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Como é calculado o tempo de acréscimo? Entenda o critério oficial da arbitragem

Árbitro considera tempo "perdido" durante o jogo. Entenda como juíz faz cálculo.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 06/04/2026
07:19
Tempo de acréscimo: quanto o árbitro deve dar?
imagem cameraÁrbitro marca o tempo em campo: o cálculo do acréscimo é feito a partir de sua observação e do auxílio do quarto árbitro. (AFP)

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O tempo de acréscimo é adicionado pelo árbitro para compensar paralisações durante a partida.
O árbitro usa uma 'estimativa qualificada' para calcular o acréscimo, sem uma fórmula exata publicada.
Acréscimos podem ser aumentados durante as paradas, e o número exibido é o mínimo a ser adicionado.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

No futebol, 45 minutos por tempo viraram um conceito icônico, mas a arbitragem sabe que esse número raramente corresponde ao tempo real de jogo. É por isso que existe o tempo de acréscimo: o período extra que o árbitro adiciona ao fim de cada tempo para compensar paralisações. Esse acréscimo não é um "chute" ao relógio, mas sim uma tentativa de recuperar parte do tempo perdido com pausas que, em regra, não deveriam existir. A forma como ele é calculado segue diretrizes da Lei 7 – A duração da partida, da IFAB, implementadas pela CBF e outras federações. O Lance! explica como é calculado o tempo de acréscimo.

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O texto oficial da Lei 7 estabelece que o árbitro é o único responsável por decidir o tempo de acréscimo, com base na perda de tempo que ele observou. Isso significa que, embora existam critérios, não há uma equação matemática obrigatória publicada para o público; a arbitragem trabalha com uma "estimativa qualificada" do tempo perdido, o que gera discussões, mas também flexibilidade para ajustar conforme o jogo.

Como é calculado o tempo de acréscimo?

O que a Lei 7 diz sobre o acréscimo

A Lei 7 confirma que o tempo de jogo deve ser de 90 minutos, divididos em dois tempos de 45 minutos, com possibilidade de acréscimos para compensar o tempo perdido. O livro de regras em português destaca que o árbitro deve somar "o tempo que considerar apropriado" para compensar interrupções, e que esse adicional é registrado por ele ou pelo quarto árbitro, geralmente exibido em placa eletrônica ao final de cada tempo.

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Ou seja, o acréscimo tem duas finalidades simultâneas:

  1. Compensar o tempo perdido com atraso de reposição de bola, substituições, lesões, atendimentos médicos e outros fatores.
  2. Disciplinar atraso deliberado, pois o árbitro sabe que, se uma equipe demorar para reposicionar, o tempo "perdido" será devolvido em forma de acréscimo.

Esse entendimento foi reforçado em circulares recentes da IFAB, que passaram a recomendar que árbitros apliquem acréscimos mais longos em jogos com muitas paralisações, para aumentar o tempo útil de jogo.

Principais fatores que entram no cálculo

Ao longo do tempo, diretrizes oficiais e textos de interpretação consolidaram uma lista de situações normalmente consideradas pelo árbitro. O acréscimo é, portanto, uma soma aproximada desses elementos:

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  1. Substituições: cada troca consome alguns segundos, e o tempo de espera até o substituto entrar, se o substituído demorar para sair, é levado em conta.
  2. Lesões e atendimentos médicos: o tempo de atenção ao jogador no campo, entrada de ambulância, retirada de maca, recolocação de bolas etc.
  3. Atrasos de reposição: demora para voltar com a bola, jogadores "andando" com a bola, discussões no campo, comemorações longas.
  4. Revisão pelo VAR: em jogos com vídeo, o tempo gasto em revisões de jogadas fica registrado e tende a ser parcialmente compensado em acréscimo.
  5. Perda de tempo deliberada ("fazer cera"): se o árbitro entende que a equipe está propositadamente retardando o jogo, ele pode aumentar o acréscimo, além de advertir jogadores com cartão amarelo.

Há ainda o tempo de deslocamento do árbitro e do quarto árbitro entre o campo e o banco de reserva, bem como outros atrasos que o juiz registre mentalmente. O resultado final é um número arredondado (1, 2, 3, 4, 5 minutos ou mais), que o quarto árbitro exibe em placa.

Como o árbitro decide o número de minutos

Na prática, o árbitro não soma segundo a segundo, mas faz uma estimativa qualificada do tempo perdido, normalmente com auxílio do quarto árbitro, que costuma marcar em um cronômetro próprio ou em anotações. Ao final de cada tempo, o juiz comunica ao quarto árbitro: "Adicione X minutos".

É importante lembrar que esse número exibido na placa é o tempo mínimo que será adicionado. Se, durante o acréscimo, ocorre outra interrupção relevante (lesão, substituição, VAR, etc.), o árbitro pode acrescentar mais algum tempo além daquele que já estava indicado. É por isso que, em alguns jogos, o relógio passa, por exemplo, dos 48 minutos marcados na placa, chegando a 49, 50 ou até mais, gerando polêmica quando o gol é marcado nesse "acréscimo do acréscimo".

Muitos jogos modernos, sobretudo com VAR e mais substituições, já mostram acréscimos de 3, 4, 5 ou até 6 minutos, como ocorreu na média de acréscimos da primeira rodada de Campeonatos nacionais recentes. A ideia da IFAB é, justamente, recuperar esses minutos de tempo de jogo perdido nas paralisações.

Acréscimo no tempo extra (prorrogação)

A lógica também vale para a prorrogação, ou seja, os dois tempos de 15 minutos extras em jogos eliminatórios ou decisões que terminam empatados. Cada um dos 15 minutos de prorrogação pode ter seu próprio acréscimo, de acordo com as mesmas regras:

  • O árbitro pode adicionar alguns minutos ao fim de cada período de 15 (1º e 2º tempo da prorrogação) para compensar lesões, substituições, VAR, perda de tempo, etc.
  • O placar de prorrogação, portanto, pode chegar a 16, 17, 18 minutos ou mais em cada tempo, ainda que o regulamento oficial fale apenas em 15 minutos iniciais.

Ou seja, o cálculo do acréscimo segue o mesmo critério em qualquer fase da partida: observar, anotar as paralisações e devolver ao jogo, de forma aproximada, o tempo de futebol que foi roubado por interrupções.

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