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Estudo da USP mostra que impedimentos diminuíram com o VAR

Levantamento analisou 3.420 jogos e concluiu que o tempo de jogo aumentou

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Thiago Braga
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 12/05/2026
06:00
Imagem da linha de impedimento com o VAR semiautomático
imagem cameraO VAR com tecnologia semiautomática foi testado em fevereiro no jogo Fluminense x Botafogo (Foto Divulgação CBF)

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A discussão sobre o impacto do VAR também ganhou dimensão acadêmica no Brasil. Pesquisadores da Universidade de São Paulo analisaram 3.420 partidas do Campeonato Brasileiro entre 2015 e 2023 para medir as consequências práticas da implementação da tecnologia.

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O estudo, conduzido pelo professor Bruno Bedo, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, mostra que o principal impacto estatisticamente significativo ocorreu nos impedimentos. A média caiu de 3,20 para 2,81 por jogo após a adoção do VAR, indicando aumento de precisão nas decisões. Em compensação, o tempo das partidas aumentou. O primeiro tempo passou de média de 47,17 para 48,23 minutos. O segundo foi de 49,11 para 50,57. No total, os jogos passaram de 96,28 para 98,81 minutos em média.

Os demais indicadores praticamente não sofreram alteração estrutural. As faltas caíram de 30,46 para 29,22 por partida. Os cartões amarelos foram de 4,72 para 4,52. Os vermelhos permaneceram estáveis, variando de 0,22 para 0,23. Os gols passaram de 2,29 para 2,34 por jogo. Os pênaltis foram de 0,30 para 0,33.

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➡️ VAR já causou 68 intervenções e mais de 2h de jogo parado no Brasileirão

A leitura dos pesquisadores é que o VAR altera, sobretudo, a precisão das decisões objetivas e o tempo efetivo das partidas, mas não modifica substancialmente o comportamento estrutural do jogo.

Esse movimento aparece de forma bastante clara nas primeiras 14 rodadas do Brasileirão de 2026. As revisões são frequentes, decisivas e quase sempre modificam a marcação original. Ao mesmo tempo, a tecnologia prolonga interrupções e interfere diretamente na experiência emocional do torcedor, que muitas vezes precisa esperar minutos até saber se pode comemorar um gol.

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Meta da CBF é agilizar intervenções do VAR

A própria CBF reconhece esse desafio. Para 2026, a entidade estabeleceu metas de maior agilidade, padronização e profissionalização da arbitragem. Uma das mudanças foi o reposicionamento da área de revisão para o lado oposto do campo, buscando reduzir vazamentos de áudio e melhorar a comunicação entre árbitro e cabine.

A entidade também avançou no processo de profissionalização da arbitragem nacional. Foram escolhidos 72 profissionais para contratos de trabalho: 20 árbitros, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo. E também está em andamento a instalação dos equipamentos nos estádios da Série A para a implementação do impedimento semiautomático na competição. Em 12 de fevereiro, a CBF testou o equipamento no clássico entre Fluminense x Botafogo, no Maracanã, pela terceira rodada.

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A IFAB, órgão responsável pelas regras do futebol, também prepara mudanças para a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. Entre as medidas estudadas estão revisões ampliadas do VAR para corrigir escanteios e tiros de meta marcados incorretamente, além da possibilidade de revisão de expulsões originadas por segundo cartão amarelo.

O futebol moderno parece caminhar para um cenário em que a tecnologia terá presença cada vez maior. Mas os números mostram que o grande desafio continua sendo encontrar equilíbrio entre precisão e fluidez.

Piero Maza marcou pênalti após revisão do VAR
Árbitro Piero Maza marca pênalti após revisão do VAR (Foto: Reprodução/Conmebol)

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