Luiz Marinho (PT)

Luiz Marinho é candidato ao Governo do Estado de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) (Foto: Divulgação)

Ana Canhedo e Vitor Chicarolli
01/10/2018
07:00
São Paulo (SP)

Prefeito de São Bernardo do Campo entre 2009 e 2016, Luiz Marinho é o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo do Estado de São Paulo. Ministro do Trabalho e Emprego e Ministro da Previdência Social durante a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, Luiz promete diminuir as os índices de violência no estado para, assim, consequentemente diminuir os episódios trágicos envolvendo futebol. Para isso, pretende reestruturar as polícias do estado. 

Cansado de "24 anos de governo da mesma turma", em referência aos últimos governos do PSDB, Luiz Marinho respondeu a questões relacionadas ao esporte com exclusividade ao LANCE! e projetou um eventual governo. Confira abaixo: 

Por que se candidatar?
São Paulo vem sendo governado há 24 anos pela mesma turma e nesse período tão longo nenhum dos grandes problemas do estado foi resolvido. A educação, para ficar num exemplo, retrocedeu tem hoje os mesmos índices de avaliação de 1995. A saúde sofre com a falta de cuidado, a segurança nem se fala. Ou seja, nenhum grande gargalo foi solucionado. E é para resolver esses problemas que aceitei ser candidato, para mostrar que um novo modelo de gestão é possível, que é preciso ter um governo que olhe e cuide das pessoas. Essa é a nossa tarefa.

O que pretende fazer para incentivar a prática esportiva em SP?
O esporte e o lazer são partes inseparáveis da educação e da cultura.
Iremos abrir as escolas aos finais de semana, envolvendo os jovens, as famílias e a população, em atividades práticas do esporte, lazer e culturais.
Iremos fomentar as atividades esportivas de competição e lazer, por meio de parcerias com as 13.000 entidades esportivas existentes no Estado de São Paulo. E como o Brasil é o país do futebol, iremos fomentar a participação organizada no futebol amador, inclusive buscando parceria com as entidades organizadoras do futebol no Estado (ex: Federação Paulista de Futebol e Associação Paulista de Futebol)

A Polícia Militar do Estado de São Paulo continuará com uma grande presença em eventos esportivos?
É importante frisar que a segurança é dever do Estado. E a presença da PM nos estádios não ocorre por iniciativa dela, e sim por questão dos regulamentos da CBF e das federações estaduais, que não permitem a realização de jogos sem a presença do efetivo de segurança da Polícia Militar. Nos regulamentos de competições profissionais da CBF e da Federação Paulista de Futebol, não se aceita a Guarda Municipal ou seguranças particulares.

Mas essa discussão (sobre como a PM deve estar presente em eventos esportivos) deve ser mais ampla e aberta, envolvendo entidades promotoras, PM, Ministério Público e sociedade civil, inclusive as entidades de classe afins, como sindicatos dos atletas, treinadores e clubes.

Os clássicos disputados em São Paulo acontecem com torcida única desde abril de 2016. Esse procedimento continuará?
Esta é uma situação que cumpre um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) do Ministério Público. É uma questão controversa que, claro, tira um pouco da emoção de uma partida de futebol. Mas não se pode esquecer dos episódios de violência, inclusive com mortes. Ressalto também que a violência não é uma situação apenas das praças esportivas. Ela está nas ruas, fruto de uma série de fatores (desemprego, falta de campanhas de conscientização, entre outros).
Cabe ao governo tentar buscar solução para combater a violência, reunindo todos os entes da sociedade para, num amplo debate, traçar caminhos que erradiquem a violência das praças esportivas e da sociedade como um todo.

Vale ressaltar que há casos de brigas longe da região da partida. Como aumentar a segurança e evitar esses episódios?
Como já disse, a questão da violência é social, e não é um fenômeno que ocorre somente entre torcidas de futebol. Quanto à segurança, minha proposta é reestruturar as polícias do Estado, desde as condições de trabalho até a estrutura ofertada para que elas possam desempenhar suas atividades. É preciso o uso de tecnologias. É preciso sobretudo mostrar que a polícia do Estado existe para cuidar das pessoas.

A mobilidade aos estádios irá melhorar? Torcedores enfrentam dificuldades para ir ao Morumbi, como também acontece em Itaquera, em jogos às 21h45.
A questão dos horários, em especial nas partidas que são transmitidas pela TV, às 21h45, no meio da semana, é negociada por contrato entre emissora e clubes. Independentemente do horário dos eventos esportivos, cabe oferecer transporte, e de qualidade, para que as pessoas tenham o direito de ir e vir, e com segurança.

São Paulo terá duas sedes na Copa América de 2019. Como será a preparação para o evento?
Acaba de ser definido o Comitê de Organização da Copa América, na semana passada, como também a definição dos estádios e das sedes. São Paulo receberá jogos no Estádio do Morumbi e no Allianz Parque. Mas cabe ao Estado, certamente, se envolver na questão, principalmente quanto aos aspectos de segurança, para dar conforto a torcedores brasileiros e estrangeiros que prestigiarem o evento. E, por meio de outras secretarias, como a Turismo, elaborar ações para oferecer infraestrutura e condições para que os torcedores estrangeiros possam conhecer a região em dia em que não houver partida de futebol. Lembro, aliás, que a Copa de 2014, teve como uma de suas marcas a organização. E a Copa América, certamente, terá o mesmo nível de organização do Mundial daquele ano.

Buscará a prefeitura para ações conjuntas na área esportiva, independentemente de questões partidárias? Como agirá nesse sentido?
A minha proposta de governo prevê a aplicação de 1% do Orçamento do Estado no Esporte. Hoje, esse percentual é de 0,05%. O governo do Estado deve procurar parcerias não apenas com a prefeitura da capital, mas deve realizar convênios e atividades em parceria com o maior número possível de prefeituras do Estado. Aumentando a participação do setor no Orçamento, será possível criar o Fundo de Apoio ao Esporte, com verba de até R$ 200 milhões, para fomentar ações de estímulo ao esporte nos municípios paulistas.

Pretende introduzir ou aperfeiçoar algum tipo de programa de bolsa para o desenvolvimento de atletas?
O esporte não pode ficar dissociado da educação. Nossa proposta é criar a Universidade do Esporte, com 43 modalidades olímpicas e cursos específicos, como o de Medicina Esportiva, com especial atenção para a prática de esportes paralímpicos. Vamos construir também 50 novos centros de Treinamento no Estado de São Paulo. Como já citei anteriormente, vamos estabelecer convênios com 13 mil clubes e associações esportivas do Estado, comprometendo-se a abrir as escolas nos fins de semana para a prática de desportos.

São Paulo conta com um moderno Centro Paralímpico Brasileiro. Haverá um incentivo ainda maior no esporte paralímpico?
Como já escrevi na pergunta anterior, essa será uma prioridade dentro da Universidade do Esporte que iremos criar.