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Milão-Cortina 2026 e o plano de sustentabilidade baseado na reutilização de infraestrutura

Jogos de Inverno adotam modelo descentralizado e priorizam arenas existentes.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 13/01/2026
07:09
Arenas históricas e estruturas temporárias formam a base do plano sustentável dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. (Foto: Milão-Cortina)
imagem cameraArenas históricas e estruturas temporárias formam a base do plano sustentável dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. (Foto: Milão-Cortina)

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Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 priorizarão a sustentabilidade, utilizando 92% de instalações já existentes.
O evento será descentralizado, abrangendo uma área superior a 22.000 km², melhorando a logística de transporte.
O projeto inclui desafios, como a reconstrução da pista de sliding e a gestão de neve artificial, enfrentando críticas de ambientalistas.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 representam um ponto de inflexão no modelo de organização olímpica. A candidatura italiana foi construída a partir de um princípio claro: reduzir custos, limitar novas construções e minimizar o impacto ambiental por meio do uso majoritário de instalações já existentes ou temporárias. O Lance! conta tudo sobre Milão-Cortina 2026 e o plano de sustentabilidade baseado na reutilização de infraestrutura.

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Em contraste com edições anteriores marcadas por obras permanentes de alto custo e pouco uso posterior, a proposta vencedora estabelece que cerca de 92% das arenas utilizadas durante o evento já estejam em operação regular ou sejam desmontadas após os Jogos. A estratégia está alinhada às diretrizes da Agenda 2020+5, do Comitê Olímpico Internacional, que defende a adaptação dos Jogos às cidades anfitriãs — e não o contrário.

O resultado é um evento descentralizado, distribuído por diferentes regiões do norte da Itália, aproveitando a tradição esportiva local e reduzindo o risco de abandono estrutural no período pós-olímpico.

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Milão-Cortina 2026 e o plano de sustentabilidade

Contexto histórico e a mudança de paradigma olímpico

Durante décadas, sediar os Jogos Olímpicos esteve associado à construção de grandes parques esportivos centralizados, muitas vezes erguidos sem demanda futura. Casos como Atenas 2004, Sochi 2014 e Rio 2016 alimentaram críticas globais sobre desperdício de recursos públicos e impacto ambiental elevado.

Milão-Cortina 2026 surge como a primeira edição de inverno a aplicar de forma integral a chamada "Nova Norma" do COI. A própria configuração da candidatura — envolvendo duas cidades principais, duas regiões e duas províncias autônomas — reflete a decisão de buscar infraestrutura onde ela já existe, evitando obras concentradas em um único perímetro urbano.

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Esse modelo descentralizado prioriza eficiência operacional e legado de baixo impacto de carbono. A arquitetura monumental deixa de ser protagonista, dando lugar a um planejamento que privilegia reutilização, adaptação e viabilidade econômica de longo prazo.

Estratégia de reutilização e logística territorial

O plano mestre de Milão-Cortina 2026 baseia-se na divisão do evento em múltiplos "clusters" geográficos, distribuídos por uma área superior a 22.000 km². Essa dispersão permite o uso de estruturas consolidadas, mas transfere o principal desafio da engenharia civil para a logística de transporte.

As instalações foram classificadas em três categorias principais:

  • Existentes: arenas e pistas que já recebem eventos internacionais regularmente;
  • Temporárias: estruturas montadas exclusivamente para os Jogos e desmontadas após o encerramento;
  • Novas (legado): construções pontuais com plano de uso contínuo garantido, majoritariamente financiadas pela iniciativa privada.

Para sustentar esse desenho, o sistema ferroviário e rodoviário tornou-se elemento central. A organização prioriza transporte coletivo, com foco em soluções elétricas ou híbridas, como forma de conter emissões e garantir fluidez entre sedes distantes.

Mapeamento das arenas e uso da infraestrutura existente

A materialização do plano sustentável pode ser observada na escolha dos locais de competição, que exigem, em sua maioria, apenas modernizações pontuais ou adaptações temporárias.

Milão (zona urbana)

  • San Siro (Estádio Giuseppe Meazza): palco da cerimônia de abertura, sem necessidade de construção de nova arena.
  • Fiera Milano Rho: centro de exposições adaptado temporariamente para patinação de velocidade e hóquei no gelo.
  • PalaItalia Santa Giulia: principal nova construção permanente, com financiamento privado e capacidade para cerca de 16 mil espectadores, projetada como arena multiuso no pós-Jogos.

Cortina d'Ampezzo (zona de montanha)

  • Olympia delle Tofane: tradicional pista de esqui alpino, em uso contínuo no circuito da Copa do Mundo.
  • Estádio Olímpico de Gelo: construído para os Jogos de 1956, será reformado para receber o curling, preservando o patrimônio histórico.

Val di Fiemme e Anterselva

  1. Predazzo: trampolins de salto de esqui existentes, com modernização técnica.
  2. Arena Alto Adige (Anterselva): centro de biatlo de referência internacional, com ajustes operacionais mínimos.

Verona

  1. Arena di Verona: anfiteatro romano com quase dois mil anos de história, escolhido para a cerimônia de encerramento como símbolo máximo da reutilização de patrimônio histórico.

Controvérsias e limites do discurso sustentável

Apesar do planejamento orientado à reutilização, o projeto não está isento de contradições. O principal ponto de debate envolve a reconstrução da pista de sliding Eugenio Monti, em Cortina d'Ampezzo, destinada às provas de bobsleigh, skeleton e luge.

Inicialmente, avaliou-se a realização dessas provas fora da Itália, em pistas já existentes, para evitar novos impactos ambientais. A decisão do governo italiano de reconstruir a pista histórica, com custo estimado em €118 milhões, gerou críticas de ambientalistas e do próprio COI, sobretudo pelo desmatamento necessário para a obra.

Outro desafio estrutural está ligado à gestão de neve artificial. As mudanças climáticas tornam a produção de neve indispensável, elevando o consumo de água e energia. Para mitigar esse impacto, a organização aposta em sistemas eficientes de bombeamento, reservatórios e reaproveitamento hídrico como condição para manter a certificação de sustentabilidade.

Curiosidades e singularidades de Milão-Cortina 2026

Milão-Cortina 2026 será a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno a incluir oficialmente o nome de duas cidades na nomenclatura do evento. A distância aproximada de 400 km entre Milão e Cortina torna esta uma das edições mais dispersas geograficamente da história.

O retorno de Cortina d'Ampezzo ao programa olímpico ocorre 70 anos após os Jogos de 1956, permitindo que a cidade reutilize não apenas infraestrutura, mas também capital simbólico e cultural daquela edição. O logotipo oficial, batizado de "Futura", foi escolhido por votação popular online, reforçando o engajamento digital e reduzindo a produção de materiais impressos durante a campanha.

Dentro do movimento olímpico, Milão-Cortina 2026 funciona como um laboratório em escala real. O desempenho do evento será decisivo para validar se o futuro dos megaeventos esportivos passa, de fato, pela reutilização inteligente de infraestrutura, logística eficiente e adaptação racional aos recursos já disponíveis.

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