Santos e São Paulo se encontram com a política e gestão em evidência
Times vivem momentos agitados nos bastidores

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Santos e São Paulo se encontram novamente nesta quarta-feira (3), agora em função do Campeonato Brasileiro. Na última partida, no final de semana, o Tricolor venceu o Peixe por 2 a 0, em jogo válido pelo Paulista. Mesmo que futebol seja destaque, este clássico também marca um comparativo envolvendo clima político e gestões.
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Momento do Santos
Assim como o São Paulo, o Santos também vive um ano eleitoral. No entanto, diferentemente do rival, o tema ainda não ganhou força nos bastidores da Vila Belmiro. A política interna segue em segundo plano, enquanto o clube tenta resolver questões consideradas prioritárias após o rebaixamento recente.
No fim do ano passado, em uma reunião reservada conduzida pelo presidente Marcelo Teixeira, com presença de conselheiros, membros de torcida organizada e pessoas ligadas ao Peixe, ficou definido que assuntos estruturais e políticos seriam paralisados até que a situação esportiva fosse estabilizada. A decisão passou por congelar debates como mudanças no estatuto, funcionamento do Conselho Deliberativo, avanço do projeto de SAF e até a reforma da nova Vila Belmiro.
A avaliação interna era de que qualquer tema fora do campo poderia gerar instabilidade adicional em um momento crítico. Com isso, discussões estratégicas acabaram adiadas, deixando o clube focado exclusivamente em evitar novos danos esportivos - como um outro rebaixamento, por exemplo.
Ainda que seja inegável que a gestão impacta diretamente o desempenho em campo, no caso do Santos o problema vai além do que está acontecendo agora.
A crise financeira é reflexo de uma sequência de administrações problemáticas ao longo da última década. O clube ainda paga o preço por decisões tomadas em gestões anteriores, o que ajuda a explicar o cenário atual.
Um exemplo recente é o risco de sofrer um transferban por pendências ligadas à contratação do zagueiro João Basso, realizada na gestão de Andrés Rueda. O jogador pouco atua, mas a dívida permanece como herança administrativa. O Santos segue, portanto, colhendo os efeitos do rebaixamento e da alta rotatividade de dirigentes no departamento de futebol. A recuperação da credibilidade deve ser lenta, enquanto o clube tenta se reerguer dentro de campo. Para isso, reforços são necessários, mas, antes de contratar, a prioridade tem sido aliviar a folha e reorganizar o caixa.

E o São Paulo?
O São Paulo atravessou meses turbulentos dentro e fora de campo. Desde a reeleição de Julio Casares, em 2023, o clube passou a conviver com uma sequência de crises, envolvendo tanto questões políticas quanto financeiras. Até meados de 2025, uma das principais preocupações da gestão era o orçamento.
O balanço referente a 2024 escancarou o problema ao apontar uma dívida de 968,2 milhões de reais, um aumento de 287,6 milhões em relação à temporada anterior. O cenário impactou diretamente o planejamento esportivo do clube.
Com as finanças pressionadas, o Tricolor passou a adotar uma postura mais restritiva no mercado da bola. Investimentos elevados deixaram de ser viáveis, e as contratações passaram a se limitar a atletas livres ou a negociações por empréstimo. O novo contexto inviabilizou tratativas consideradas mais ambiciosas, como a tentativa de repatriar Marcos Leonardo, por exemplo.
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A situação deixou claro como decisões administrativas recentes passaram a impactar diretamente o desempenho e as perspectivas do futebol profissional. Um exemplo foi a venda considerada precipitada de Crias de Cotia, negociadas por valores abaixo do mercado, apesar de serem vistas internamente como promessas.
O cenário se agravou no fim do ano passado. Vazamentos de áudios envolvendo a suposta venda irregular de ingressos de camarotes no Morumbis, com menções a dirigentes do clube, vieram à tona e se somaram a outros escândalos de corrupção. A crise culminou na abertura de um processo de impeachment contra Julio Casares, que acabou renunciando ao cargo, abrindo caminho para a posse do então vice-presidente.
Com Harry Massis, o rumo mudou. Com a chegada do novo presidente, o São Paulo passou por uma série de mudanças estruturais. Mesmo com tentativas internas de blindagem de Hernán Crespo em relação às interferências políticas no futebol, a instabilidade era perceptível dentro de campo e também comentada por lideranças do elenco. Macis optou por ouvir jogadores experientes, como Calleri e Rafael, para compreender melhor as questões internas e promoveu uma reestruturação no departamento, que incluiu a chegada de Rafinha para o cargo de gerente de futebol.
Esse novo alinhamento começou a se refletir nos resultados. Antes pressionado e próximo da zona de rebaixamento no Campeonato Paulista, o Tricolor agora vem de uma vitória no Campeonato Brasileiro diante do Flamengo e também de um triunfo recente contra o Santos, tentando manter o ambiente de estabilidade que a nova gestão busca consolidar, preparando para as eleições deste ano, que terá um perfil diferente.
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