Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Opinião: Palmeiras perde sem levar perigo a uma defesa irretocável do Corinthians

A impressão é que o Corinthians era quem realmente estava mais perto da vitória.

PorTiago Herani
Cria Lab!
Rio de Janeiro (RJ)
28/03/2025 22:04
Atualizado em 01/04/2025 10:48

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!

Supervisionado porTiago Herani,
AGIF25032800292893-scaled-aspect-ratio-512-320
Corinthians campeão do Paulistão. (Foto: Ettore Chiereguini/AGIF)

Uma final de Campeonato Paulista marcada pelas brigas e discussões, como todo Derby tende a ser, mas que escondeu atrás desta cortina de fumaça uma batalha de táticas e estratégias contrastantes de Corinthians e Palmeiras.

➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Abel Ferreira, por exemplo, propôs uma mudança clara na formação do Palmeiras: jogou no 3-5-2. Piquerez era o zagueiro pela esquerda, ao lado de Micael e Murilo. Facundo recuou para ser ala por aquele lado, tendo Mayke avançado para fazer o mesmo no corredor oposto. Aníbal, Emiliano e Veiga compunham o meio-campo, enquanto Estevão, neste desenho, jogava mais próximo de Vitor Roque.

continua após a publicidade

A ideia do Palmeiras, defensivamente, era ter um zagueiro na sobra, enquanto os outros dois marcariam individualmente Memphis e Yuri Alberto, permitindo que acontecessem dobras na marcação e podendo reagir melhor às tabelinhas da dupla de ataque - pelo menos na teoria. Ao mesmo tempo, Garro, Carrillo e Martinez seriam acompanhados de perto pelos meias palmeirenses, e os alas bateriam de frente com a subida dos laterais adversários, sempre presentes no ataque.

Yuri Alberto, do Corinthians, disputa lance com Murilo, do Palmeiras, na final do Paulista 2025, na Neo Química Arena
Yuri Alberto disputa com Murilo. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF

Escalada de montanha do Palmeiras

Na prática, as movimentações constantes e o entrosamento do ataque corinthiano superaram, quase sempre, as tentativas de conter os contra-ataques. Não à toa, saíram de campo com a memória de uma bola perigosa do Garro na trave e uma finalização do Yuri na cara do gol.

continua após a publicidade

A sensação, na realidade, era que o Palmeiras precisava escalar uma montanha para levar perigo ao gol adversário, enquanto o Corinthians conseguia o mesmo efeito após algumas poucas associações no ataque. 

A trilha que o Abel escolheu seguir foi aproveitar os espaços que naturalmente existiam, por causa do seu desenho tático, nos corredores laterais do Corinthians. Uma vez que nem Garro, Memphis ou Yuri tinham a função de voltar para recompor a marcação na linha de meio-campo, os três volantes alvinegros ficaram encarregados "sozinhos" da função. 

continua após a publicidade

Porém, três jogadores não conseguem cobrir os dois lados do campo ao mesmo tempo, o que exige coberturas e movimentos constantes da parte deles.

Assim, o Palmeiras tentou, durante a maior parte do jogo, atrair a marcação adversária para um lado e inverter a bola com velocidade para o outro, com o objetivo de encontrar algum companheiro com mais tempo e espaço para avançar em campo. 

continua após a publicidade

Mas o projeto ficou só no papel. Qualquer tentativa de ter superioridade numérica ou algum tipo de vantagem com a bola no pé era instantaneamente minado pela disposição e concentração extra de Carrillo, Martinez e Raniele, se multiplicando em campo e fechando todos os espaços preciosos para o Palmeiras. 

Assim como no jogo de ida, a impressão era de que faltou muita aproximação dos jogadores alviverdes no ataque. Estevão, Vitor Roque e Veiga quase sempre se encontravam cercados. As poucas tabelinhas só aconteciam próximas da linha lateral. Também esperava-se mais da parte que competia a eles. 

continua após a publicidade

Segurança defensiva do Corinthians

Talvez a estatística mais importante desta final não tenha sido a posse de bola ou o número de finalizações, mas a quantidade de duelos individuais ganhos na defesa. 

Neste ponto, o Corinthians ganhou de goleada: 26 x 16 em 'tackles', 8 x 4 em interceptações, 43 x 36 em recuperações de bola e 34 x 16 em cortes. Os donos da casa venceram 77% dos desarmes, enquanto o Palmeiras ficou com pouco mais da metade, 56%.

continua após a publicidade

Não sei se, para você, esses números dizem muito ou pouco. Mas constratá-los com o que foi visto em campo explica muito da segurança defensiva transmitida pelo Corinthians. 

As substituições após expulsão colocaram o time para frente na esperança do "tudo ou nada". Mas quem mais se destacou, mesmo nesse contexto, foi a linha de defesa corinthiana, vencendo tudo pelo alto e por baixo, inclusive nos 10 escanteios adversários.

continua após a publicidade

O pênalti perdido, sem dúvidas, pesou muito na história do jogo. Mas, ao mesmo tempo, ficou nítido que, sem ele, o Palmeiras sairia da final sem ter tido uma mínima expectativa de bola na rede - o que nunca é um bom sinal.

Sugerida para você!

Mais LANCE!