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Ingleses analisam atacantes brasileiros: 'Battle Royale na Seleção'

Igor Thiago, Richarlison, Matheus Cunha, João Pedro e outros estariam em batalha

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
17/01/2026 17:22

Supervisionado porNathalia Gomes,
Seleção Brasileira caiu no grupo C da Copa do Mundo (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Seleção Brasileira caiu no grupo C da Copa do Mundo (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A disputa pelas vagas no ataque da Seleção Brasileira ganhou contornos de guerra aberta na imprensa inglesa. Em análise publicada pelo The Athletic, o cenário foi comparado a um "Battle Royale", com atacantes brasileiros da Premier League e de outros centros europeus em confronto direto por espaço sob o comando de Carlo Ancelotti, às vésperas de uma convocação decisiva.

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A leitura parte de um ponto central: o Brasil ainda busca estabilidade em algumas posições, mas o ataque virou o principal foco de atenção. Com amistosos contra França e Croácia se aproximando, a margem para testes diminui, e o técnico italiano precisa transformar abundância em hierarquia.

Desde que assumiu a Seleção, Ancelotti vem sinalizando um desenho tático relativamente claro. Em boa parte dos jogos, o Brasil atuou com quatro homens de frente, em uma estrutura que oscila entre o 4-2-4 e o 4-2-3-1, dependendo do comportamento do segundo atacante central. O consenso é que Casemiro e Bruno Guimarães formam a base do meio-campo, enquanto Vini Jr aparece como peça praticamente incontestável quando está em condições físicas ideais.

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Esse desenho, no entanto, deixa poucas vagas realmente abertas no setor ofensivo. Em jogos recentes, Ancelotti optou por Rodrygo e Matheus Cunha, com este último exercendo funções híbridas: ora recuando para articular, ora atacando espaços deixados pela defesa adversária. O modelo funcionou em partidas de maior controle territorial, o que reforça a tendência de manutenção. É justamente aí que o "Battle Royale" começa a fazer sentido. Há produção, versatilidade e nomes em boa fase, mas não espaço para todos.

Premier League como vitrine (e campo de batalha)

A análise inglesa dedica atenção especial aos brasileiros que atuam na Premier League, encarada como o principal laboratório competitivo neste momento. Cunha, João Pedro, Richarlison e Igor Jesus já passaram pelo ciclo recente da Seleção e conhecem o método de Ancelotti. A eles se soma Igor Thiago, que vive temporada estatisticamente impressionante.

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Igor Thiago comemorando gol pelo Brentford (Foto: Glyn Kirk/AFP)
Igor Thiago comemorando gol pelo Brentford (Foto: Glyn Kirk/AFP)

Cunha aparece como o nome mais "seguro" do grupo, muito pela capacidade de adaptação. Não é um camisa 9 clássico, mas oferece leitura de jogo, intensidade sem a bola e conexão entre setores – atributos valorizados pelo treinador italiano. João Pedro, por sua vez, é descrito como um atacante funcional, capaz de jogar por dentro ou mais solto, mas que ainda não transformou boas atuações pontuais em status de titular indiscutível.

Richarlison surge como o plano B mais consolidado. Mesmo sem unanimidade técnica, seu histórico pela Seleção pesa: números consistentes, entrega física e um componente de caos que pode ser decisivo contra defesas fechadas. A relação prévia com Ancelotti também conta pontos, embora as recentes lesões reduzam sua margem de erro.

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Se há um nome que desafia a lógica tradicional da hierarquia, esse nome é Igor Thiago. Artilheiro em ritmo acelerado, ele alcançou uma marca inédita para brasileiros em uma única temporada de Premier League. Para o Brentford, seus gols não são episódicos: fazem parte de um modelo que explora transições rápidas, bolas diretas e ataques ao espaço.

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A própria análise do The Athletic, no entanto, impõe ressalvas. O estilo de Thiago, baseado em potência, arranque e finalização em campo aberto, nem sempre encontra equivalência nos jogos da Seleção, especialmente contra adversários que se defendem em bloco baixo. O Brasil, em muitos contextos, exige precisão cirúrgica, jogo entrelinhas e soluções em espaços curtos – um ambiente menos favorável ao atacante.

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Ainda assim, descartá-lo seria um erro. O entendimento é que Thiago se coloca como candidato a "wild card": alguém capaz de mudar o perfil do ataque em cenários específicos, mesmo que não seja a primeira opção para jogos de controle.

Outros nomes no radar da Seleção Brasileira

A disputa não se limita aos atacantes em evidência imediata. Raphinha, ausente em convocações recentes, reaparece como concorrente direto por espaço, sobretudo pelos lados do campo. Sua regularidade em alto nível e capacidade de cumprir funções táticas distintas o recolocam no jogo.

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Há ainda uma questão estrutural que afunila ainda mais o processo: a possibilidade de Vini Jr atuar mais centralizado em determinados momentos. Esse ajuste reduz a necessidade de um centroavante fixo no time titular e desloca a concorrência para funções híbridas, entre ponta, segundo atacante e meia ofensivo. Nesse contexto, nomes como Gabriel Martinelli, Lucas Paquetá e até Neymar entram no tabuleiro, ainda que em estágios diferentes de protagonismo.

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O caso de Endrick também é citado como incógnita. Em busca de afirmação no futebol europeu, ele volta ao radar com atuações recentes, mas ainda precisa transformar potencial em sequência para pressionar os concorrentes.

Endrick - Lyon x Lille - Copa da França
Endrick anotou seu primeiro gol pelo Lyon, em jogo contra o Lille, pela Copa da França (Foto: Francois Lo Presti/AFP)

Um ponto sensível abordado pelos ingleses é o antigo preconceito em relação a clubes médios da Premier League. A análise contesta essa lógica ao lembrar que, nos últimos anos, a Seleção convocou atletas de uma ampla gama de equipes inglesas, sem que o peso do escudo fosse determinante. O argumento é simples: gols e desempenho não sofrem desvalorização automática por serem marcados fora do chamado "big six".

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Nesse sentido, o debate sobre atacantes brasileiros deixa de ser apenas técnico e passa a ser contextual. Ancelotti, segundo a leitura do The Athletic, parece menos interessado em nomes e mais em funções. A batalha, portanto, não é apenas por vaga, mas por utilidade dentro de um modelo que começa a se definir.

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