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Batalha de La Plata: Flamengo retorna, em alerta, ao palco de 'guerra' na Libertadores

Rubro-Negro teve dois jogadores com fraturas e um terceiro lesionado na fase de grupos

PorLucas Bayer•Rio de Janeiro (RJ)
15/10/2026 07:00
Jogadores de Estudiantes e Flamengo em La Plata
Jogadores de Estudiantes e Flamengo em La Plata (Foto: Nacho Amiconi/DiaEsportivo/Folhapress)

O Flamengo volta a La Plata nesta quinta-feira (15), às 21h30 (de Brasília), para enfrentar o Estudiantes pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores, mas carrega lembranças preocupantes do último encontro entre as equipes na Argentina. Em abril, o empate por 1 a 1 pela fase de grupos ficou marcado por fraturas de Arrascaeta e Emerson Royal, um trauma no pé direito de Bruno Henrique, reclamações sobre a arbitragem e a expulsão dos dois treinadores. Agora, o Rubro-Negro espera que a história não se repita.

A partida disputada em 29 de abril, pela terceira rodada do Grupo A, ganhou contornos de uma verdadeira Batalha de La Plata. O confronto teve disputas físicas intensas, reclamações dos jogadores e dirigentes do Flamengo e um ambiente de tensão que ultrapassou as quatro linhas. O episódio voltou ao centro das atenções às vésperas da semifinal, especialmente depois de José Boto, diretor de futebol rubro-negro, cobrar uma atuação mais rigorosa da arbitragem.

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— Preocupa que aconteça outra vez esse tipo de coisa, né? E que saiam impunes. Futebol é um jogo agressivo, mas depende dos árbitros travarem a agressividade. Isso é a única coisa que me preocupa, é que não haja excesso de agressividade e que seja um bom jogo de futebol, porque eles têm futebol para jogar também, sem terem que entrar nesse tipo de agressividade. Não ser como no último jogo e ter um árbitro muito permissivo — declarou Boto na chegada da delegação à Argentina.

José Boto cercado de microfones em entrevista no Galeão
José Boto, diretor do Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

Fraturas e reclamações marcaram o primeiro encontro

O episódio mais preocupante aconteceu aos 16 minutos do primeiro tempo. Após uma dividida com Ezequiel Piovi, Arrascaeta caiu sobre o ombro direito, sentiu fortes dores e precisou deixar o campo. O uruguaio foi levado a um hospital em La Plata, onde exames confirmaram uma fratura na clavícula direita.

Emerson Royal também sofreu uma fratura no nariz durante a partida. O lateral-direito permaneceu em campo, mas criticou a condução da arbitragem e questionou a punição aplicada a uma entrada de Farías por trás, em um movimento de tesoura.

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— Se o jogo tem agressividade e é leal, eu gosto disso. Mas houve muitas atitudes desleais, principalmente essa tesoura que você falou. Graças a Deus eu não estava com o pé no chão, poderia ter sido grave. O juiz deu amarelo, nem foi ao VAR. (...) Eu estou bem, está doendo minha perna, meu pescoço, mas faz parte do jogo. Ele disse que o jogador não foi com a força para vermelho. Eu perguntei se uma tesoura por trás precisava quebrar a perna para ser força excessiva.

Royal em Estudiantes x Flamengo
Emerson Royal em Estudiantes x Flamengo pela Libertadores (Foto: Juan Mabromata/AFP)

Royal também relatou outros episódios que, na avaliação dele, demonstraram falta de controle sobre as disputas.

— No momento em que eu bati o nariz, não foi nada demais, foi uma trombada, mas foram vários lances que não são aceitáveis. No segundo tempo teve o lance do pênalti, que acho que foi, não vi o cara chegando. Depois teve uma agressão, levei uma trombada na cara, e o bandeira disse que eu tinha que levar o amarelo. (...) O lance do Bruno Henrique, para mim, foi claro de segunda amarelo. Como falei, isso acaba atrapalhando o espetáculo. Quando ele (árbitro) me dá amarelo, disse que falei uma palavra que não falei. Então, a gente fica muito triste com essa perseguição.

Além das lesões de Arrascaeta e Royal, Bruno Henrique sofreu um trauma no pé direito após uma pancada. A sequência de problemas físicos reforçou a insatisfação do Flamengo com o nível de contato permitido durante o confronto.

