Santos e Cruzeiro têm mais decisões favoráveis do VAR; veja o ranking
Levantamento até a 15ª rodada mostra quais times tiveram mais lances revistos

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O VAR chegou ao futebol prometendo reduzir injustiças, entregando a clareza que os olhos humanos por vezes deixam escapar. Sete temporadas após ser implementada no Brasil, a tecnologia continua produzindo um sentimento ambíguo: ao mesmo tempo em que corrige os erros mais graves, alimenta uma nova camada de desconfiança, agora sustentada por longas revisões que os clubes passaram a monitorar rodada após rodada.
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Na visão apaixonada dos torcedores, as contestações ao VAR são frequentes, especialmente em lances interpretativos. Mas o Lance! fez um levantamento de todas as revisões nas primeiras 15 rodadas do Brasileirão de 2026 e mostra que há grande variedade de times impactados com as jogadas que acabam decididas no monitor.
VAR já causou 68 intervenções e mais de 2h de jogo parado no Brasileirão
No topo dessa lista de marcações revistas pelo VAR aparecem Santos e Cruzeiro, ambos envolvidos em seis intervenções a favor, que alteraram decisões importantes em seus jogos. Para o clube santista, o monitor esteve presente em momentos cruciais, como nos dois pênaltis marcados contra o Bahia e no gol validado diante do Remo, além das revisões que resultaram na anulação de gols de Flamengo e Palmeiras e na marcação de uma penalidade no duelo frente ao Mirassol.
O Cruzeiro acumulou o mesmo número de marcações a favor revistas pelo VAR, embora em um contexto diferente. A equipe mineira concentrou episódios ligados a cartões vermelhos e intervenções disciplinares. Contra o Mirassol, por exemplo, três revisões distintas alteraram o rumo da partida: um gol do adversário foi anulado, um pênalti foi marcado e um jogador rival acabou expulso após revisão. Em outro momento, a expulsão de um atleta cruzeirense diante do Flamengo acabou revertida.
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VAR para expulsão virou comum
O VAR brasileiro passou a interferir bastante em lances de contato físico e cartões e não apenas em gols. As revisões de possível expulsão se transformaram em um dos protocolos mais frequentes do campeonato.
Alguns times passaram a conviver repetidamente com punições agravadas após análise em vídeo. O Corinthians é o exemplo mais evidente. O clube lidera o número de expulsões confirmadas após revisão. Contra o Palmeiras, dois jogadores corintianos receberam cartão vermelho depois da intervenção do VAR. Diante do Fluminense, houve outro vermelho após revisão. O Corinthians é também o clube com mais decisões contrárias em revisões do VAR, com cinco no total, empatado com Bragantino, Grêmio e Cruzeiro.
O Grêmio experimentou decisões contrárias em outros tipos de lance. Em apenas um jogo contra o Coritiba, dois gols da equipe gaúcha foram invalidados por impedimento após revisão factual. Além disso, um pênalti inicialmente marcado diante do Vitória acabou cancelado após análise no monitor.
A demora nessas análises técnicas e o fato de o impedimento semiautomático ainda não ser uma realidade no Brasil elevam a temperatura das críticas sobre o tempo de jogo perdido. Intervenções que ultrapassam a marca dos cinco minutos, como as vistas nos jogos do Cruzeiro contra o Vitória e no confronto entre Vitória e Remo, geram desgaste sobre a operação do VAR.
O Vitória, aliás, aparece em ambos os extremos da estatística. O clube esteve envolvido em quatro marcações revistas pelo VAR a seu favor — incluindo gols anulados de adversários e um pênalti marcado contra o Fluminense —, além de também acumular quatro intervenções contrárias em momentos decisivos. O retrato mostra como o impacto do VAR raramente é linear ao longo de um campeonato extenso.

Em paralelo às reversões, as decisões mantidas acabaram se tornando quase exceções estatísticas. Poucas revisões terminaram com confirmação integral da arbitragem de campo. Entre elas, a manutenção da expulsão de um jogador do Grêmio contra o São Paulo, a confirmação de um gol do Atlético-MG diante do Remo e a decisão de não marcar pênalti para o Flamengo contra o São Paulo na 1ª rodada do torneio.
A sensação é de que a ferramenta passou a funcionar como uma segunda arbitragem, mais intervencionista e cada vez mais presente no fluxo do jogo.
Essa transformação aproxima o futebol nacional de um debate que já domina as ligas europeias. Nos últimos meses, dirigentes da Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1 passaram a discutir maneiras de reduzir as chamadas "intervenções microscópicas", sobretudo em impedimentos e contatos interpretativos. A preocupação central é preservar a fluidez do jogo e evitar que a tecnologia substitua completamente a autoridade do campo.
No Brasil, o desafio ganha contornos ainda mais sensíveis porque o VAR se tornou também parte da disputa política do campeonato. Clubes monitoram estatísticas próprias, divulgam compilados de lances e usam os números para pressionar a arbitragem e a CBF. A cada rodada, cresce a tentativa de transformar decisões em evidência de favorecimento ou perseguição.
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Os dados das 15 primeiras rodadas mostram um cenário mais complexo. O ponto comum entre todos os clubes é outro: hoje, nenhum time atravessa um Brasileirão sem ser profundamente impactado pelo VAR.
CLUBES COM MAIS LANCES REVISADOS A FAVOR
Santos – 6
Cruzeiro – 6
Palmeiras – 5
Atlético-MG – 5
Remo – 5
Vitória – 4
Fluminense – 4
Botafogo – 4
São Paulo – 4
Athletico-PR – 4
Flamengo – 4
Red Bull Bragantino – 4
Corinthians – 3
Grêmio – 3
Vasco – 3
Coritiba – 3
Mirassol – 2
Internacional – 1
Bahia – 0
Chapecoense – 0
CLUBES COM MAIS DECISÕES CONTRÁRIAS APÓS REVISÃO
Corinthians – 5
Cruzeiro – 5
Grêmio – 5
Red Bull Bragantino – 5
Vitória – 4
Mirassol – 4
Athletico-PR – 4
Bahia – 4
Flamengo – 3
Coritiba – 3
Fluminense – 3
São Paulo – 3
Botafogo – 2
Atlético-MG – 2
Palmeiras – 2
Remo – 2
Vasco – 2
Internacional – 1
Santos – 1
Chapecoense – 1
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