A regra da paradinha no pênalti: o que é permitido e o que gera cartão amarelo
A Lei 14 permite fintas durante a corrida, mas pode punir a paradinha.

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No futebol moderno, a "paradinha" em cobrança de pênalti virou tema recorrente de debate entre torcedores, comentaristas e árbitros. A dúvida principal é simples: até onde o batedor pode enganar o goleiro sem cometer infração? A resposta está na Lei 14 – Tiro Penal, que diferencia a finta permitida durante a corrida daquela parada brusca já ao lado da bola, considerada atitude antidesportiva. Em outras palavras, existe uma paradinha legal e outra que gera cartão amarelo e pode anular o gol. O Lance! explica a regra da paradinha no pênalti.
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A regra parte de uma ideia básica: o cobrador pode tentar enganar o goleiro, mas não pode transformar a batida em um teatro que desequilibre completamente a disputa. Por isso, a Lei 14 admite fintas (mudança de ritmo, pequenas pausas) enquanto o jogador ainda está correndo para a bola, mas proíbe a finta que simula o chute depois que a corrida foi concluída, com o pé praticamente ao lado da bola. Esse detalhe de tempo e localização da paradinha é o que define se o árbitro manda seguir o lance ou aplica a punição.
A regra da paradinha no pênalti
O que a Lei 14 permite na paradinha
A redação em português da Lei 14, nas Regras do Jogo, deixa claro que a finta faz parte do futebol. Em versões e materiais oficiais de arbitragem, o espírito da regra é descrito assim:
"Fazer fintas durante a corrida para executar um tiro penal, para confundir o adversário, é permitido e faz parte do futebol."
Na prática, isso significa que o batedor pode:
- Mudar o ritmo da corrida (acelerar, desacelerar, dar uma "quebrada" de velocidade ainda em movimento).
- Dar uma pequena pausa, ainda em deslocamento, antes de chutar, desde que o corpo não esteja completamente parado ao lado da bola.
- Usar o corpo, o olhar e a cadência de passos para enganar o goleiro, desde que tudo isso aconteça dentro de uma corrida contínua.
Enquanto a finta estiver integrada à corrida, a arbitragem entende que se trata de recurso legítimo do cobrador. O lance é validado normalmente e, se a bola entrar, o gol é confirmado.
O que é proibido e gera cartão amarelo
O problema começa quando a paradinha acontece depois que a corrida acabou. A Lei 14 considera infração a finta em que o batedor já chegou à bola, interrompe a ação e simula o chute sem tocar nela, esperando a queda do goleiro para só então finalizar. Nas orientações em português derivadas da regra, o entendimento é assim sintetizado:
"Ameaçar/fintar durante a corrida para cobrar um pênalti para confundir o adversário é permitido, mas ameaçar chutar a bola uma vez que o jogador completou a corrida é infração à Lei 14 e ato antidesportivo, pelo qual o jogador deve ser advertido (cartão amarelo)."
Isso engloba, por exemplo:
- O jogador que faz a corrida normal, chega ao lado da bola, para completamente, dá um "chute falso" (o movimento de perna enganando o goleiro) e só depois conclui a batida.
- O cobrador que, já posicionado para bater, dá um "tranco" seco, com a bola parada, apenas para fazer o goleiro se mexer e chuta em seguida.
Nessas situações, a paradinha é considerada ilegal e antidesportiva. As consequências são duas:
- O batedor recebe cartão amarelo por conduta antidesportiva.
- Se o gol for marcado, a cobrança não é validada: o árbitro anula o gol e reinicia o jogo com tiro livre indireto para a equipe defensora no ponto do pênalti.
Se o goleiro praticar também uma infração (como adiantar-se muito antes da batida), as diretrizes modernas da arbitragem determinam que se puna primeiro a irregularidade do cobrador: a paradinha ilegal prevalece sobre o adiantamento, justamente por ser o ato antidesportivo mais grave no lance.
Diferença entre finta legal e paradinha ilegal
Na prática de campo, a linha que separa o permitido do proibido está em dois critérios principais:
- Momento da finta:
- Se é durante a corrida, com o jogador ainda se deslocando em direção à bola, tende a ser considerada legal.
- Se é após o fim da corrida, com o atleta já plantado ao lado da bola, simulando o chute, caracteriza infração.
- Natureza do movimento:
- Mudanças de ritmo e pequenos "trancos" integrados ao deslocamento são aceitos como finta legítima.
- O "chute falso" com o corpo parado ao lado da bola é visto como enganar de forma desproporcional o goleiro, ferindo o espírito da competição leal.
Em termos didáticos, dá para resumir assim:
- Pode: paradinha ainda em movimento, dentro da corrida, com mudança de ritmo.
- Não pode: parada brusca já na frente da bola, com finta de chute sem tocar nela.
Por que a regra existe e como o VAR entra na história
A regra da paradinha foi endurecida pela FIFA e pela IFAB quando se entendeu que alguns cobradores estavam transformando o pênalti em um confronto quase impossível para o goleiro. A ideia da Lei 14 é manter o equilíbrio mínimo entre batedor e arqueiro: o cobrador continua tendo vantagem, mas não pode usar um truque que torne a defesa praticamente impraticável.
Com o VAR, a aplicação da regra ficou ainda mais visível. Em pênaltis decisivos, a arbitragem pode rever:
- Se o cobrador fez apenas uma finta de ritmo normal.
- Se houve, de fato, a parada antidesportiva já ao lado da bola.
Em qualquer um dos casos, a base da decisão continua sendo o texto da Lei 14: finta na corrida é parte do jogo; paradinha após a corrida, simulando o chute, é infração, cartão amarelo e, se necessário, anulação do gol.
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