Estudo aponta com números como Guardiola 'destruiu beleza do futebol'
Comandante do Manchester City liderou revolução tática no futebol ao longo dos últimos 15 anos

Pep Guardiola tem uma importância imensurável para a história do futebol. O atual técnico do Manchester City liderou uma revolução tática desde sua chegada ao Barcelona, em 2008, e criou um estilo próprio que se tornou em um pesadelo para os adversários sustentarem e copiarem as ideias.
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O modelo propositivo de jogo, com valorização da posse de bola, contando com todos os atletas no campo ofensivo, pressão pós-perda na última linha... todos os termos foram ditos e ouvidos inúmeras vezes durante os trabalhos do espanhol no Barcelona, no Bayern de Munique e agora no futebol inglês.
Mas e se alguém dissesse que Guardiola estragou o futebol? As redes de estatísticas da "Times Sport" e da "Opta" levantou números que mostram mudanças na cultura da bola na Inglaterra, geradas principalmente pela influência exercida pelo treinador nos estudos táticos não só do país, mas de todo o mundo.
🔢 Conforme os dados de bolas longas alçadas por times da Premier League nas últimas temporadas, o Everton de 2024-25, líder no quesito nesta época, viajou menos bolas do que todos os times da temporada 2017-18, exceto o Manchester City. Além disso, a principal liga do futebol inglês foi considerada a mais lenta e segunda mais intrincada (medição de sequência de passes), com os Cityzens liderando o quesito.
O jornalista Jonathan Northcroft, do jornal "The Times", definiu a nova era do futebol como "Pepificação", onde todos os times planejam clonar o futebol dos comandados de Guardiola, e questionou o sumiço do talento diante da valorização da parte tática.
- Com que frequência você vê o seguinte: times se formando com três jogadores na defesa, deixando dois no meio-campo e enfileirando cinco na linha de frente? A bola raramente chegava na área cedo ou aereamente (exceto em lances de bola parada), mas, em vez disso, trabalhava em áreas ordenadas e, então, servia de maneiras prescritas: cortes, diagonais internas, passes pela lateral da área. Uma escassez de chutes longos, dribles e cabeceios. Quase nenhum desarme. Praticamente todos os passes são curtos, a menos que seja uma bola de campo cruzado ou um passe longo ensaiado. Tudo isso equivale a um futebol ótimo, a propósito, mas faz sentido que todos joguem? - afirmou o periodista.

🔢 A maneira de marcar gols também perdeu variações, consoante os dados. A proporção de chutes de fora da área atual é a mais baixa já registrada na história, e a distância média de chutes caiu dois metros (17,9m para 15,9m) na última década.
🔢 A prova da redução dos chutes longos é que, dos 15 primeiros da lista de artilheiros da Premier League em finalizações de fora da área, apenas Kevin de Bruyne (6º) e Christian Eriksen (12º) estão em atividade. Os demais já penduraram suas chuteiras.
🔢 A "clonagem atlética", como definiu o Times, aparece na questão da média de altura e idade dos times considerados médios do Inglesão. Veja:
⚽ Fulham: 1,838m / 28,1 anos
⚽ West Ham: 1,839m / 28,7 anos
⚽ Brentford: 1,842m / 26,4 anos
⚽ Crystal Palace: 1,841m / 26,3 anos
⚽ Nottingham Forest: 1,834m / 26,9 anos
⚽ Wolverhampton: 1,828m / 27,1 anos
Para completar seu argumento, Northcroft também citou a falta de estilos como o de Ronaldinho Gaúcho, que tinha maior liberdade para driblar e não ficava preso a esquemas táticos assertivos e praticamente imutáveis.
- Tenho pensado em Ronaldinho e no futebol que tenho assistido ultimamente. Talvez seja só eu, mas parece que algo está faltando. Muitos jogadores de hoje dizem que ele era seu jogador de futebol favorito. E tão poucos jogam - ou têm permissão para jogar - como ele. Minha sensação é que o futebol em 2024 é absolutamente incrível. Mas também decepcionante. Mesmos estilos, mesmas formas táticas, mesmos padrões de jogo ensaiados, jogadores e times com perfis semelhantes. Às vezes, assistindo, parece que já vi o jogo antes - analisou.
A influência de Pep Guardiola, ou "Pepificação", traduz uma mudança no panorama do futebol e divide opiniões. Polarizados, os analistas da bola, sejam os da tela ou os do sofá, se repartem entre os que creem na genialidade do espanhol e os que de fato, cravam que o treinador acabou com a graça do futebol ao "robotizar" os jogadores. Fato é que Guardiola segue obtendo sucesso em sua jornada, e as cópias pelo mundo são apenas um atestado do quão revolucionário o discípulo de Johan Cryuff foi e segue sendo.
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