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A história de Teleco no Corinthians: jogos, gols e estatísticas

Centroavante imortalizou a camisa alvinegra nos anos 1930.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 06/04/2026
07:42
Teleco em ação pelo Corinthians: atacante foi o principal nome do histórico tricampeonato paulista conquistado entre 1937 e 1939. (Reprodução)
imagem cameraTeleco em ação pelo Corinthians: atacante foi o principal nome do histórico tricampeonato paulista conquistado entre 1937 e 1939. (Reprodução)

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Teleco, centroavante do Corinthians, é o único jogador a marcar mais gols (257) do que partidas (250) na história do clube.
Ele teve uma média de 1,02 gol por jogo, superando Pelé (0,93).
Teleco foi o goleador máximo do Campeonato Paulista em cinco ocasiões e conquistou quatro títulos estaduais entre 1937 e 1941.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

No universo estatístico do futebol brasileiro, poucas marcas sobrevivem à passagem do tempo e à modernização do esporte. Ubaldo Miranda, que entrou para a história do Corinthians sob o apelido de Teleco, é dono de um desses recordes absolutos e inalcançáveis. O centroavante que comandou o ataque alvinegro nas décadas de 1930 e 1940 ostenta até hoje o título de único jogador da centenária história corintiana a marcar mais gols do que o número de partidas disputadas pelo clube. O Lance! relembra a história de Teleco no Corinthians.

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Com faro artilheiro letal e uma acrobacia característica que enlouquecia os defensores, Teleco foi o rosto de uma era hegemônica do Corinthians no cenário estadual. Seus números assombrosos não apenas garantiram taças, mas também ajudaram a moldar a mística do clube de Parque São Jorge como uma potência ofensiva no início da sua era de consolidação popular.

A chegada ao Parque São Jorge

O caminho de Teleco até o Corinthians começou a ser pavimentado longe de São Paulo. Nascido no Paraná, o atacante defendia as cores do modesto Britânia-PR quando chamou a atenção do cenário nacional. O grande salto aconteceu durante a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções de 1933, torneio que servia como a principal vitrine do futebol brasileiro na época. O desempenho do jogador pela seleção paranaense impressionou os dirigentes corintianos, que não hesitaram em buscar sua contratação no ano seguinte.​

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A aterrissagem em São Paulo, em 1934, foi seguida por um impacto imediato. Teleco não demorou a assumir a condição de titular absoluto do comando de ataque. Foi nesse período que o torcedor alvinegro foi apresentado à sua jogada de assinatura: a "virada". O movimento consistia em receber a bola de costas para a marcação, saltar e girar o corpo em pleno ar para emendar um chute indefensável, uma espécie de precursora plástica do voleio que apavorou os goleiros paulistas por uma década.

Os números de Teleco no Corinthians

O peso de Teleco na história do Corinthians pode ser perfeitamente mensurado pela frieza dos números. Durante sua passagem pelo clube, que durou de 1934 até 1944, o centroavante entrou em campo em exatamente 250 partidas oficiais. O retrospecto foi amplamente vitorioso, mas é a coluna dos gols marcados que transforma o atacante em uma lenda do esporte nacional: foram 257 bolas na rede com a camisa corintiana.​

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Esse montante garante a Teleco a posição de terceiro maior artilheiro de toda a história do Corinthians. No ranking centenário do clube, ele fica atrás apenas de Cláudio, o Gerente, que anotou 306 gols, e do Cabeça de Ouro Baltazar, que somou 270. No entanto, Teleco supera ambos em um critério específico e assombroso.

A maior média da história

A marca de 257 gols em 250 jogos resulta em uma média astronômica de 1,02 gol por partida. Para fins de comparação, o próprio departamento de comunicação e história do Corinthians frequentemente destaca que essa eficiência ofensiva supera a média de gols por jogo de Pelé em toda a sua carreira (0,93). Teleco é, de forma incontestável, o atacante mais letal que já vestiu o manto alvinegro em proporção ao tempo que esteve em campo.

Teleco, o rei da artilharia no Paulistão

Se o Campeonato Paulista era a competição mais valorizada do país na primeira metade do século XX, Teleco era o seu soberano absoluto. O faro de gol do centroavante transformou a disputa pela artilharia estadual em um monólogo durante anos seguidos. Ele encerrou a principal competição de São Paulo como o goleador máximo em cinco oportunidades diferentes.​

A sequência impressionante de artilharias começou em 1935, com 9 gols, e seguiu em 1936 (28 gols) e 1937 (15 gols). Após um breve hiato, Teleco voltou a sobrar em 1939, anotando 32 gols, e fechou sua coroa estadual em 1941, balançando as redes 26 vezes. Nenhum outro jogador em toda a história do Corinthians conseguiu ser artilheiro do Campeonato Paulista tantas vezes.

Outra marca impressionante que ilustra o poder de fogo de Teleco ocorreu em 1937. Em uma goleada histórica por 8 a 1 sobre o Santos, ele marcou cinco vezes. Esse feito o coloca ao lado de Fernando Baiano (que repetiu a dose em 1999) como os únicos atletas da história do clube a anotar cinco gols em um único clássico oficial.

Os títulos e a era de ouro

As estatísticas de Teleco não serviram apenas para recordes individuais, elas foram a fundação de uma era de ouro para o Corinthians. O centroavante comandou o clube na conquista de quatro títulos do Campeonato Paulista. O primeiro deles veio em 1937, abrindo caminho para uma das sequências mais celebradas pela torcida alvinegra em toda a sua existência.

Comandado pelos gols incessantes do seu camisa 9, o Corinthians emendou as taças de 1938 e 1939, consolidando um histórico e inesquecível tricampeonato estadual. O último título de Teleco pelo clube viria em 1941, reafirmando a hegemonia daquela geração sobre os rivais paulistas e fechando o ciclo de troféus do maior artilheiro da década.

O drama da Seleção Brasileira

O talento de Teleco era tão desproporcional para o cenário estadual que sua convocação para a Seleção Brasileira era tida como certa na década de 1930. Ele era, por aclamação, o melhor centroavante do país e o nome natural para vestir a camisa do Brasil na Copa Roca de 1937 e, principalmente, na Copa do Mundo de 1938, disputada na França.​

No entanto, o destino e a burocracia impediram que o artilheiro desfilasse sua categoria nos gramados europeus. Teleco não possuía passaporte e estava com a documentação pessoal irregular, o que o impossibilitou de viajar com a delegação para a disputa do Mundial de 1938. A ausência frustrou o torcedor brasileiro, mas, paradoxalmente, manteve o foco do jogador exclusivamente no Corinthians, onde continuaria empilhando gols.​

A jornada de Ubaldo Miranda pelo Parque São Jorge chegou ao fim em 1944. Quando deixou o clube para encerrar a carreira, ele já não era apenas um jogador de futebol; era uma entidade estatística. A história de Teleco no Corinthians permanece como o maior atestado de letalidade de um centroavante no futebol brasileiro, um recorde de 1,02 gol por jogo que, quase um século depois, segue reinando intocável nos livros de história do esporte.

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