Zico comenta decisões recentes do Flamengo e revela bastidores do futebol
Em participação no Fut&Papo , o ídolo rubro-negro relembra bastidores da carreira

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O maior ídolo da história do Flamengo, Zico, participou do Fut&Papo, do Lance!, nesta segunda-feira (23), e abordou diversos temas — desde o cenário atual do clube até opiniões sobre Neymar, o título de 1987 e bastidores marcantes do futebol.
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Confira a entrevista completa do Zico no Fut&Papo
Críticas à gestão no Flamengo
Ao abordar o momento recente do Flamengo, Zico comparou a situação com episódios que viveu no próprio clube, citando mudanças no comando mesmo após conquistas importantes.
— Eu passei muito por isso, por essas mudanças. O Carpegiani ganhou tudo, assim como o Filipe Luís, mas quando não foi bem acabou sendo trocado. A torcida começou a reclamar, e a maneira como aconteceu é o que pegou todo mundo de surpresa.
O Galinho também criticou a forma como algumas decisões são conduzidas dentro do futebol, defendendo mais transparência com profissionais identificados com o clube.
— Pelo que o Filipe sempre foi, como torcedor e jogador, ele deveria ter sido chamado e informado: 'está acontecendo isso, isso'. Mas no futebol as decisões são de momento.
Zico ainda relembrou casos semelhantes, como o do ex-treinador Jayme de Almeida.
— Isso aconteceu com o Jayme também. Muitas vezes o treinador acaba sendo demitido sem nem saber direito o que está acontecendo.
Apesar das críticas, o ex-jogador destacou o alto nível de investimento do Flamengo e demonstrou confiança no trabalho atual.
— O Flamengo investe, tem investido e procura colocar um time à altura. Venceu muita coisa no ano passado, trouxe um cara muito bom. Que ele seja feliz, que consiga dar sequência ao trabalho, conquistar vitórias e títulos.

Filipe Luís como treinador
Zico também comentou sobre o potencial de Filipe Luís como treinador, destacando a dedicação do ex-lateral ao futebol.
— Eu acho que ele tem um grande conhecimento. Pode ser usado aqui ou na Europa. É um cara apaixonado por futebol, vive isso o tempo todo. Sai de férias e está vendo jogo. Eu até brinco com ele: 'vai viver, tomar um vinho'. Mas ele é totalmente focado nisso.
Campeão brasileiro de 1987: Flamengo ou Sport?
O ídolo do Flamengo também voltou a opinar sobre a polêmica envolvendo o título brasileiro de 1987.
— Do Flamengo, lógico. Tem um garoto de oito anos, de Santa Cruz, o Artur, que está nas redes fazendo o maior sucesso. Aí foi aquela coisa de quem é campeão. Então eu disse: 'deixa, porque o Flamengo é campeão'. Quem são os grandes times do futebol brasileiro? Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro. Doze. Aí tinha no campeonato o Santa Cruz, Bahia, Coritiba, se não me engano. Se você me disser quanto foi o resultado do Sport contra algum desses times, aí eu digo que o Sport foi campeão brasileiro. Não jogou com ninguém.
Neymar na Seleção
Sobre a Seleção Brasileira, Zico falou especificamente sobre a situação de Neymar e sua possível participação em uma Copa do Mundo.
— Não tem jogador melhor que ele. Eu acho que não tem jogador no Brasil com a qualidade dele. O problema é a sequência.
O ex-jogador destacou que a condição física será determinante para qualquer decisão.
— Acho difícil, a não ser que ele jogue uma sequência de jogos. Uma coisa é jogar bem, outra é jogar com frequência. Se a Copa fosse hoje, ele não tinha que estar. Claro que não. Se ele chegar ao médico hoje, a resposta seria que não tem condição.
Maradona foi o melhor da geração
Ao ser questionado sobre o melhor jogador de sua geração, Zico não teve dúvidas ao escolher o argentino Diego Maradona.
— Esse aí (Maradona) foi o melhor da minha geração, fácil. Sofria demais, marcações que hoje ninguém sofre mais. Apanhou muito. A gente não tinha esse negócio de 'bateu, caiu'. Se a gente pudesse seguir, ia embora, ia até onde desse.
