Gestão Esportiva na Prática: Profissionais multitarefas, o titular de amanhã
O mundo corporativo já entendeu. O futebol precisa aceitar.

Se por muito tempo o futebol foi a metáfora preferida do mundo corporativo, agora é a vez do jogo virar. E não, não estamos falando apenas de planilhas e KPIs. As empresas passaram a inspirar o esporte, uma das tendências mais notáveis é a valorização das chamadas slash careers — profissionais capazes de ocupar múltiplos papéis com competência e versatilidade.
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O termo foi cunhado pela escritora e especialista no futuro do trabalho Marci Alboher, no livro "One Person/Multiple Careers" (2007), ao observar a emergência de perfis como "advogado/músico", "executivo/palestrante", "engenheiro/designer". O que parecia exótico se tornou essencial.
E não pense que essa tendência ficará restrita aos escritórios envidraçados. Ela já atravessando os portões dos CTs, timidamente é verdade, e começa a redesenhar o futebol profissional.

Era dos profissionais slash
Durante anos, os clubes brasileiros incharam suas estruturas. Departamentos com funções repetidas, superespecialização, baixa sinergia e altos custos. O discurso da profissionalização, muitas vezes, não veio acompanhado da racionalidade na gestão. Agora, o cenário exige ajustes. Orçamentos mais enxutos, necessidade de retorno rápido e, claro, resultados dentro de campo. Isso faz surgir um novo perfil de profissional valorizado: o multitarefa estratégico.
Analistas que dominam tática e estatística. Coordenadores que transitam da logística ao comportamento humano. Diretores que entendem de bola e de negócios. Esses serão os mais procurados, não por acumularem funções, mas por entregarem integração. Importante frisar: não se trata de sobrecarga ou precarização. Trata-se de visão sistêmica, de formação contínua, de conexão entre áreas. Em um mercado onde a margem de erro é cada vez menor, o diferencial será de quem não apenas entende o jogo, mas sabe jogar em várias posições.
O futebol, como o mundo do trabalho, viverá a era dos profissionais slash. E quem não se preparar para isso, pode até vestir o uniforme, mas não será escalado.
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Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira outras postagens do colunista:
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