Ingleses analisam atacantes brasileiros: 'Battle Royale na Seleção'
Igor Thiago, Richarlison, Matheus Cunha, João Pedro e outros estariam em batalha

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A disputa pelas vagas no ataque da Seleção Brasileira ganhou contornos de guerra aberta na imprensa inglesa. Em análise publicada pelo The Athletic, o cenário foi comparado a um "Battle Royale", com atacantes brasileiros da Premier League e de outros centros europeus em confronto direto por espaço sob o comando de Carlo Ancelotti, às vésperas de uma convocação decisiva.
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A leitura parte de um ponto central: o Brasil ainda busca estabilidade em algumas posições, mas o ataque virou o principal foco de atenção. Com amistosos contra França e Croácia se aproximando, a margem para testes diminui, e o técnico italiano precisa transformar abundância em hierarquia.
Desde que assumiu a Seleção, Ancelotti vem sinalizando um desenho tático relativamente claro. Em boa parte dos jogos, o Brasil atuou com quatro homens de frente, em uma estrutura que oscila entre o 4-2-4 e o 4-2-3-1, dependendo do comportamento do segundo atacante central. O consenso é que Casemiro e Bruno Guimarães formam a base do meio-campo, enquanto Vini Jr aparece como peça praticamente incontestável quando está em condições físicas ideais.
Esse desenho, no entanto, deixa poucas vagas realmente abertas no setor ofensivo. Em jogos recentes, Ancelotti optou por Rodrygo e Matheus Cunha, com este último exercendo funções híbridas: ora recuando para articular, ora atacando espaços deixados pela defesa adversária. O modelo funcionou em partidas de maior controle territorial, o que reforça a tendência de manutenção. É justamente aí que o "Battle Royale" começa a fazer sentido. Há produção, versatilidade e nomes em boa fase, mas não espaço para todos.
Premier League como vitrine (e campo de batalha)
A análise inglesa dedica atenção especial aos brasileiros que atuam na Premier League, encarada como o principal laboratório competitivo neste momento. Cunha, João Pedro, Richarlison e Igor Jesus já passaram pelo ciclo recente da Seleção e conhecem o método de Ancelotti. A eles se soma Igor Thiago, que vive temporada estatisticamente impressionante.

Cunha aparece como o nome mais "seguro" do grupo, muito pela capacidade de adaptação. Não é um camisa 9 clássico, mas oferece leitura de jogo, intensidade sem a bola e conexão entre setores – atributos valorizados pelo treinador italiano. João Pedro, por sua vez, é descrito como um atacante funcional, capaz de jogar por dentro ou mais solto, mas que ainda não transformou boas atuações pontuais em status de titular indiscutível.
Richarlison surge como o plano B mais consolidado. Mesmo sem unanimidade técnica, seu histórico pela Seleção pesa: números consistentes, entrega física e um componente de caos que pode ser decisivo contra defesas fechadas. A relação prévia com Ancelotti também conta pontos, embora as recentes lesões reduzam sua margem de erro.
Se há um nome que desafia a lógica tradicional da hierarquia, esse nome é Igor Thiago. Artilheiro em ritmo acelerado, ele alcançou uma marca inédita para brasileiros em uma única temporada de Premier League. Para o Brentford, seus gols não são episódicos: fazem parte de um modelo que explora transições rápidas, bolas diretas e ataques ao espaço.
A própria análise do The Athletic, no entanto, impõe ressalvas. O estilo de Thiago, baseado em potência, arranque e finalização em campo aberto, nem sempre encontra equivalência nos jogos da Seleção, especialmente contra adversários que se defendem em bloco baixo. O Brasil, em muitos contextos, exige precisão cirúrgica, jogo entrelinhas e soluções em espaços curtos – um ambiente menos favorável ao atacante.
Ainda assim, descartá-lo seria um erro. O entendimento é que Thiago se coloca como candidato a "wild card": alguém capaz de mudar o perfil do ataque em cenários específicos, mesmo que não seja a primeira opção para jogos de controle.
Outros nomes no radar da Seleção Brasileira
A disputa não se limita aos atacantes em evidência imediata. Raphinha, ausente em convocações recentes, reaparece como concorrente direto por espaço, sobretudo pelos lados do campo. Sua regularidade em alto nível e capacidade de cumprir funções táticas distintas o recolocam no jogo.
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Há ainda uma questão estrutural que afunila ainda mais o processo: a possibilidade de Vini Jr atuar mais centralizado em determinados momentos. Esse ajuste reduz a necessidade de um centroavante fixo no time titular e desloca a concorrência para funções híbridas, entre ponta, segundo atacante e meia ofensivo. Nesse contexto, nomes como Gabriel Martinelli, Lucas Paquetá e até Neymar entram no tabuleiro, ainda que em estágios diferentes de protagonismo.
O caso de Endrick também é citado como incógnita. Em busca de afirmação no futebol europeu, ele volta ao radar com atuações recentes, mas ainda precisa transformar potencial em sequência para pressionar os concorrentes.

Um ponto sensível abordado pelos ingleses é o antigo preconceito em relação a clubes médios da Premier League. A análise contesta essa lógica ao lembrar que, nos últimos anos, a Seleção convocou atletas de uma ampla gama de equipes inglesas, sem que o peso do escudo fosse determinante. O argumento é simples: gols e desempenho não sofrem desvalorização automática por serem marcados fora do chamado "big six".
Nesse sentido, o debate sobre atacantes brasileiros deixa de ser apenas técnico e passa a ser contextual. Ancelotti, segundo a leitura do The Athletic, parece menos interessado em nomes e mais em funções. A batalha, portanto, não é apenas por vaga, mas por utilidade dentro de um modelo que começa a se definir.
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