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Opinião: contra críticos da F1, Antonelli é a aposta de Toto Wolff que enfim deu certo

Italiano precisava de dois pontos para conquistar título inédito – e conseguiu.

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
01/11/2026 19:30
•Atualizado há 1 minutos
Toto Wolff e Kimi Antonelli se abraçam no GP de Mônaco da F1
Toto Wolff e Kimi Antonelli se abraçam no GP de Mônaco da F1 (Foto: Reprodução/Instagram: @kimi.antonelli)

Toto Wolff decidiu apostar em Kimi Antonelli quando a Mercedes precisava preencher o espaço deixado por Lewis Hamilton (e que aposta, não é mesmo?). Aos 18 anos, o italiano recebeu uma das vagas mais cobiçadas da Fórmula 1 e, junto com ela, uma responsabilidade que poucos pilotos tão jovens precisaram carregar. A escolha do chefe da equipe, porém, esteve longe de ser unanimidade.

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A pressão aumentou quando os resultados demoraram a aparecer. Em 2025, Antonelli passou por uma sequência de nove corridas sem pontuar e chegou a ser questionado por pessoas do próprio paddock, justamente no momento em que ainda tentava se adaptar à realidade da principal categoria do automobilismo.

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Foi nesse cenário que Wolff decidiu manter a confiança. Em vez de tratar as dificuldades como sinal de que a promoção havia sido precipitada, o chefe da Mercedes enxergou o período como parte do processo de formação do italiano. Um ano depois, a aposta ganhou outra dimensão: Antonelli chegou ao GP do México precisando de apenas dois pontos para conquistar o primeiro título mundial da carreira.

De promessa da Mercedes a campeão mundial

A relação entre Antonelli e a Mercedes começou muito antes da estreia na Fórmula 1. O italiano entrou no programa de jovens pilotos da equipe aos 11 anos e passou praticamente uma década sendo preparado para chegar ao cockpit, que acabou ficando disponível após a saída de Hamilton.

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O caminho, no entanto, não foi linear. A primeira temporada na F1 trouxe erros, resultados abaixo das expectativas e uma pressão que aumentou justamente porque a comparação com Hamilton aparecia naturalmente. E quem não lembra das lágrimas de Antonelli em Spa? Um dos momentos que simbolizaram o peso que o jovem carregava naquele início.

Mesmo assim, a Mercedes não mudou o plano. Até porque a ideia parecia ser simples: deixa que o novato erre e aprenda com seus próprios erros. O trabalho desenvolvido durante anos, então, continuou sendo tratado como um projeto de longo prazo, com Kimi cercado por engenheiros, profissionais do programa júnior e pela própria estrutura da equipe. E, assim, a confiança depositada nele começou a encontrar resposta dentro da pista.

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A resposta veio na pista

A virada aconteceu de maneira contundente em 2026, quando a Fórmula 1 estreou um novo regulamento técnico. E, simples assim, Kimi Antonelli deixou para trás as dificuldades do ano anterior e passou a acumular resultados de protagonista. Até que transformou a disputa pelo campeonato em uma corrida praticamente particular.

Kimi Antonelli no pódio do GP dos EUA de F1, erguendo troféu e sorrindo (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)
Kimi Antonelli no pódio do GP dos EUA de F1, erguendo troféu e sorrindo (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)

A vitória no GP dos Estados Unidos foi um dos momentos mais marcantes dessa trajetória. Depois dela, Wolff voltou a falar sobre os críticos que questionaram a presença do italiano na Fórmula 1 e lembrou que algumas pessoas chegaram a dizer que ele sequer deveria ocupar um lugar na Mercedes.

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— Há muitas pessoas que disseram no ano passado, após nove corridas sem pontos, que ele não deveria ser piloto da Mercedes. Pessoas em outros times que disseram que ele não deveria estar na F1. Lembro das lágrimas em Spa, então agora é extremamente satisfatório ver o que ele conseguiu fazer, como ele trabalhou com o time, com o Bono, e ganhando resultados. Mas não foi um caminho fácil — afirmou Wolff, em entrevista ao "ge".

O contraste ajuda a dimensionar a transformação. O piloto, que um ano antes era apontado como uma aposta prematura, passou a chegar às etapas decisivas do campeonato como líder. Aos 20 anos, Antonelli não precisava mais responder sobre seu lugar na F1. Ele precisava apenas cumprir a última etapa de uma temporada que mudou completamente sua história.

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Wolff bancou a escolha

Para Wolff, o título também representa a confirmação de um projeto que começou quando Antonelli ainda era uma criança no kart. O chefe da Mercedes não atribui a transformação a uma única pessoa e costuma dividir os méritos com todos os profissionais que participaram do desenvolvimento do italiano.

— Eu não fui o único responsável por isso. Foi um trabalho de time, foi nosso time júnior que o descobriu quando ele tinha 11 anos. E agradeço ao grupo que o desenvolveu por muitos anos — explicou.

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A decisão de colocá-lo no lugar de Hamilton, contudo, passou sim diretamente por Wolff. Em um dos momentos mais importantes da história recente da Mercedes, o dirigente escolheu entregar o carro a um piloto de apenas 18 anos em vez de recorrer a uma opção mais experiente. Bem parecido até com o jovem Lewis chegando para substituir Michael Schumacher, mas, ainda assim, o britânico já havia sido campeão mundial.

Agora, a resposta está no resultado. Antonelli transformou em uma conquista histórica aquilo que, pouco tempo antes, era tratado por alguns como uma aposta arriscada – e até um erro. Para Wolff, o título não apaga as dificuldades enfrentadas pelo italiano no início da trajetória. Pelo contrário, mostra que a confiança depositada nele resistiu justamente ao momento em que mais era colocada à prova.

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E a aposta que começou cercada de dúvidas termina com uma taça nas mãos. Kimi Antonelli é o novo campeão da Fórmula 1, com quatro etapas de antecedência e com inúmeros recordes nas costas. Um deles, inclusive, ao se tornar o piloto mais novo da história a conquistar o mundo, desbancando ninguém menos que Sebastian Vettel.

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