico e ritmo intenso.
Persistem diferenças regulatórias, especialmente em punições por brigas e interpretações de icing, exigindo rápida adaptação dos atletas. O torneio masculino contará com 12 seleções divididas em três grupos, com classificação direta às quartas de final para os líderes e o melhor segundo colocado.
As partidas serão realizadas em arenas na região de Milão, com a final masculina programada para 22 de fevereiro de 2026.
Favoritos, estrelas e rivalidades para 2026
O Canadá chega novamente como principal referência histórica, reunindo um elenco profundo e altamente competitivo. Os Estados Unidos apresentam sua geração mais talentosa, mirando um ouro que não vem desde 1980 e reacendendo a rivalidade continental.
Suécia e Finlândia mantêm identidades bem definidas. A primeira aposta em solidez defensiva aliada a talentos da NHL, enquanto a segunda segue valorizando disciplina coletiva e consistência, características que a tornaram campeã olímpica em 2022 mesmo sem jogadores da liga.
A combinação entre estrelas consagradas, estreantes olímpicos e rivalidades históricas reforça o status de Milão-Cortina 2026 como o retorno definitivo do hóquei olímpico ao seu mais alto patamar técnico.
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