Título apaga ferida de Matheus Pereira em nova história pelo Corinthians: 'Olhar para frente'
Conquista na Supercopa simboliza amadurecimento e impulso para novos objetivos no Timão

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Se para os jogadores do Corinthians a vitória sobre o Flamengo, que garantiu o título da Supercopa Rei, representou um grande desafio, para um atleta em especial o resultado teve sabor de redenção. Contratado pelo Timão para a temporada, Matheus Pereira precisou de poucos jogos para levantar a taça e, de certa forma, deixar para trás um capítulo amargo de sua história no clube.
Formado nas categorias de base do Corinthians, o meia foi vice-campeão da Copinha em 2016 e ficou marcado pelo pênalti desperdiçado na final justamente contra o Flamengo, no Pacaembu, episódio que voltou à memória do jogador com a conquista recente.
— Pênalti é uma coisa que já não me assusta mais, já ficou no passado, já não penso muito. Claro que fica uma marca, fica como um aprendizado, me ajudou muito a amadurecer. Então é uma coisa que já passou, busco olhar para frente e seguir escrevendo a minha história aqui nesse clube — disse Matheus Pereira em entrevista exclusiva ao Lance!.
Em cinco jogos após a volta ao clube, o jogador já celebrou a primeira conquista, que, segundo ele, foi fundamental para aumentar a confiança e dimensionar o peso da camisa.
— Voltar assim nas primeiras semanas, já conquistar um título é muito bom, me dá confiança para seguir o trabalho. E, pô, a dimensão que o clube tem… o Fortaleza a gente sabe também que é um clube gigantesco, mas a proporção não só nacional como mundial que o Corinthians tem é muito grande. Você conquistar um título com essa camisa é muito, muito maior — seguiu.
O pênalti perdido, que em outro momento poderia pesar, hoje aparece como parte do processo de amadurecimento de Matheus Pereira. O volante destacou que sempre buscou assumir responsabilidades dentro de campo, inclusive em passagens anteriores pela Europa, e vê o episódio recente como mais um aprendizado na carreira.
— Eu sou um jogador que gosta muito da responsabilidade, que me deem responsabilidade. Inclusive, nos primeiros anos, quando eu fui para a Itália, na Juventus, teve pênalti, eu me coloquei à disposição, bati alguns e acabei convertendo. Então, como eu disse, foi um erro que eu não queria ter cometido, mas isso aconteceu, serviu de aprendizado e agora é trabalhar para converter novas cobranças — disse.
O título contra o Flamengo
Matheus Pereira reconheceu a força do adversário, mas destacou que o Corinthians entrou em campo consciente do tamanho do desafio e confiante no próprio elenco. Para o jogador, a preparação e o foco no plano de jogo foram determinantes para que a equipe conseguisse superar o Flamengo e conquistar o título.
— A gente sabe que o Flamengo tem um elenco de nível mundial, os jogadores que tem são ótimos jogadores. Mas aqui também tem excelentes jogadores, a gente tem um excelente grupo. A gente sabia da dificuldade por enfrentar o Flamengo, o atual campeão da Libertadores e do Brasileiro, né? Mas a gente seguiu confiante, fazendo o nosso trabalho, focamos muito no que teríamos que fazer para enfrentar o Flamengo. E, graças a Deus, deu tudo certo — comemorou.
O meio-campista destacou que o ambiente interno e a forma como a equipe se preparou para a decisão foram fundamentais para o bom desempenho e para o aumento da confiança neste início de trajetória.
— Foi uma preparação muito intensa, mas também foi leve. O ambiente aqui no clube é muito bom, os jogadores são muito amigos. Então isso te traz uma tranquilidade para trabalhar e uma vontade de trabalhar, de vencer com esse grupo muito grande. Então a preparação que tivemos durante a semana foi tranquila — revelou.
Na decisão disputada no Mané Garrincha, em Brasília (DF), o meia Jorge Carrascal, do Flamengo, foi expulso após o retorno das equipes do intervalo por conduta violenta contra Breno Bidon, do Corinthians. O lance ocorreu de forma isolada no meio-campo, no momento em que Rafael Klein apitava o fim do primeiro tempo.
— A gente sabia que tinha rolado a agressão, até porque a gente estava ali no banco e viu. A princípio, o juiz não falou nada, voltou do intervalo e expulsou. Foi a primeira vez também que eu vi uma cena assim. Mas acho que foi uma expulsão justa, tinha que ser expulso, não tem como, porque foi uma agressão. E a gente agradece — disse.
Depois da volta dos jogadores para a etapa final, o árbitro de campo foi chamado por Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR, para revisar a jogada. Antes de se dirigir à cabine, Klein comunicou aos capitães das duas equipes, Arrascaeta e Gustavo Henrique, que a equipe de vídeo havia identificado indícios de conduta violenta e que ele seria acionado para análise do lance.
— Não, tinha morrido (no intervalo, acharam que não teria mais expulsão). A gente focou no que tinha que fazer no segundo tempo. E, quando voltou, claro que facilita, facilita muito jogar com um jogador a mais. Mas o Flamengo também, mesmo com um jogador a menos, deu muito trabalho — apontou.
Luta por espaço no Corinthians e o trabalho de Dorival
Matheus Pereira destacou o alto nível de disputa por espaço no setor de meio-campo do Corinthians e ressaltou que a presença de vários jogadores em bom momento cria um ambiente competitivo e positivo dentro do elenco.
— É um meio-campo com uma competição enorme. Tem o Raniele, tem o André, que está indo muito bem. Tem o Breno (Bidon), que está indo muito bem. O Carrillo também, que é um jogador fantástico. Eu e o Charles brigando por posição. Então é uma competição saudável. Todos estão ali, sempre estão ajudando. Todos somos amigos. E quem tem a ganhar é o Dorival e o Corinthians — comentou.
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Ao falar sobre sua posição, o meia explicou que, ao longo da carreira, passou por mudanças táticas e se adaptou a novas funções, principalmente durante a passagem pelo futebol europeu, mas reforçou que está disposto a atuar onde for necessário para ajudar a equipe sob o comando de Dorival Júnior.
— Nos últimos anos eu venho jogando muito, mas recuado ali, iniciando as jogadas. Mas eu estou à disposição do Dorival para atuar onde ele acha que tem que me colocar. Na base eu fui formado, digamos assim, como meia-atacante, como um camisa 10 que estava ali mais próximo da área. E, com o decorrer do tempo na Europa, principalmente pela qualidade que eu tinha para sair jogando e tudo, os treinadores foram me recuando. Então é uma função que eu estou muito mais adaptado hoje. Mas eu faço o que precisar — detalhou
O meia também fez questão de enaltecer o trabalho de Dorival Júnior, apontando a confiança transmitida pelo treinador e a liberdade dada aos atletas como fatores decisivos para sua escolha de retornar ao Corinthians e para a expectativa de evolução dentro de campo.
— O Dorival é um excelente treinador, um treinador vitorioso, que transmite muita confiança para os seus jogadores, dá muita liberdade também para a gente desempenhar o nosso papel, jogar com leveza. Então, muito da minha escolha para vir para cá, além de ser o Corinthians, é que eu acho que o Dorival poderia agregar muito ao meu futebol para eu seguir evoluindo — exaltou.

