Como os jogos de futebol feminino às 11h impactam atletas? Especialista explica
Fisiologista do Santos, Carol Freitas fala sobre os cuidados com as atletas diante do estresse térmico

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Os jogos às 11h da manhã, mais frequentes no calendário do futebol feminino, voltam ao centro das discussões. A prática foi alvo de reclamações de atletas durante as semifinais do Paulistão Feminino, nos duelos entre Palmeiras x Ferroviária e Corinthians x São Paulo, disputados sob forte calor.
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O tema reacendeu a cobrança por melhores condições de jogo. Apresentada em novembro pela CBF, mudança do calendário do futebol feminino, prevê que a partir de 2026 a modalidade ganhe o sábado à tarde como um de seus horários fixos. A medida é vista por clubes, comissões técnicas e atletas como um avanço estrutural, capaz de reduzir riscos físicos e melhorar o desempenho em campo.
Enquanto a mudança não chega, profissionais que atuam no dia a dia dos clubes seguem reforçando a importância dos cuidados específicos para jogos sob calor intenso.
Saúde em Campo é a seção do Lance! que traz mensalmente conteúdos especiais sobre saúde e bem-estar voltados para o futebol feminino. Neste mês, o objetivo é entender melhor os impactos de partidas marcadas para o final da manhã, o Lance! conversou com Carol Freitas, fisiologista do Santos, que detalhou as adaptações necessárias para proteger as atletas e manter o rendimento.
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Jogadoras passam por estresse térmico'
A fisiologista Carol Freitas, do Santos, explica que jogos às 11h impõem um estresse térmico significativo às atletas. Segundo ela, o calor mais forte e a maior radiação solar obrigam a comissão técnica a redobrar cuidados. "A pré-hidratação se torna essencial", afirma, destacando que o corpo precisa produzir mais suor para equilibrar a temperatura. Há, ainda, a diferença entre o gramado sintético e natural.
— O tipo de gramado pode influenciar a carga térmica recebida pelas atletas. O gramado sintético absorve e irradia mais calor do que o gramado natural. No planejamento físico, partidas em sintético exigem controles ainda mais rígidos de hidratação, estratégias intensificadas de resfriamento e, em alguns casos, ajustes que reduzam o tempo de exposição a esforços contínuos sob calor intenso — explica ela.
Por isso, a hidratação é intensificada antes, durante e depois da partida. Na prática, é monitorada por meio de pesagem pré e pós-jogo e pelas tradicionais pausas para água. Carol ressalta ainda o uso de estratégias de resfriamento, como toalhas geladas e bebidas frias, para retardar a fadiga térmica. A alimentação também ganha atenção especial: a ingestão de eletrólitos, especialmente sódio, precisa ser maior para garantir o equilíbrio hídrico em condições tão exigentes.
Ela explica que, antes de jogos pela manhã, o trabalho começa cedo. Nutricionistas, fisiologistas e preparadores físicos monitoram o estado de hidratação de cada atleta, avaliando cor da urina, variação de peso e respostas em questionários. A equipe também observa sinais de estresse térmico — queda de desempenho, tontura, irritabilidade ou dificuldade de concentração — e faz ajustes imediatos quando necessário. "São fatores que podem mudar completamente como uma jogadora reage ao calor", alerta.
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Medidas de prevenção e cuidado adotadas em jogos pela manhã
- Pré-hidratação reforçada e hidratação aumentada antes, durante e após o jogo
- Pesagem pré e pós-jogo para controle hídrico
- Pausas de hidratação na metade do primeiro e segundo tempo
- Uso de estratégias de resfriamento (toalhas geladas, bebidas frias)
- Maior ingestão de eletrólitos, especialmente sódio, no pré-jogo
- Monitoramento de hidratação por cor da urina, questionários e variação de peso
- Observação de sinais de estresse térmico (tontura, irritabilidade, queda de desempenho)

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