A história de Marcos no Palmeiras; jogos, gols e estatísticas
O goleiro que virou símbolo de fé alviverde e decidiu noites históricas.

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Marcos Roberto Silveira Reis ocupa um lugar singular na história do Palmeiras e do futebol brasileiro. Apelidado de "São Marcos" por defesas consideradas "milagrosas", ele se tornou um símbolo raro: um jogador amado inclusive por torcedores rivais, não apenas por qualidade técnica, mas por autenticidade, identificação e capacidade de decidir partidas sob pressão máxima. O Lance! conta a história de Marcos no Palmeiras.
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Sua trajetória no Palmeiras, entre 1992 e 2011, atravessou ciclos muito distintos do clube: da consolidação de títulos na década de 1990, passando por campanhas continentais marcadas por disputas de pênaltis, até anos de instabilidade e reconstrução. Em todas as fases, Marcos foi referência de liderança e de vínculo emocional com a torcida.
A carreira não se mede por gols, mas por impacto. No caso de Marcos, o impacto foi direto em noites históricas, especialmente em mata-matas onde um goleiro pode, sozinho, alterar o destino de um clube.
A história de Marcos no Palmeiras
Jogos e números de Marcos pelo Palmeiras
Os números de Marcos pelo Palmeiras são referência de longevidade e regularidade em alto nível:
- Jogos pelo Palmeiras: 533
- Vitórias: 257
- Empates: 146
- Derrotas: 130
Foram 20 temporadas vinculadas ao clube, com presença prolongada como titular em um período de grande exigência. A longevidade de Marcos ganha ainda mais peso quando se observa que ele atuou em diferentes formações de elenco, trocas de treinadores e mudanças profundas na estrutura do futebol brasileiro entre os anos 1990 e 2010.
A construção do "São Marcos": da base à titularidade
Marcos chegou ao Palmeiras ainda jovem, vindo do Lençoense, e estreou no time principal em 16 de maio de 1992, em amistoso contra a Esportiva Guaratinguetá, com vitória por 4–0. Em seguida, voltou ao sub-20 e participou do título do Paulista de Juniores.
O caminho até a titularidade foi gradual. Durante anos, foi reserva de Velloso e alternou participações pontuais, muitas vezes em função de suspensões ou lesões do titular. Em 1996, já teve um sinal claro do que viria a ser sua marca: em uma partida como titular, defendeu um pênalti, ainda antes de se tornar o goleiro principal do time.
A virada definitiva aconteceu em 1999, quando uma lesão de Velloso abriu espaço para Marcos na Libertadores. A partir dali, o Palmeiras encontrou não apenas um goleiro, mas um personagem de decisão.
1999: a Libertadores, os pênaltis e o auge da carreira
A campanha da Copa Libertadores de 1999 é o ponto mais alto da carreira de Marcos pelo Palmeiras. Na competição, ele consolidou a reputação de goleiro decisivo em mata-matas, principalmente em jogos de alta tensão.
Nas quartas de final, contra o Sport Club Corinthians Paulista, Marcos foi determinante nos dois jogos. Na ida, o Palmeiras venceu por 2–0 com várias defesas decisivas que impediram o rival de marcar. Na volta, com derrota pelo mesmo placar, a vaga foi decidida nos pênaltis — e Marcos defendeu a cobrança de Vampeta, conduzindo o Palmeiras à classificação.
Na semifinal, contra o River Plate, o goleiro evitou um placar mais largo na Argentina e sustentou o time vivo para a virada no jogo de volta. Na final, contra o Deportivo Cali, o Palmeiras confirmou o título também nos pênaltis, fechando uma trajetória que consolidou Marcos como o grande nome do torneio.
- Eleito o melhor jogador da Libertadores de 1999
- Reconhecido como revelação da competição
O especialista em pênaltis e o recorde de Marcos na Libertadores
Se há um traço estatístico que define Marcos, é seu desempenho em disputas por pênaltis e em penalidades durante partidas decisivas.
- Pênaltis defendidos na história da Libertadores: 11 (recorde)
- Defesas de pênalti na carreira: pelo menos 33
Esse tipo de desempenho não é apenas um dado bruto: ele altera campanhas inteiras. O Palmeiras, especialmente entre 1999 e 2001, viveu uma sequência de confrontos continentais em que a classificação passou repetidamente pelas mãos de Marcos.
Em 2000, por exemplo, voltou a ser decisivo em disputas por pênaltis na Libertadores, com defesas importantes contra Peñarol e, novamente, contra o Corinthians, incluindo a defesa na cobrança de Marcelinho Carioca que levou o Palmeiras a mais uma final continental.
Seleção Brasileira e a Copa do Mundo de 2002
Marcos também deixou marca definitiva na Seleção Brasileira:
- Jogos pela Seleção: 29
- Copa do Mundo de 2002: 7 jogos como titular, sem ser substituído
No Mundial do Japão e Coreia do Sul, foi peça de segurança em um sistema que combinava força defensiva, transição rápida e alto poder ofensivo. Sua atuação consolidou o status de goleiro decisivo em jogos grandes, agora no maior palco do futebol mundial.
Além da Copa do Mundo, também conquistou títulos com a Seleção, incluindo a Copa América de 1999 e a Copa das Confederações de 2005, reforçando a dimensão internacional de sua carreira.
Títulos conquistados por Marcos no Palmeiras
A trajetória de Marcos no Palmeiras é marcada por títulos em diferentes níveis e contextos, incluindo conquistas continentais, nacionais e estaduais.
Principais títulos oficiais
- Copa Libertadores da América: 1999
- Copa do Brasil: 1998
- Campeonato Brasileiro (Série A): 1993 e 1994
- Campeonato Paulista: 1993, 1994, 1996 e 2008
- Torneio Rio–São Paulo: 1993 e 2000
- Copa Mercosul: 1998
- Copa dos Campeões: 2000
- Campeonato Brasileiro (Série B): 2003
A Libertadores de 1999 é o título mais simbólico, tanto pelo ineditismo do troféu para o clube quanto pelo protagonismo de Marcos em mata-matas e disputas por pênaltis.
Outras conquistas e torneios
- Torneio Lev Yashin: 1994
- Copa Euro-América: 1996
- Taça Governador de Goiás: 1997
- Taça Maria Quitéria: 1997
- Troféu Naranja: 1997
- Taça Pedreira: 2002
- Troféu Aniversário de 100 Anos de Paulo Coelho Netto: 2002
- Taça 125 Anos do Corpo de Bombeiros: 2005
- Taça Osvaldo Brandão: 2009
A despedida e o legado palmeirense
Marcos encerrou sua carreira no Palmeiras em 18 de setembro de 2011, contra o Avaí, em empate por 1–1. Sua despedida simbolizou o fim de um ciclo de 20 anos de vínculo com o clube, marcado por longevidade rara e identificação total. Era o fim da história de Marcos no Palmeiras.
Seu legado vai além de títulos e estatísticas. Marcos representa um modelo de goleiro que decidiu campanhas, assumiu responsabilidades em momentos críticos e personificou uma relação direta com a torcida, transformando atuações em memória coletiva.
No Palmeiras, Marcos não é apenas um grande goleiro: é um capítulo inteiro da história do clube.
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