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Jürgen Klopp seria um bom nome para o Real Madrid? Confira análise

Nome do ex-treinador se tornou um dos rumores sobre possíveis treinadores da equipe

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 16/01/2026
08:30
Jürgen Klopp
imagem cameraKlopp em entrevista coletiva na Champions League (Foto: LINDSEY PARNABY / AFP)

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A saída de Xabi Alonso do comando do Real Madrid recolocou um debate recorrente no centro do futebol europeu: até que ponto o perfil de Jürgen Klopp se encaixaria no clube mais vitorioso do continente. O alemão voltou a ser citado como possível sucessor, mas a análise vai além da disponibilidade ou do currículo. Ela passa, sobretudo, pela compatibilidade entre ideias, contexto institucional e forma de exercer o poder no futebol.

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Klopp é um dos técnicos mais marcantes de sua geração. Mainz, Borussia Dortmund e Liverpool não apenas venceram com ele; tornaram-se extensões diretas de sua personalidade. E é justamente aí que começa o choque com o Real Madrid.

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Klopp molda clubes, e não o contrário

Em Mainz, Klopp assumiu em 2001 um clube à beira do colapso esportivo, ameaçado de queda à terceira divisão alemã. No Borussia Dortmund, chegou em 2008 quando o clube ainda se recuperava de uma crise financeira profunda. Em Liverpool, em 2015, encontrou uma instituição gigante, mas em busca de identidade esportiva e direção competitiva após anos de frustração.

O ponto comum entre essas experiências não está no tamanho dos clubes, mas na maleabilidade institucional. Todos permitiram que Klopp imprimisse sua visão de futebol, comportamento e cultura interna. Seu modelo sempre foi o de transformação: o clube passa a jogar, pensar e até se comunicar como Klopp.

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Jürgen Klopp - Liverpool
Jürgen Klopp em ação pelo Liverpool (Foto: Paul ELLIS / AFP)

No Real Madrid, esse caminho não existe. O clube não se molda ao treinador. O treinador se adapta ao clube. A instituição precede qualquer projeto esportivo, e sua identidade é mais antiga e mais forte do que qualquer técnico. Não há "Real Madrid de Klopp", assim como nunca houve um "Real Madrid de Ancelotti" ou de Zidane no sentido conceitual. Há, no máximo, versões mais ou menos eficientes da mesma engrenagem histórica. Esse é um ponto estrutural. Klopp constrói times à sua imagem. O Real Madrid preserva a própria.

Hierarquia de poder do Real Madrid

Outro fator central está na gestão de elencos. Klopp é reconhecido por desenvolver jogadores, potencializar talentos e transformar atletas em estrelas globais. Lewandowski, Salah, Mané e Van Dijk são exemplos claros. Mas ele raramente herdou elencos compostos majoritariamente por superestrelas consolidadas e intocáveis.

No Real Madrid, o vestiário opera de forma distinta. É um dos ambientes mais impermeáveis do futebol europeu. Jogadores chegam como produtos prontos, com status, peso político e influência externa. O técnico não cria estrelas; ele administra reputações. Sua função é manter o equilíbrio, proteger a aura e garantir que o rendimento não comprometa a imagem.

Historicamente, os treinadores que prosperaram no clube foram os que entenderam essa lógica. Zidane é o exemplo mais emblemático: liderança silenciosa, respeito absoluto ao peso do elenco e mínima fricção pública. Ancelotti seguiu caminho semelhante. Klopp, por outro lado, sempre foi o centro do projeto, o motor emocional e comunicativo da equipe.

Time do Real Madrid comemora gol de Mbappé diante do Olympiacos (Foto: Angelos Tzortzinis / AFP)
Time do Real Madrid comemora gol de Mbappé diante do Olympiacos (Foto: Angelos Tzortzinis / AFP)

As diferenças não se limitam ao campo. Elas se estendem à forma como Klopp enxerga o futebol moderno. O alemão foi um dos críticos mais contundentes do calendário inflado, do Mundial de Clubes e da sobrecarga física dos atletas. Chegou a classificar o torneio como "a pior ideia já criada no futebol".

No Real Madrid, a visão é oposta. Florentino Pérez valoriza competições globais, prestígio institucional e expansão da marca. O clube enxerga torneios como o Mundial de Clubes não apenas como disputa esportiva, mas como ativos estratégicos. Em qualquer conflito dessa natureza, o poder decisório penderia para o presidente.

Esse desalinhamento não é detalhe. Em Madrid, o treinador precisa caminhar em sintonia com o projeto político do clube. Klopp sempre foi mais independente, mais vocal e menos disposto a concessões públicas. Esse perfil já geraria atritos antes mesmo do primeiro treino.

O momento da carreira e a própria recusa

Há ainda o fator tempo. Em 2024, Klopp aceitou o cargo de diretor global de futebol do grupo Red Bull e foi enfático ao afirmar que havia encerrado seu ciclo como treinador. Disse não sentir falta do dia a dia à beira do campo e alertou que seu nome seria associado a qualquer grande vaga disponível – algo que, segundo ele, deveria ser ignorado.

Após a demissão de Xabi Alonso, o roteiro se repetiu. Klopp foi questionado novamente e descartou qualquer possibilidade de assumir o Real Madrid, afirmando que o tema não lhe despertava interesse. A negativa foi direta, pública e sem margem para interpretação.

Esse posicionamento não parece estratégico ou temporário. Ele reflete uma leitura consciente de carreira. Klopp sempre se destacou por escolher os projetos certos no momento certo. Sua ascensão não foi apenas fruto de talento, mas de timing. Mainz, Dortmund e Liverpool estavam prontos para ele – e ele para eles.

Treinar o Real Madrid exige perfil específico. Mais do que ideias revolucionárias, o clube demanda pragmatismo, controle de danos e leitura política do ambiente. É um cargo menos autoral e mais institucional. O treinador atua como guardião de uma herança, não como arquiteto de algo novo.

Klopp, por essência, sempre precisou de um antagonismo. Um sistema a desafiar, uma hierarquia a subverter, uma narrativa a construir. Em Mainz, lutou contra a queda. Em Dortmund, contra o Bayern. Em Liverpool, contra o domínio interno e europeu de rivais mais ricos.

No Real Madrid, não há ortodoxia a ser combatida. O clube é a ortodoxia. É o centro gravitacional do futebol europeu. E esse talvez seja o cenário menos estimulante para um técnico cuja energia sempre esteve ligada à transformação, ao conflito competitivo e à construção de identidade.

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