O clima também atingiu os bancos de reservas. Leonardo Jardim, pelo Flamengo, e Alexander Medina, pelo Estudiantes, foram expulsos em uma partida que terminou com reclamações rubro-negras sobre a atuação do árbitro chileno Piero Maza.

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José Boto comparou o cenário a uma guerra

As críticas da diretoria começaram ainda depois do empate, quando Boto descreveu as condições físicas dos jogadores rubro-negros e cobrou uma postura diferente da arbitragem na Argentina.

— Nós estamos ali dentro com uma série de jogadores cheios de hematomas, parece que vêm de uma guerra, e não de um jogo de futebol. Agressividade é uma coisa, a violência é outra — disse o dirigente.

Arrascaeta em Estudiantes x Flamengo
Arrascaeta em Estudiantes x Flamengo (Foto: Juan Mabromata/AFP)

A declaração ajuda a explicar a escolha da expressão que passou a acompanhar o reencontro entre as equipes. Para o dirigente, o problema não estava na intensidade natural de uma partida de Libertadores, mas naquilo que considerava excessos e na falta de punição para determinados lances.

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Boto também questionou a diferença de critério que, na avaliação dele, existe na condução das partidas disputadas em território argentino.

— Os árbitros, não sei por quê, na Argentina, conduzem o jogo de uma forma diferente. Dois lances claramente de expulsão que ele deixa para trás, e fica impossível jogar assim. A Conmebol tem que ver como os árbitros apitam aqui na Argentina, porque apitam de uma forma aqui e, fora daqui, apitam de outra forma — completou.

Na sequência, Boto voltou a cobrar uma resposta da Conmebol para evitar que a condução dos jogos seja marcada pelo excesso de contato físico.

— É muito violento, só vocês verem nossos jogadores ali como ficaram, parece que chegaram de uma guerra. É um alerta para a competição, que é a maior da América do Sul, para não ter esse tipo de arbitragem só em um país — finalizou.

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Os números do confronto ampliam a discussão

O retrospecto disciplinar daquela partida ajuda a dimensionar o cenário que gerou as reclamações. O Estudiantes cometeu 15 faltas, contra cinco do Flamengo, e recebeu cinco cartões amarelos, enquanto o Rubro-Negro foi advertido uma vez.

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Os números, isoladamente, não determinam se houve violência ou erro de arbitragem. No entanto, quando colocados ao lado das fraturas, das entradas contestadas e das declarações dos envolvidos, ajudam a explicar por que o duelo de abril permanece na memória do Flamengo.

O ponto central da discussão é o limite entre a intensidade física característica da Libertadores e os lances que colocam em risco a integridade dos atletas. A cobrança rubro-negra não é para eliminar o contato do jogo, mas para que entradas consideradas perigosas sejam punidas de acordo com as regras.

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Nove fraturas em 2026 aumentam a preocupação do Flamengo

O reencontro com o Estudiantes acontece em um momento no qual o Flamengo voltou a manifestar publicamente preocupação com a integridade física de seus jogadores.

Na última segunda-feira, o clube divulgou uma nota informando que havia chegado a nove fraturas sofridas por atletas em partidas disputadas pela equipe ao longo de 2026. O comunicado foi publicado após Danilo sofrer duas fraturas na mandíbula durante o clássico contra o Fluminense, no Maracanã.

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O Flamengo questionou a não paralisação da partida após o choque entre Danilo e o goleiro Fábio e também citou o episódio envolvendo Jorge Carrascal, que sofreu uma cotovelada de Guilherme Arana e deixou o campo com um hematoma no rosto.

Arbitragem terá papel central no reencontro

Para o jogo de ida da semifinal, a Conmebol designou o paraguaio Juan Gabriel Benítez como árbitro principal. Eduardo Cardozo e Milciades Saldívar serão os assistentes.

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A equipe de arbitragem terá o desafio de controlar uma partida que reúne ingredientes para ser intensa: a importância de uma vaga na final, a pressão da torcida argentina e o histórico recente de reclamações entre os clubes.

O Flamengo não esconde a preocupação com a possibilidade de novos episódios semelhantes aos de abril. Boto deixou claro que espera uma atuação capaz de conter os excessos desde os primeiros minutos, sem impedir que o Estudiantes utilize suas características competitivas.

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