Grêmio 0 x 3 Corinthians no Brasileirão 1999; 'amasso' de Marcelinho e Luizão no Olímpico
Em noite inspirada, Timão atropela o Tricolor Gaúcho em Porto Alegre.

O final do século XX testemunhou a consolidação de um dos esquadrões mais espetaculares da história do futebol paulista e nacional. Na noite daquela quarta-feira, 3 de novembro de 1999, o Estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre, abriu seus portões para um dos clássicos interestaduais mais aguardados da primeira fase da competição. O Corinthians, atual campeão brasileiro e vivendo o auge de seu entrosamento técnico sob o comando do técnico Oswaldo de Oliveira, desembarcou em solo gaúcho focado em consolidar sua força tática rumo ao bicampeonato. O Grêmio, dirigido por Cláudio Duarte, apostava no fator local e na genialidade do jovem garoto Ronaldinho Gaúcho (registrado na época como Ronaldinho) para conter os visitantes. No entanto, o que se viu em campo foi uma das exibições mais acachapantes daquela temporada. O histórico placar de Grêmio 0 x 3 Corinthians no Brasileirão 1999 transformou-se em um verdadeiro monólogo alvinegro, um autêntico "amasso" tático liderado por Marcelinho Carioca e Luizão.
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A engrenagem alvinegra e o panorama de Grêmio 0 x 3 Corinthians no Brasileirão 1999
O apito inicial do experiente árbitro Antônio Pereira da Silva deu largada a um embate onde o Corinthians não tomou conhecimento do mando de campo adversário. Oswaldo de Oliveira mandou a campo a sua icônica formação titular, contando com a segurança de Dida sob as traves, a solidez de João Carlos e Nenê na zaga, e a genialidade de um meio-campo inesquecível composto por Freddy Rincón, Vampeta (com Edu atuando na contenção nesta partida) e Ricardinho. A proposta corinthiana era clara: asfixiar a saída de bola gaúcha e ditar o ritmo técnico através da troca de passes curtos e rápidos. O Grêmio, com uma linha defensiva formada por Scheidt e Ronaldo Alves, sofria demasiadamente para conter a flutuação do ataque paulista.
A facilidade com que o Corinthians controlava as ações táticas na intermediária deixava a marcação de Fabinho e Gavião totalmente exposta. Marcelinho Carioca, o "Pé de Anjo", flutuava com liberdade pelas pontas e organizava os lances de perigo ao lado do velocista Edílson "Capetinha". O primeiro golpe do Timão na partida nasceu de uma jogada de bola parada, uma das principais especialidades daquele elenco. O defensor Nenê apareceu de forma surpreendente na área ofensiva e finalizou com precisão para vencer o goleiro Sílvio, inaugurando o marcador e calando os 20.416 torcedores gremistas presentes nas arquibancadas do Estádio Olímpico. O gol deu ao Corinthians o controle emocional completo do confronto.
O show tático de Marcelinho Carioca e o faro de gol de Luizão
Se o primeiro tempo terminou com a vantagem mínima e o controle nas mãos dos paulistas, a etapa complementar reservou o ápice do futebol ofensivo da equipe de Oswaldo de Oliveira. O Corinthians voltou do vestiário disposto a liquidar a fatura e não dar margem para qualquer tipo de reação do Grêmio. Ronaldinho Gaúcho tentava criar jogadas individuais e acionar Rodrigo Gral, mas esbarrava no desarmamento implacável efetuado por Índio e Augusto pelas alas corinthianas. Aos poucos, a superioridade técnica do Timão transformou-se em mais gols que desenharam o placar elástico e incontestável.
O segundo gol da noite foi uma obra-prima de entrosamento. Em uma transição rápida iniciada por Ricardinho, a bola foi trabalhada até encontrar Marcelinho Carioca. Com a categoria que o consagrou como um dos maiores ídolos da história do clube, o camisa 7 estufou as redes do Olímpico, ampliando a vantagem para 2 a 0. O golpe de misericórdia veio dos pés do artilheiro Luizão. Demonstrando o seu tradicional faro de gol e posicionamento impecável dentro da grande área, o centroavante aproveitou uma jogada bem estruturada por Edílson para desferir um arremate certeiro e assinar o terceiro tento do Corinthians no jogo Grêmio 0 x 3 Corinthians no Brasileirão 1999, transformando a partida em um passeio técnico.
