A história de Sócrates no Corinthians; jogos, gols e estatísticas
O líder de uma era transformadora e o cérebro da Democracia Corinthiana.

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Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira ocupa um lugar singular na história do Corinthians e do futebol brasileiro. Mais do que um grande jogador, foi um personagem que uniu futebol, pensamento crítico e liderança social em um mesmo corpo. O Lance! conta a história de Sócrates no Corinthians.
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Entre 1978 e 1984, Sócrates foi o eixo técnico, simbólico e político do Corinthians. Atuando como meio-campista avançado, organizador e finalizador, conduziu o time em um período de reconstrução esportiva e afirmação institucional, tornando-se o rosto mais visível da Democracia Corinthiana.
Sua influência ia além do campo. Dentro das quatro linhas, ditava o ritmo do jogo; fora delas, representava um novo modelo de atleta, consciente, articulado e protagonista das próprias decisões.
A história de Sócrates no Corinthians
Jogos e números de Sócrates pelo Corinthians
Os números de Sócrates pelo Corinthians impressionam tanto pelo volume quanto pela eficiência, especialmente para um jogador de meio-campo:
- Jogos pelo Corinthians: 298
- Gols marcados: 172
- Assistências: 59
- Participações diretas em gols: 231
Todos os seus jogos pelo clube foram como titular, um dado que reforça sua condição de peça central no time durante toda a passagem. A média de participação direta em gols é elevada mesmo quando comparada a atacantes da época.
No recorte de resultados, o Corinthians de Sócrates obteve:
- Vitórias: 153
- Empates: 90
- Derrotas: 55
Esses números ajudam a explicar por que, mesmo em um período de transição do clube, o Corinthians se manteve competitivo em nível estadual e nacional.
Artilharia, protagonismo e eficiência ofensiva
Sócrates encerrou sua passagem pelo Corinthians como o oitavo maior artilheiro da história do clube, marca expressiva para um meio-campista.
Durante seu período no Timão, foi o segundo maior artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 41 gols, ficando atrás apenas de centroavantes de referência da época. A capacidade de infiltração, o jogo aéreo refinado e a finalização precisa explicam essa produção ofensiva acima da média.
Seus gols frequentemente surgiam em momentos decisivos, especialmente em clássicos e partidas de alta pressão, reforçando sua imagem de jogador confiável nos jogos grandes.
Estreia, despedida e clássicos marcantes
A estreia de Sócrates pelo Corinthians aconteceu em 20 de agosto de 1978, em clássico contra o Santos Futebol Clube, no Morumbi, com empate por 1–1. Desde as primeiras atuações, destacou-se pela elegância técnica e leitura de jogo.
Sua última partida com a camisa alvinegra ocorreu em 10 de junho de 1984, em um amistoso contra o Santos-JA, em Kingston. O jogo marcou o encerramento de um ciclo que deixou marcas profundas na identidade do clube.
Entre esses dois momentos, Sócrates construiu uma relação intensa com a torcida, especialmente em clássicos paulistas, nos quais frequentemente assumia protagonismo técnico e emocional.
Do Botafogo de Ribeirão ao líder do Corinthians
Antes de chegar ao Corinthians, Sócrates já era visto como um fenômeno no Botafogo de Ribeirão Preto. Mesmo conciliando o futebol com o curso de medicina na USP, destacou-se como artilheiro e principal nome do time campeão da Taça Cidade de São Paulo de 1977.
A transferência para o Corinthians, em 1978, marcou o ponto de virada definitivo de sua carreira. Já formado em medicina, passou a se dedicar integralmente ao futebol, tornando-se rapidamente o principal jogador do elenco.
No Timão, formou parcerias ofensivas marcantes com Palhinha e Casagrande, além de liderar o time técnica e simbolicamente dentro de um contexto inédito de autogestão dos jogadores.
Reconhecimento internacional e a Seleção de 1982
O auge técnico de Sócrates coincidiu com sua afirmação internacional. Em 1982, foi eleito o 5º melhor jogador do mundo pela revista World Soccer, reconhecimento raro para atletas que atuavam fora da Europa.
Na Copa do Mundo de 1982, marcou gols contra URSS e Itália, sendo um dos líderes da Seleção Brasileira considerada por muitos como uma das melhores já formadas, apesar da eliminação precoce.
Também teve destaque na Copa América de 1983, quando o Brasil terminou com o vice-campeonato. Aos 30 anos, fez uma breve passagem pela ACF Fiorentina, levando seu futebol para o cenário europeu.
Títulos conquistados por Sócrates no Corinthians
Embora sua carreira não tenha sido marcada por um grande volume de títulos, as conquistas de Sócrates pelo Corinthians possuem forte peso simbólico e histórico.
Títulos oficiais
- Campeonato Paulista: 1979, 1982 e 1983
Torneios e taças
- Torneio Internacional Feira de Hidalgo (México): 1981
- Taça Cidade de Porto Alegre: 1983
Esses títulos representam um período em que o Corinthians voltou a ser competitivo e vencedor após anos de jejum, com Sócrates como principal líder técnico e símbolo de uma nova identidade do clube.
Legado histórico e simbólico no Corinthians
Sócrates deixou o Corinthians como um jogador que redefiniu o papel do meio-campista no clube. Uniu inteligência tática, capacidade ofensiva e liderança política em um contexto que ultrapassou o futebol.
Seu legado permanece associado à Democracia Corinthiana, à valorização do atleta como cidadão e à ideia de que o futebol pode ser espaço de reflexão, liberdade e protagonismo coletivo. Para o Corinthians, Sócrates não foi apenas um ídolo esportivo, mas um marco cultural e histórico.
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