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Em nota, Flamengo reclama por não ter jogo adiado no Brasileirão

Clube terá série de desfalques em última rodada antes da parada para a Copa

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Marcio Dolzan
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 23/05/2026
11:24
Leonardo Jardim comanda treino do Flamengo no Ninho do Urubu (Foto: Adriano Fontes / Flamengo)
imagem cameraLeonardo Jardim terá uma série de desfalques para último jogo antes da parada da Copa (Foto: Adriano Fontes/Flamengo)

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O Flamengo emitiu nota pública neste sábado (23) em que critica a manutenção do calendário do Brasileirão às vésperas da parada para a Copa do Mundo. O rubro-negro carioca queria adiar o confronto com o Coritiba, marcado para o dia 30, por causa do grande número de jogadores que estarão cedidos a seleções que disputarão o Mundial. A CBF, porém, já avisou que não fará mudanças na tabela.

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No texto, o Flamengo compara o Brasileirão à liberação autorizada pela Fifa no caso dos jogadores envolvidos com a final da Uefa Champions League, também no próximo sábado. A analogia, contudo, é imprecisa: a Champions é um torneio continental, não nacional, e a Conmebol conseguiu liberação semelhante para os clubes sul-americanos envolvidos com a Libertadores e com a Copa Sul-Americana, que terá rodada na próxima semana. E, pelo regulamento da Copa do Mundo, os jogadores convocados já deveriam ser cedidos às seleções a partir de segunda-feira (25).

Com oito parágrafos, a nota do Flamengo afirma que o não adiamento da rodada é "um erro muito claro". "Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil)", diz parte do texto.

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O clube considera que é preciso reconhecer os avanços promovidos pela CBF em relação ao calendário, e reconhece a importância da Copa do Mundo, mas depois aponta para um "conflito de interesses".

"Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo", diz o texto.

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Bap, presidente do Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)
Flamengo, do presidente Bap, queria adiar jogo com o Coritiba (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

A liberação de jogadores envolvidos com a final da Uefa Champions League é histórica, e já tirou atletas de parte da preparação da Seleção Brasileira em outros momentos. Antes da Copa do Mundo da Rússia, em 2018, por exemplo, o lateral Marcelo, o volante Casemiro e o atacante Roberto Firmino foram ausências nos primeiros dias de atividade na Granja Comary, em Teresópolis, porque disputaram a final do torneio europeu, entre Real Madrid e Liverpool.

A Conmebol fez pedido de liberação semelhante este ano, e foi atendida pela Fifa. No início de maio, a entidade alterou o regulamento da Copa do Mundo e definiu que os clubes deveriam ceder os jogadores às seleções a partir do dia 25, mas "exceções à liberação obrigatória de jogadores serão aplicadas a quaisquer jogadores envolvidos nas partidas finais dos torneios de clubes de suas confederações (continentais) e na última rodada da fase de grupos dessas competições, até e incluindo 30 de maio de 2026, e sujeitas à aprovação da Fifa". O regulamento não prevê o mesmo para competições nacionais, como o Brasileirão.

O Lance! apurou que a CBF não irá adiar nenhum jogo do Brasileirão antes da parada para a Copa do Mundo. A entidade considera que os clubes estão cientes da tabela desde outubro do ano passado, quando o calendário do futebol brasileiro foi divulgado. Além disso, o assunto foi reiterado no Conselho Técnico do Brasileirão, realizado em dezembro.

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Íntegra da nota do Flamengo sobre o Brasileirão

Na esteira da mais recente encruzilhada em que se encontra o Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número significativo de jogadores convocados para a Copa do Mundo FIFA, é preciso refletir: onde estamos errando e como iremos solucionar esses problemas?

Neste caso, o erro está muito claro. Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil).

É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo.

Quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores em razão de convocações, quem perde, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto se desvaloriza, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas.

No passado, soluções paliativas da CBF buscaram amenizar esse problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipe atuar caso cinco de seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão realmente para durante Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aeronaves para trazer atletas que atuaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Essas medidas paliativas já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipes brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir cada vez mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão de suas competições precisa evoluir junto.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado em razão das convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as quedas precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando no dia 4/8/26, sem conflitar com Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará de tudo para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube.

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