Tina e Milo: história e significado das mascotes de Milão-Cortina 2026
Arminhos simbolizam inclusão, diversidade regional e o novo conceito dos Jogos.

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Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 apresentam como mascotes oficiais dois arminhos antropomórficos chamados Tina e Milo. Mais do que elementos visuais de engajamento e merchandising, os personagens foram concebidos como portadores de mensagens ligadas à inclusão, à resiliência e à identidade territorial italiana.
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Diferentemente de mascotes desenvolvidos exclusivamente por estúdios profissionais, Tina e Milo nasceram de um processo educacional e participativo, envolvendo estudantes de diferentes regiões do país e uma votação popular em escala nacional. A escolha reforça a intenção do comitê organizador de aproximar os Jogos da sociedade italiana e de seus valores contemporâneos.
O resultado é um par de mascotes que combina narrativa social, representatividade paralímpica e referências diretas à geografia e à biodiversidade dos Alpes, onde o arminho é uma espécie nativa.
Tina e Milo: história e significado das mascotes de Milão-Cortina 2026
A origem e o processo de seleção das mascotes
A criação de Tina e Milo está ligada à iniciativa "La Scuola per le Mascotte", desenvolvida pelo Comitê Organizador de Milão-Cortina 2026 em parceria com o Ministério da Educação da Itália. O projeto teve como objetivo transformar escolas em protagonistas do processo criativo dos Jogos.
O programa mobilizou estudantes de todo o país e seguiu um modelo de seleção em múltiplas etapas. Milhares de desenhos foram enviados por alunos entre 6 e 14 anos, originando mais de 1.600 propostas de design distintas, que passaram por curadoria técnica e conceitual.
Duas ideias chegaram à fase final. A primeira, dos arminhos Tina e Milo, foi criada por alunos do Istituto Comprensivo di Taverna, na região da Calábria. A segunda, chamada "The Flowers", veio de estudantes de Segrate, município próximo a Milão. A decisão final ficou a cargo do público, por meio de votação aberta durante o Festival de Sanremo.
Em fevereiro de 2024, o resultado foi anunciado: os arminhos venceram com 53% dos votos, tornando-se oficialmente as mascotes olímpico e paralímpico de 2026. O design final foi posteriormente refinado para aplicações digitais, animação e produtos licenciados, preservando o traço original infantil.
Por que o arminho foi escolhido
O arminho (Mustela erminea) é um animal típico das regiões alpinas e simboliza adaptação e resistência a ambientes extremos. A espécie é conhecida pela mudança sazonal de pelagem, característica que foi incorporada ao conceito das mascotes para representar diversidade e transformação.
A dualidade entre Tina e Milo explora essas variações naturais e associa cada personagem a valores específicos, conectados às cidades-sede e aos diferentes universos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
Além da referência ecológica, o arminho carrega um simbolismo histórico ligado à pureza, proteção e sobrevivência em ambientes hostis, elementos alinhados ao espírito olímpico e à narrativa dos esportes de inverno.
Tina, a mascote olímpica
Tina é a mascote dos Jogos Olímpicos de Inverno e está associada a Cortina d'Ampezzo, tradicional destino alpino italiano. Sua aparência reflete o arminho no inverno, com pelagem clara, adaptada à neve.
A personagem é descrita como criativa, curiosa e prática. Tina ama a beleza, a arte e a cultura urbana, simbolizando o diálogo entre natureza e cidade que marca a edição de Milão-Cortina 2026. Seu lema oficial é "Dream big" ("Sonhe alto"), reforçando a ideia de ambição, imaginação e busca por excelência.
Milo, a mascote paralímpica
Milo representa os Jogos Paralímpicos de Inverno e está ligado à cidade de Milão. Diferentemente de Tina, ele possui pelagem marrom, característica do arminho durante o verão, associada à terra e à resiliência.
Milo nasceu sem uma das patas traseiras, condição incorporada de forma natural ao design do personagem. Em vez de ser apresentada como limitação, a deficiência faz parte de sua identidade: Milo utiliza a cauda para auxiliar na locomoção e no equilíbrio, simbolizando adaptação e autonomia.
Sonhador, otimista e inventor, ele adora as montanhas e cria seus próprios instrumentos musicais. Seu lema, "Obstacles are trampolines" ("Obstáculos são trampolins"), resume a mensagem central do movimento paralímpico e reforça o compromisso de Milão-Cortina 2026 com a inclusão autêntica.
O papel dos "The Flo" no universo visual
Tina e Milo não atuam sozinhos. Eles são acompanhados por seis pequenas flores de goivo-branco (snowdrop), conhecidas coletivamente como "The Flo". Esses personagens secundários têm função simbólica e narrativa dentro da identidade visual dos Jogos.
Os The Flo são baseados no design finalista que ficou em segundo lugar na votação popular, criado por estudantes de Segrate. Sua inclusão representa uma homenagem direta às duas propostas escolares mais bem avaliadas no processo seletivo.
As flores simbolizam coletividade, cooperação e sustentabilidade, além de fazerem referência à flora alpina que brota mesmo em condições adversas, reforçando a mensagem ambiental e de resiliência presente em toda a comunicação de Milão-Cortina 2026.
Curiosidades e simbolismos adicionais
Os nomes Tina e Milo são diminutivos diretos das cidades-sede: Cortina e Milano. Apesar de os Jogos ocorrerem no norte da Itália, o design vencedor surgiu na Calábria, no extremo sul do país, criando uma narrativa simbólica de unificação nacional.
A escolha por votação popular insere Tina e Milo entre os casos mais relevantes de mascotes olímpicos desenvolvidos a partir de participação estudantil em larga escala. O processo reforça o papel da educação como legado cultural dos Jogos e amplia o senso de pertencimento da população ao evento.
Com Tina e Milo, Milão-Cortina 2026 consolida uma abordagem moderna para mascotes esportivos, transformando-os em ferramentas de comunicação social, inclusão e identidade territorial, em sintonia com os valores contemporâneos do Movimento Olímpico.
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