Eliminação na Copa do Brasil é sintoma do caos vivido pelo Botafogo
Crise fora de campo é traduzida em vexames esportivos e decepções no início da temporada

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O Botafogo viveu mais um capítulo da crise que assola o clube ao ser eliminado da Copa do Brasil na última quinta-feira (14), diante da Chapecoense, na quinta fase do torneio. A queda precoce é mais um sintoma do caos no qual o Glorioso se encontra, dentro e fora de campo.
➡️ Botafogo em recuperação judicial: o que pode acontecer com o clube?
No mesmo dia em que deu adeus à Copa do Brasil deste ano, o Botafogo teve aprovado o pedido de recuperação judicial da SAF pela Justiça do Rio de Janeiro. Em nota, o clube afirmou que a medida foi adotada por conta do "grave cenário financeiro", acentuado por transfer bans aplicados pela Fifa, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e restrições de caixa.
Apesar da aprovação da recuperação judicial, as punições impostas anteriormente pela entidade máxima do futebol seguem válidas. O Botafogo acumula três transfer bans relacionados a dívidas pelas contratações de Rwan Cruz, ex-Ludogorets, e Santi Rodríguez, ex-New York City FC, além de débito com o Atlanta United FC pela contratação do argentino Thiago Almada.
No caso do Atlanta United, o clube ainda corre risco de perder seis pontos no Campeonato Brasileiro caso não quite cerca de 25 milhões de dólares, cerca de R$ 126 milhões, na cotação atual, em até 90 dias. Segundo a SAF, dívidas ligadas a transfer bans anteriores ao pedido de recuperação judicial não podem ser renegociadas dentro do processo e precisam ser integralmente pagas.
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Em campo, eliminação passa pela ineficiência ofensiva
Não foi por falta de oportunidades que o Botafogo caiu diante da Chapecoense. A equipe comandada pelo português Franclim Carvalho viu a vantagem de 1 a 0, construída no Nilton Santos, desaparecer e ser revertida antes do intervalo na Arena Condá. A partir daí, o Glorioso voltou a sofrer com um problema que já marcara o jogo de ida: a chuva de gols perdidos.
Somando as duas partidas, o Alvinegro finalizou 42 vezes contra a Chape. Apesar disso, apenas 12 chutes foram no gol, e apenas uma bola balançou a rede adversária — nos acréscimos do jogo de ida. Entre grandes chances, a equipe carioca aproveitou apenas uma de nove criadas. Veja abaixo números detalhados.
Botafogo contra a Chapecoense na Copa do Brasil (ida e volta)
- 9 chances criadas (4,5 por jogo)
- 8 chances desperdiçadas (4,0 p/j.)
- 42 finalizações (21,0 p/j.)
- 12 no gol (6,0 p/j.)
- 3 chances cedidas (1,5 p/j.)
- 2 chances cedidas desperdiçadas (1,0 p/j.)
- 18 finalizações cedidas (9,0 p/j.)
- 3 no gol (1,5 p/j.)
- 67% de posse de bola.
Em entrevista coletiva após a eliminação, o técnico Franclim Carvalho citou as chances desperdiçadas como uma das razões da derrota na Arena Condá.
— O futebol é assim. Sabíamos que o adversário ia se fechar diante da vantagem, com o apoio dos torcedores, fazendo cera. Normalíssimo. O árbitro é quem tem que dar mais tempo, mas eu acho que ele poderia dar mais dez minutos e não faríamos gol. Afinal, tivemos três, quatro chances claras de fazer e não fizemos. Lembro de uma de cabeça, do Kadir, do Tucu (Joaquim Corrêa), com o pé esquerdo e de cabeça. Então, criamos o suficiente para fazer gol: 22 chutes, mas zero gol — declarou Franclim.
Botafogo melhora com Franclim, mas resultados voltam a decepcionar
A eliminação na Copa do Brasil não foi o primeiro resultado decepcionante para o Botafogo no ano. Ainda sob o comando de Martín Anselmi, o Glorioso caiu precocemente na Libertadores, na terceira fase preliminar, com derrota para o Barcelona, do Equador, em pleno Estádio Nilton Santos.
A queda na principal competição continental foi um dos principais — senão o principal — motivos para a demissão de Anselmi em março. Agora, sob o comando de Franclim, a equipe volta a sofrer com uma eliminação, desta vez no mata-mata nacional. É inegável, porém, que o time melhorou de desempenho desde a chegada do português.

Os números revelam um crescimento significativo no aproveitamento e uma maior eficiência ofensiva, evidenciada pelo aumento na média de gols e finalizações, marcas do estilo ofensivo de Franclim Carvalho. Até mesmo os chutes a gol, problema ainda constante na equipe, tiveram crescimento com o português.
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A insegurança dos goleiros
Desde a saída de John no meio de 2025, o Botafogo passa por uma insegurança na posição de goleiro. Neto, que chegou para ser o substituto do campeão do Brasileirão e da Libertadores em 2024, sofreu com lesões e acumulou falhas desde que virou titular. Léo Link e Raúl, por sua vez, não aproveitaram as oportunidades quando acionados.
Mais uma vez, as estatísticas exemplificam o problema. Em 2026, os três goleiros alvinegros repetem erros que levam a gols adversários. Além disso, o baixo número de jogos sem ser vazados demonstra a fragilidade da defesa na temporada.

