Apelidos dos times do Brasileirão: de ofensa a orgulho na arquibancada
Conheça os principais apelidos dos clubes da Série A e suas origens.

No futebol brasileiro, os apelidos dos clubes vão muito além da zoeira. Eles nascem de provocações, episódios históricos, características regionais e até de decisões de marketing, mas acabam virando uma espécie de "nome de guerra" das torcidas. Em vez de tratar o clube apenas pelo nome oficial, o torcedor escolhe gritar "Galo", "Porco", "Timão", "Peixe", "Imortal", "Leão" – e cada uma dessas palavras carrega décadas de história e identidade. O Lance! apresenta os apelidos dos times do Brasileirão.
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Em muitos casos, o apelido começou como ofensa, jogado pela torcida rival em tom de deboche. Com o tempo, porém, a própria torcida abraçou o xingamento, ressignificou o símbolo e transformou o que era provocação em motivo de orgulho. Foi assim com o Porco, do Palmeiras, e com o Urubu, do Flamengo, hoje dois dos mascotes mais fortes do país.
Em outros clubes, o apelido é uma extensão natural da identidade: o Peixe, do Santos, ligado ao mar; o Colorado, do Internacional, ligado à cor vermelha; o Imortal, do Grêmio, ligado à ideia de que o time "não morre nunca" em campo.
Na edição de 2025 do Brasileirão, os apelidos ganharam um tempero extra: a presença de diversos Leões na elite – Fortaleza, Sport, Vitória e Mirassol – fez torcedores e imprensa batizarem o campeonato de "Brasileirão dos Leões".
A seguir, veja como provocações viraram bandeiras, como a geografia virou símbolo e quais são os apelidos mais usados dos clubes da Série A 2025.
Quando o xingamento vira bandeira: Porco, Urubu e outros casos
Alguns dos apelidos mais fortes do futebol brasileiro nasceram como insultos e foram "tomados de volta" pela própria torcida.
O Porco palmeirense
Por décadas, rivais usaram "porco" de forma pejorativa para atacar o Palmeiras e seus torcedores, especialmente a partir do fim dos anos 1960. O termo tinha forte carga ofensiva, mas a virada começou nos anos 1980. Em 1986, o diretor de marketing João Roberto Gobbato incentivou a torcida a assumir o apelido, e a imagem do meia Jorginho Putinatti posando com um porco na capa da revista Placar virou símbolo dessa transformação.
A partir dali, o "Porco" deixou de ser xingamento e passou a ser orgulho. Hoje, o Porco Gobbato é mascote oficial do clube, ao lado do Periquito.
O Urubu rubro-negro
Com o Flamengo, a história é semelhante – e ainda mais carregada de tensão social. Rivalidades no Rio transformaram "urubu" em ofensa associada à torcida rubro-negra, majoritariamente popular e negra. Em 1º de junho de 1969, um grupo de flamenguistas decidiu virar o jogo: levou um urubu ao Maracanã e soltou a ave antes de um clássico, com o Flamengo vencendo a partida. A partir desse episódio, o animal, antes usado de forma racista, tornou-se símbolo de orgulho e resistência da Nação.
Outros exemplos de ressignificação
- Peixe (Santos) – embora tenha relação direta com a cidade litorânea de Santos, o termo também foi usado por rivais em tom de deboche. A torcida santista abraçou a alcunha, que hoje é um dos apelidos mais fortes do futebol brasileiro.
- Time do Povo (Corinthians) – reforça a identidade popular corintiana, muitas vezes usada primeiro como rótulo pela imprensa e por rivais antes de ser incorporada com orgulho pela Fiel.
Em todos esses casos, a lógica é a mesma: o que nasce como provocação acaba virando emblema de pertencimento e de força da torcida.
Apelidos nascidos da história, da cidade e das cores
Nem todo apelido nasce de briga. Muitos são extensão natural da história do clube, da sua cidade ou das cores do uniforme.
- Galo (Atlético-MG): virou símbolo oficial do clube principalmente a partir dos anos 1970, representando raça, coragem e identificação com o torcedor atleticano.
- Peixe (Santos): ligado diretamente à cidade portuária e à relação com o mar; o Santos é o clube da praia, do porto e da cultura caiçara.
- Colorado (Internacional): vem da cor vermelha da camisa e é a forma apaixonada de se referir ao clube de Porto Alegre.
- Imortal (Grêmio): embora a origem do termo remonte aos anos 1950 e ao hino de Lupicínio Rodrigues, o apelido ganhou força na cultura recente com jogos épicos, como a Batalha dos Aflitos, em 2005, reforçando a ideia de que o time "não morre nunca".
- Gigante da Colina (Vasco): referência à localização histórica de São Januário, construído em uma colina em São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
- Esquadrão de Aço (Bahia): apelido ligado à força do time tricolor em grandes campanhas históricas.
Esses nomes sintetizam identidade: bastam duas ou três sílabas para remeter a um universo de memórias, conquistas e símbolos que vão além do escudo.
Apelidos dos times do Brasileirão 2025
(ordem alfabética)
Abaixo, os principais apelidos dos clubes do Brasileirão 2025, em ordem alfabética, como são usados nas arquibancadas, na imprensa e no dia a dia do torcedor:
- Atlético-MG: Galo
- Bahia: Esquadrão de Aço, Tricolor de Aço
- Botafogo: Glorioso, Fogão
- Bragantino: Massa Bruta, Toro Loko
- Ceará: Vozão
- Corinthians: Timão, Time do Povo
- Cruzeiro: Raposa, Cabuloso
- Flamengo: Mengão, Urubu, Rubro-Negro
- Fluminense: Tricolor das Laranjeiras, Flu
- Fortaleza: Leão, Leão do Pici, Laion
- Grêmio: Imortal, Tricolor Gaúcho
- Internacional: Colorado, Inter
- Juventude: Juve, Papo, Alviverde
- Mirassol: Leão, Leão da Alta Araraquarense (estreante na elite)
- Palmeiras: Verdão, Porco
- Santos: Peixe, Alvinegro Praiano
- São Paulo: Tricolor Paulista, Soberano
- Sport: Leão, Leão da Ilha
- Vasco: Gigante da Colina, Vascão
- Vitória: Leão da Barra, Nego
Essa combinação de apelidos evidencia como o Brasileirão reúne identidades regionais, símbolos históricos e personagens populares em um único campeonato.
"Brasileirão dos Leões": quando o felino domina a elite
A edição de 2025 do Campeonato Brasileiro ganhou uma marca curiosa: a forte presença de clubes que têm o Leão como mascote e apelido principal.
Quatro clubes da Série A compartilham o felino como símbolo central:
- Fortaleza – Leão / Leão do Pici / Laion
- Sport – Leão / Leão da Ilha
- Vitória – Leão da Barra / Nego
- Mirassol – Leão / Leão da Alta Araraquarense
No caso do Mirassol, o apelido ainda carrega o contexto de 2025: o clube é estreante na elite, vive grande campanha e rapidamente se firmou como "Leão" também no imaginário nacional, não só regional.
A soma desses quatro "Leões" – presentes em diferentes regiões do país (Nordeste e interior paulista) – fez com que torcedores e veículos de mídia apelidassem a temporada de "Brasileirão dos Leões". A cada rodada, não é raro ver manchetes com "duelo de leões", "clássico leonino" ou "Leão da Ilha x Leão do Pici", reforçando a força desse símbolo na cultura do nosso futebol.
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