Bastidores da Copa de 1998
Zico também relembrou um dos episódios mais marcantes da história das Copas: a convulsão de Ronaldo antes da final de 1998. O Galinho estava como auxiliar na comissão de Zagallo na campanha do vice-campeonato.
— Acabou o almoço, a gente ia ter um lanche às 16h45, porque o jogo era 20h45. Acabou o almoço por volta de 13h, mas eu não saí do refeitório. Ficaram eu, Gylmar Rinaldi e o Evandro, que era aquele cara de palestra motivacional, muito amigo do Parreira. Ficamos lá falando de Copa. Quando olhei para o relógio, já eram quase 16h. Quando estou passando pela rouparia, o Wendel me chama e fala: 'vai lá no quarto do Ronaldo que está acontecendo alguma coisa'. Passei lá, estavam o Ronaldo, o Roberto Carlos — estava branco, azul, amarelo — e o doutor Joaquim da Mata. Perguntei o que houve, e ele explicou que o Ronaldo teve convulsão. Olhei para o Ronaldo e falei: 'oi, Ronaldo, tudo bem?'. Ele me olhou e deitou. Tomei um susto e perguntei ao doutor, e ele disse: 'ele não sabe o que aconteceu'. Fui para o quarto, tomei banho e troquei de roupa. Quando voltei, 15 metros na minha frente estava o Ronaldo. Ele parou na minha frente e agiu como se estivesse aquecendo. Então eu disse: 'pô, Ronaldo, o jogo é 20h45, já está aquecendo?'. Ele respondeu: 'pô, Galinho, estou todo dolorido, não sei o que aconteceu, parece que levei uma surra na cama'. Quando acabou o jantar, o Joaquim da Mata já foi fazer o exame. Aconteceu a preleção do Zagallo, já com o Edmundo. O ambiente no ônibus, já no caminho para o estádio, era de alguns saberem e outros não.
Talento x treinamento
O Galinho também refletiu sobre o peso do talento e do treinamento em sua carreira.
— O treinamento potencializa o talento. Você recebe algum dom, agora o treinamento te faz crescer. Talvez, se eu não tivesse feito os treinamentos que fiz, não chegaria a esse patamar.
O carro histórico do Mundial de 1981
Zico ainda relembrou o prêmio recebido após o título mundial de 1981 e as dificuldades para trazer o carro ao Brasil.
— Está lá na garagem. O motorista, que curte, de vez em quando dá umas voltinhas, mas é difícil, porque não tem direção hidráulica. Até o Piquet quis ajudar, disse: 'traz o carro aqui em Brasília que eu adapto'. Dava muito trabalho, falei: 'deixa lá'. De vez em quando ele sai para exposições de carros antigos.
Ele também explicou a burocracia enfrentada na época.
— Não podia importar carro. Aí nós fomos a Brasília. O Márcio Braga tinha um bom relacionamento, e o Langoni, presidente do Banco Central, também era rubro-negro. Fomos falar com o Dornelles, então ministro da Fazenda. Ele disse: 'vocês durante o ano tentem criar junto à Câmara dos Deputados'. E aí foi criada uma lei que qualquer brasileiro que fosse premiado em evento público e notório, defendendo o Brasil, teria isenção para entrada no país.
Estreia nos cinemas
Por fim, Zico falou sobre o documentário "Zico, o Samurai de Quintino", produção brasileira que retrata sua trajetória — desde o início humilde no bairro de Quintino, no Rio de Janeiro, até se tornar o maior ídolo da história do Flamengo e um nome reverenciado no futebol mundial. O filme iniciou sua pré-estreia em Recife na última sexta-feira (20) e, na sequência, passará por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A estreia nacional para o público geral está marcada para o dia 30 de abril.
— É um filme emocionante para nós que vivemos aquilo tudo. Momento de família, pessoas que foram importantes na minha carreira. Tem papo com o Roberto Dinamite, conversa com o Pelé para vir jogar com a gente no Flamengo, lua de mel comigo narrando… Tem muita imagem de acervo meu. Tem Japão, Maracanã, Quintino. Tem gols, imagens inéditas.
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