A administração inteligente do resultado e as mexidas de Oswaldo
Com o placar amplamente assegurado e os três pontos garantidos na bagagem, o técnico Oswaldo de Oliveira passou a valorizar a posse de bola de forma inteligente, fazendo o tempo passar sob os gritos entusiasmados de sua torcida. Ele aproveitou o cenário confortável para rodar a estrutura do time e poupar suas principais referências físicas para a sequência exaustiva do campeonato. O comandante promoveu a entrada do volante Marcos Senna na vaga de Marcelinho Carioca, colocou o experiente atacante Dinei no lugar de Edílson e acionou Gilmar no meio-campo na vaga de Edu. As substituições mantiveram o nível de intensidade elevado, impedindo o Grêmio de esboçar qualquer reação.
Cláudio Duarte tentou oxigenar o ataque gaúcho promovendo as entradas dos atacantes Macedo e Luís Carlos Goiano, mas a desorganização tática e o abatimento psicológico da equipe da casa eram evidentes. Cada tentativa de avanço tricolor parava na muralha montada por João Carlos ou na segurança inabalável do goleiro Dida, que realizava intervenções tranquilas quando acionado. O apito final sacramentou um triunfo maiúsculo que ecoou em todo o país.
O impacto da goleada histórica na caminhada rumo ao título de 1999
A vitória categórica em Porto Alegre teve repercussões imediatas na tabela de classificação e no moral dos principais postulantes ao título nacional. Para o Corinthians, o triunfo por 3 a 0 em um dos palcos mais difíceis do futebol brasileiro serviu para referendar o favoritismo absoluto da equipe, provando que o grupo possuía o estofo, a maturidade emocional e a variação tática necessários para erguer a taça. A exibição de gala de Marcelinho e Luizão foi amplamente exaltada pela imprensa esportiva da época, que apontava o Timão de 1999 como um dos times mais dominantes e vistosos da era moderna do esporte no Brasil.
Para o Grêmio, o revés contundente em casa diante de sua torcida expôs a necessidade de ajustes urgentes na transição defensiva e na cobertura dos laterais Zé Carlos e Róger. O time gaúcho dependia excessivamente do talento precoce de Ronaldinho, pecando pela falta de uma engrenagem coletiva capaz de competir contra um adversário tão qualificado. O histórico confronto de 1999 permanece guardado com extremo carinho na memória afetiva dos torcedores corinthianos como o sinônimo perfeito de superioridade coletiva e brilho individual, uma noite de gala onde o Corinthians jogou por música e silenciou o Estádio Olímpico Monumental.
Ficha técnica - Grêmio 0 x 3 Corinthians no Brasileirão 1999
- Data: 03 de Novembro de 1999 (Quarta-feira)
- Horário: 21h30 (de Brasília)
- Local: Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre (RS)
- Competição: Campeonato Brasileiro 1999 (Primeira Fase)
- Árbitro: Antônio Pereira da Silva
- Público: 20.416 torcedores
- Renda: R$ 79.153,00
Gols:
- Corinthians: Nenê, Marcelinho Carioca e Luizão
Escalações:
GRÊMIO:
Sílvio; Zé Carlos, Ronaldo Alves, Scheidt e Róger; Fabinho, Gavião (Luís Carlos Goiano), Cleison e Ronaldinho Gaúcho; Rodrigo Gral e Magrão (Macedo). Técnico: Cláudio Duarte.
CORINTHIANS:
Dida; Índio, João Carlos, Nenê e Augusto; Freddy Rincón, Edu (Gilmar), Ricardinho e Marcelinho Carioca (Marcos Senna); Edílson (Dinei) e Luizão. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

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