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Como os jogos de futebol feminino às 11h impactam atletas? Especialista explica

Fisiologista do Santos, Carol Freitas fala sobre os cuidados com as atletas diante do estresse térmico

Giselly Correa Barata
São Paulo (SP)
Dia 30/11/2025
09:54
Jogadora do Santos cobrando escanteio. (Foto: Ronaldo Barreto/Ag.Paulistão)
imagem cameraJogadora do Santos cobrando escanteio durante jogo da Copa Paulista de futebol feminino. (Foto: Ronaldo Barreto/Ag.Paulistão)

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Os jogos às 11h da manhã, mais frequentes no calendário do futebol feminino, voltam ao centro das discussões. A prática foi alvo de reclamações de atletas durante as semifinais do Paulistão Feminino, nos duelos entre Palmeiras x Ferroviária e Corinthians x São Paulo, disputados sob forte calor.

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O tema reacendeu a cobrança por melhores condições de jogo. Apresentada em novembro pela CBF, mudança do calendário do futebol feminino, prevê que a partir de 2026 a modalidade ganhe o sábado à tarde como um de seus horários fixos. A medida é vista por clubes, comissões técnicas e atletas como um avanço estrutural, capaz de reduzir riscos físicos e melhorar o desempenho em campo.

Enquanto a mudança não chega, profissionais que atuam no dia a dia dos clubes seguem reforçando a importância dos cuidados específicos para jogos sob calor intenso.

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Saúde em Campo é a seção do Lance! que traz mensalmente conteúdos especiais sobre saúde e bem-estar voltados para o futebol feminino. Neste mês, o objetivo é entender melhor os impactos de partidas marcadas para o final da manhã, o Lance! conversou com Carol Freitas, fisiologista do Santos, que detalhou as adaptações necessárias para proteger as atletas e manter o rendimento.

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Jogadoras passam por estresse térmico'

A fisiologista Carol Freitas, do Santos, explica que jogos às 11h impõem um estresse térmico significativo às atletas. Segundo ela, o calor mais forte e a maior radiação solar obrigam a comissão técnica a redobrar cuidados. "A pré-hidratação se torna essencial", afirma, destacando que o corpo precisa produzir mais suor para equilibrar a temperatura. Há, ainda, a diferença entre o gramado sintético e natural.

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— O tipo de gramado pode influenciar a carga térmica recebida pelas atletas. O gramado sintético absorve e irradia mais calor do que o gramado natural. No planejamento físico, partidas em sintético exigem controles ainda mais rígidos de hidratação, estratégias intensificadas de resfriamento e, em alguns casos, ajustes que reduzam o tempo de exposição a esforços contínuos sob calor intenso — explica ela.

Por isso, a hidratação é intensificada antes, durante e depois da partida. Na prática, é monitorada por meio de pesagem pré e pós-jogo e pelas tradicionais pausas para água. Carol ressalta ainda o uso de estratégias de resfriamento, como toalhas geladas e bebidas frias, para retardar a fadiga térmica. A alimentação também ganha atenção especial: a ingestão de eletrólitos, especialmente sódio, precisa ser maior para garantir o equilíbrio hídrico em condições tão exigentes.

Ela explica que, antes de jogos pela manhã, o trabalho começa cedo. Nutricionistas, fisiologistas e preparadores físicos monitoram o estado de hidratação de cada atleta, avaliando cor da urina, variação de peso e respostas em questionários. A equipe também observa sinais de estresse térmico — queda de desempenho, tontura, irritabilidade ou dificuldade de concentração — e faz ajustes imediatos quando necessário. "São fatores que podem mudar completamente como uma jogadora reage ao calor", alerta.

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Medidas de prevenção e cuidado adotadas em jogos pela manhã

  1. Pré-hidratação reforçada e hidratação aumentada antes, durante e após o jogo
  2. Pesagem pré e pós-jogo para controle hídrico
  3. Pausas de hidratação na metade do primeiro e segundo tempo
  4. Uso de estratégias de resfriamento (toalhas geladas, bebidas frias)
  5. Maior ingestão de eletrólitos, especialmente sódio, no pré-jogo
  6. Monitoramento de hidratação por cor da urina, questionários e variação de peso
  7. Observação de sinais de estresse térmico (tontura, irritabilidade, queda de desempenho)
Carol Freitas, fisiologista do Santos feminino. (Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C)
Carol Freitas, fisiologista do Santos feminino. (Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C)
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