Ex-zagueira do Chelsea aposta em plataforma de transferências no futebol feminino
Claire Rafferty falou sobre o mercado na modalidade e citou o Corinthians, vice-campeão mundial

Com passagem pelo Chelsea e pela seleção inglesa, Claire Rafferty hoje atua fora das quatro linhas, mas segue influenciando diretamente os rumos do futebol feminino. Atualmente Gerente de Sucesso do Cliente da TransferRoom, a ex-defensora é uma das vozes por trás do Women's Marketplace, plataforma que promete mudar a lógica do scouting e das transferências no futebol feminino.
Segundo Rafferty, até pouco tempo o recrutamento de atletas funcionava quase no improviso. Ela explica que o scouting feminino era, muitas vezes, feito "no escuro", baseado em dados limitados, contatos pessoais e muito boca a boca. A proposta da TransferRoom, de acordo com a ex-jogadora, é virar essa chave. Claire destaca que o diferencial está no acesso.
— Não é apenas um banco de dados com estatísticas. É um marketplace ao vivo, onde os clubes veem quem está realmente disponível e falam direto com quem pode fechar o negócio — afirmou. Além disso, a plataforma leva em conta particularidades do futebol feminino, como contratos mais curtos e maior número de atletas livres no mercado, oferecendo o chamado Valor de Transferência Esperado (xTV).
Outro ponto ressaltado por Rafferty é a verificação de agentes. Ela explica que os clubes deixam de "chutar no escuro" ao procurar representantes, já que a plataforma garante que o contato seja feito com quem, de fato, tem autorização para negociar.
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Brasil é citado por Claire Rafferty
O Brasil também entrou no radar da ex-jogadora. Ela destaca que o crescimento do futebol feminino no país é evidente e cita o Corinthians, finalista da Copa do Mundo de Clubes Feminina da FIFA, como prova de que os clubes brasileiros já são destinos atrativos no cenário global.
— No Brasil, dá para ver claramente o momento positivo. O Corinthians chegar à final da Copa do Mundo de Clubes Feminina da FIFA é uma grande declaração e mostra como os clubes brasileiros estão se tornando um destino real no futebol feminino — analisa.
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Estrutura dos clubes ainda é gargalo no feminino
Apesar da evolução dentro de campo e do crescimento das cifras, Claire avalia que o futebol feminino ainda sofre fora dele. Em sua análise, as taxas de transferência bateram recordes recentes — superando a casa de 1 milhão de libras em alguns casos —, mas a estrutura dos clubes não acompanhou o ritmo. Ela aponta, de forma indireta, que muitos ainda trabalham com equipes reduzidas de scouting, pouca inteligência de mercado e planejamento de curto prazo.
— Muitos clubes continuam mantendo a duração dos contratos como 'não divulgada', o que cria barreiras à mobilidade. Quanto mais nos aproximarmos da transparência vista no futebol masculino — onde todos sabem quando uma janela de oportunidade se abre — mais rápido o futebol feminino atingirá todo o seu potencial comercial — analisa. Para a ex-jogadora, há duas lacunas claras: a identificação internacional de talentos e a alfabetização em dados.
— Os clubes querem investir, mas nem sempre sabem onde encontrar valor ou quanto uma jogadora realmente vale no mercado atual — resumiu.
Nesse cenário, a TransferRoom aparece como uma aliada especialmente para clubes menores. Rafferty explica que a plataforma funciona como um "multiplicador de forças", dando visibilidade global a equipes de ligas consideradas periféricas. Um clube da Escandinávia, por exemplo, pode apresentar uma promessa diretamente a gigantes da WSL ou da NWSL, sem depender de olheiros presentes no estádio.
Ela acrescenta que o uso do xTV ajuda esses clubes a não subvalorizar seus ativos e a migrar de um modelo baseado apenas em atletas livres para um modelo de negociação mais sustentável, reinvestindo recursos na base. Além disso, filtros específicos reduzem custos e otimizam o trabalho de departamentos de recrutamento enxutos.
Transparência como pilar
A transparência, segundo Claire, é o pilar central de todo o projeto. Como define: "transparência é o grande fator de equilíbrio". Para os clubes, isso significa menos tempo perdido com intermediários não verificados. Para as jogadoras, mais clareza sobre valor de mercado e oportunidades reais de carreira. Já para os agentes, a verificação gera confiança e vantagem competitiva.
Vivendo hoje o mercado por dentro, Rafferty enxerga um momento de maturação. Ela avalia que os clubes passaram a gastar melhor, priorizando encaixe tático e potencial de revenda, e cita como exemplo a ampliação da Women's Super League para 14 equipes e a forte presença de atletas escandinavas nas últimas janelas.
Ainda assim, Claire faz um alerta: a falta de padronização na divulgação de contratos segue sendo um entrave. Para ela, enquanto a duração dos vínculos continuar "oculta", o mercado perde fluidez. Quanto mais o futebol feminino se aproximar da transparência já vista no masculino, mais rápido atingirá seu potencial comercial.
Por fim, a ex-atleta admite, em tom bem-humorado, que às vezes bate uma pontinha de arrependimento.
— Sendo sincera, ao ver o mercado hoje, às vezes penso: 'Se isso existisse quando eu jogava, eu já teria feito três transferências internacionais'. De vez em quando, confesso que ainda fico tentada a amarrar as chuteiras de novo — diz ela, com bom-humor.
Como funciona a plataforma
A TransferRoom lançou o Women's Marketplace, plataforma dedicada que conecta clubes, agentes e jogadoras. A iniciativa chega em um momento de rápida transformação do mercado: entre 2021 e 2025, os gastos com transferências no futebol feminino saltaram de US$ 1,4 milhão para US$ 12,3 milhões.
A proposta da TransferRoom é criar um ecossistema global, oferecendo ferramentas como dados específicos para o futebol feminino, disponibilidade de jogadoras em tempo real, mensagens seguras, valor de transferência esperado (xTV) e verificação de agentes.
Além da plataforma online, executivos e representantes do mercado poderão se encontrar pessoalmente no Women's Football Forum, marcado para 27 de fevereiro de 2026, em Stamford Bridge, com rodadas de reuniões individuais, painéis com líderes do futebol feminino e oportunidades exclusivas de networking.
Clubes de mais de 45 ligas já aderiram à iniciativa, incluindo grandes nomes da WSL, NWSL, França, Alemanha e Escandinávia, fortalecendo uma rede global que promete acelerar ainda mais a profissionalização e a visibilidade do futebol feminino.

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