Com investimentos em queda, Botafogo tem reforços 'tímidos'
O início de ano do Botafogo não é decepcionante apenas dentro de campo, mas também no mercado de transferências. A crise financeira do clube fez com que os investimentos em reforços diminuíssem em relação às últimas temporadas, e os transfer bans aplicados pela Fifa apontam um futuro incerto.
Em 2024, ano mágico do Alvinegro, o clube gastou R$ 532,4 milhões em contratações. O montante foi ainda maior no ano seguinte, apesar da falta de títulos: R$ 788,8 milhões investidos em 2025. Nesta temporada, o cenário é bem diferente.
A maioria dos reforços do Botafogo em 2026 chegou por empréstimo, incluindo Cristian Medina, principal novidade no elenco. Outros chegaram a custo zero, e o mais caro em valores de transferência foi Lucas Villalba, por US$ 3 milhões (cerca de R$ 16,3 milhões).
Em campo, as contratações têm, em geral, impacto tímido. Medina cresceu de produção no último mês e se firmou no meio-campo. Edenílson, Júnior Santos e Ferraresi são presenças constantes no time titular, mas sem grande destaque.
Números dos reforços do Botafogo em 2026
Cristian Medina
14 jogos (13 como titular)
1 gol
9 passes decisivos (0.7 p/j.)
76 bolas recuperadas (5.4 p/j.)
19 desarmes (1.4 p/j.)
19 interceptações (1.4 p/j.)
88% de acerto no passe
56% de duelos ganhos
6.96 Nota Sofascore
Edenílson
18 jogos (12 como titular)
4 gols
3 assistências
16 passes decisivos (0.9 p/j.)
42 bolas recuperadas (2.3 p/j.)
7 desarmes (0.4 p/j.)
6 interceptações (0.3 p/j.)
85% de acerto no passe
40% de duelos ganhos
6.92 Nota Sofascore
Ythallo
6 jogos (4 como titular)
1 assistência
15 bolas recuperadas (2.5 p/j.)
19 cortes (3.2 p/j.)
2 interceptações (0.3 p/j.)
38% duelos ganhos
93% de acerto no passe
6.96 Nota Sofascore
Wallace Davi
3 jogos (3 como titular)
17 bolas recuperadas (5.7 por jogo)
2 desarmes (0.7 p/j.)
2 interceptações (0.7 p/j.)
4 dribles certos (1.3 p/j.)
3 erros que levaram a chute (1.0 p/j.)
39% de duelos ganhos
86% de acerto no passe
6.43 Nota Sofascore
Júnior Santos
14 jogos (11 como titular)
2 gols
20 finalizações (1.4 por jogo)
8 no gol (0.6 p/j.)
2/6 (33%) chances claras convertidas
13 dribles certos (0.9 p/j.)
13 faltas sofridas (0.9 p/j.)
41% de duelos ganhos
6.59 Nota Sofascore
Lucas Villalba
15 jogos (3 como titular)
37 minutos por jogo
1 gol
1 assistência
3 grandes chances criadas
7 passes decisivos (0.5 p/j.)
10 dribles certos (0.7 p/j.)
41% duelos ganhos
61% de acerto no passe
6.55 Nota Sofascore
Nahuel Ferraresi
12 jogos (10 como titular)
1 gol
42 bolas recuperadas (3.5 p/j.)
67 cortes (5.6 p/j.)
21 desarmes (1.8 p/j.)
12 interceptações (1.0 p/j.)
1 erro que levou a chute
59% de duelos ganhos
87% de acerto no passe
7.08 Nota Sofascore
Caio Roque
6 jogos (2 como titular)
1 grande chance criada
6 passes decisivos (1.0 p/j.)
9 bolas recuperadas (1.5 p/j.)
4 desarmes (0.7 p/j.)
2 interceptações (0.3 p/j.)
77% de acerto no passe
45% de duelos ganhos
6.67 Nota Sofascore
Jhoan Hernández
4 jogos (2 como titular)
39 minutos por jogo
5 bolas recuperadas (1.3 p/j.)
2 desarmes (0.5 p/j.)
2 interceptações (0.5 p/j.)
4 dribles certos (1.0 p/j.)
1 erro que levou a chute
83% de acerto no passe
68% de duelos ganhos
6.73 Nota Sofascore
Obs: Riquelme e Anthony não entraram em campo.
A verdade é que a crise financeira da SAF tem impacto direto no elenco do Botafogo. O clube perdeu nomes importantes do grupo que conquistou títulos em 2024, como o argentino Thiago Almada, Luiz Henrique, Igor Jesus e, mais recentemente, Jefferson Savarino e Marlon Freitas.
Entre os remanescentes daquela equipe, o zagueiro Alexander Barboza está próximo de uma transferência para o Palmeiras e pode ser mais uma baixa. Ao mesmo tempo, o clube enfrenta dificuldades para buscar reposições no mercado em razão dos transfer bans aplicados pela Fifa por atrasos em pagamentos e não vê perspectiva de sair da crise tão cedo.
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