Elogios para André
Ao comentar o desempenho dos jovens formados no clube, Matheus Pereira destacou a importância do trabalho desenvolvido nas categorias de base do Corinthians e valorizou o espaço que os atletas vêm conquistando no elenco principal, especialmente aqueles que já conseguem se firmar entre os profissionais.
— Quando eu vejo um jogador assim (André), da base subindo e conseguindo se destacar no profissional, eu fico feliz. Sinal de que o trabalho na base vem sendo bem feito. É o caso do André, do Breno, do Gui (Negão). Tem outros jogadores da base aqui também. Então é um motivo de muito orgulho para a base do Corinthians. Principalmente para mim, que saí de lá também e hoje estou aqui no profissional — exaltou.
Amadurecimento pessoal e passagem pelo Barcelona
Ao comparar o momento atual com a primeira passagem pelo clube, Matheus Pereira apontou que a principal mudança foi fora de campo. O meia destacou que as experiências no exterior e a construção de uma família influenciaram diretamente na forma como encara a carreira e as responsabilidades dentro do elenco.
— Eu amadureci muito. O que mudou do Matheus do passado para agora é o amadurecimento. Aprendi muito lá fora, com dois filhos também, uma família já estruturada. Então, creio que é o Matheus muito mais experiente do que o Matheus de dez anos atrás — disse.
O jogador também relembrou o período em que atuou pelo Barcelona B e explicou como o alto nível técnico do elenco e as regras de utilização entre as equipes limitaram suas oportunidades em jogos oficiais, apesar da presença frequente nos treinamentos com o time principal.
— Eu era um dos destaques no time B, cheguei a ser o capitão até na minha última temporada. Mas também o nível que tinha lá, com o Busquets, com o De Jong, até mesmo pela idade que eu estava, se eu fizesse um jogo como profissional, eu não poderia mais jogar com o time B. Então, como era uma peça importante para o treinador naquele momento, não tinha muita oportunidade em jogos, mas sempre subia para treinar com o primeiro time — detalhou.

Ambiente no clube
Matheus Pereira destacou o clima interno do Corinthians desde o seu retorno ao clube e elogiou a forma como foi acolhido pelos companheiros. Para o volante, a conquista recente contribuiu para deixar o ambiente mais leve, sem que o grupo perdesse o foco nas próximas competições da temporada.
— Fui recebido muito bem. Os jogadores aqui realmente são uma família, são muito unidos. E, claro, depois de conquistar um título, o ambiente fica mais leve, mas já estamos também focados nas próximas competições, no Paulista, no Brasileiro e na Libertadores, que começa logo. Mas o ambiente que tem aqui é incrível — valorizou.
Ao projetar a sequência de sua trajetória no Corinthians, Matheus Pereira apontou a conquista da Supercopa Rei como um indicativo positivo do que pode vir pela frente. Para o jogador, iniciar a nova fase no clube já levantando um troféu fortalece a confiança do elenco e reforça a ambição por objetivos maiores ao longo da temporada.
— Você voltar ganhando um título te dá uma confiança, como eu disse, para seguir almejando coisas grandes, e é isso que nós queremos — concluiu.
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