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A história das cores do Grêmio: a transição do azul, preto e branco desde a fundação

Como influência europeia e crises esportivas moldaram a identidade tricolor.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 11/02/2026
07:08
Carlos Vinicius marcou o segundo gol do Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
imagem cameraAs cores do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense passaram por transformações até se consolidarem como tricolores. (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

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O Grêmio foi fundado em 15 de setembro de 1903 com as cores azul-celeste e havana.
A mudança para azul, preto e branco ocorreu por questões de praticidade e influência europeia.
O modelo de listras verticais tricolores foi adotado em 1928 e permanece até hoje.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

Quando o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense foi fundado em 15 de setembro de 1903, suas cores não eram as mesmas que hoje identificam o clube. A escolha inicial recaiu sobre azul-celeste e havana, uma tonalidade de marrom claro bastante comum no início do século XX. O Lance! conta a história das cores do Grêmio.

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A definição não foi casual. Em 30 de setembro de 1903, uma ata oficial estabeleceu que o uniforme seria:

  • camisa listrada em azul e havana
  • gravata branca
  • boné preto
  • calções e meias pretas

O havana simbolizava solidez, tradição e sobriedade, valores associados à elite esportiva da época e às raízes culturais de Porto Alegre.

A história das cores do Grêmio

Influência europeia e o paralelo com o Hamburgo

Desde sua origem, o Grêmio manteve forte inspiração europeia. Um dos clubes que serviram como referência para alguns fundadores foi o Hamburger SV, da Alemanha.

Curiosamente, o Hamburgo utilizava exatamente as cores azul, preto e branco — combinação que o Grêmio adotaria definitivamente anos depois. A coincidência ganharia contornos simbólicos em 1983, quando os dois clubes se enfrentaram na final da Copa Intercontinental, oito décadas após a fundação gremista.

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Embora não tenha sido uma cópia direta, a influência estética e institucional europeia ajudou a moldar as escolhas do clube nos primeiros anos.

A substituição do havana pelo preto

O primeiro grande ponto de inflexão ocorreu por necessidade prática. O tecido na cor havana era difícil de encontrar no comércio porto-alegrense do início do século XX, o que tornava a manutenção do uniforme cara e instável.

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Diante disso, o clube optou por substituir o havana pelo preto, cor mais acessível e já presente em outros elementos do uniforme. A mudança não foi imediata nem planejada como definitiva, mas acabou se impondo pela lógica do cotidiano.

Com isso, o Grêmio passou a trabalhar com três cores:

  • azul
  • preto
  • branco

Ainda sem padronização clara, mas já caminhando para a identidade que se consolidaria mais tarde.

Um processo longo de consolidação

A definição final das cores gremistas levou décadas e passou por diferentes experimentações. A evolução pode ser resumida em etapas claras:

  1. 1903: azul-celeste e havana (cores originais)
  2. Início do século XX: havana substituído por preto
  3. 1904: uniforme dividido metade azul, metade preto
  4. 1928: adoção das listras verticais azul, preto e branco
  5. 1946: azul-marinho passa a ser o tom principal
  6. 1954: preto oficializado como cor secundária
  7. 1979: consolidação definitiva do azul-marinho, preto e branco

O modelo de listras verticais tricolores, adotado em 1928, permanece até hoje como a principal marca visual do uniforme gremista.

O significado das cores tricolores do Grêmio

Com o passar do tempo, o clube passou a atribuir significados simbólicos às cores já consolidadas:

  • Azul-marinho: grandeza, seriedade e tradição
  • Preto: força, determinação e combatividade
  • Branco: paz, equilíbrio e lealdade esportiva

Esses significados não estavam presentes na fundação, mas foram sendo construídos à medida que o Grêmio se afirmava como instituição esportiva e cultural no Rio Grande do Sul.

A evolução do escudo em paralelo ao uniforme

O escudo do Grêmio acompanhou a evolução cromática do clube. Inicialmente simples, passou a adotar formato de bola de futebol nas décadas seguintes.

A transformação mais significativa ocorreu em 1963, quando uma comissão de diretores promoveu um redesenho que colocou o nome "Grêmio" em posição central e de destaque. Já nos anos 1980, foram incorporados contornos brancos e pretos, reforçando a identidade tricolor.

Assim como o uniforme, o escudo não nasceu definitivo, mas foi sendo ajustado conforme o clube consolidava sua imagem.

A bandeira e as restrições legais

A bandeira do Grêmio também refletiu esse processo evolutivo. Originalmente, era um estandarte com faixas horizontais em azul, preto e branco. Em 1918, adotou um formato inspirado na bandeira brasileira, substituindo o verde pelo azul.

Esse modelo foi utilizado até 1947, quando uma lei federal proibiu bandeiras de clubes que imitassem símbolos nacionais. A partir daí, o Grêmio adotou o modelo atual, surgido em 1963, com inspiração britânica, mas mantendo as cores tricolores.

Cores como afirmação identitária do Grêmio

As cores do Grêmio não evoluíram apenas por estética ou logística, mas também como resposta a contextos esportivos. Nos anos 1940, durante o domínio do Internacional com o chamado "Rolo Compressor", o Grêmio buscou reafirmar sua identidade através de seus símbolos e cores.

Décadas depois, nos anos 1970, a torcida organizada Coligay ampliou simbolicamente essa discussão ao transformar o Estádio Olímpico em um espaço de expressão e diversidade, cantando as sete cores do arco-íris — movimento que extrapolou, sem negar, o azul, preto e branco oficiais.

A história das cores gremistas, portanto, é também a história de adaptação, resistência e construção de identidade ao longo de mais de um século.

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