Histórico em campo e conceitos à la Tite: por que o Timão quer Cristóvão
Treinador está sem clube há três meses e agradou diretoria do Corinthians após indicação. Ele defendeu o clube na década de 80 e convenceu por não representar ruptura ao trabalho

Cristóvão Borges não era uma das prioridades do Corinthians para assumir a vaga de Tite, que trocou o clube pela Seleção Brasileira na semana passada. A diretoria alvinegra passou os últimos dias realizando consultas a profissionais como Sylvinho, Fernando Diniz, Eduardo Baptista e Roger Machado, mas nenhum deles deu sinalização positiva às investidas, o que deixou o Timão sem um foco definido. Entre técnicos oferecidos por empresários e outros vistos espontaneamente com bons olhos, o de Cristóvão despontou. A principal razão do interesse do Corinthians no baiano de 57 anos foi o fato de ele não representar uma ruptura ao estilo de trabalho realizado por Tite desde 2015.
Além de um técnico com conceitos de jogo semelhantes aos de Tite, como manutenção da posse de bola, amplitude, inversões de posicionamento e ofensividade, o Corinthians procurava alguém com um perfil mais moderado no comportamento, também como seu ex-treinador. Cristóvão não é afeito a declarações fortes ou grandes polêmicas, e costuma conduzir bem o dia a dia. Estes elementos convenceram o clube a apostar no nome de Cristóvão, que dirigirá apenas seu sexto clube na carreira.
Efetivado no comando do Vasco em 2011, após problemas de saúde de Ricardo Gomes, de quem era auxiliar, Cristóvão Borges dirigiu Bahia, Flamengo, Fluminense e Atlético-PR na sequência. O último trabalho foi no Paraná, e terminou em março deste ano. No Flamengo, clube em que trabalhou por apenas quatro meses, o treinador foi comparado a Tite por alguém que conhece bem o ex-corintiano: Emerson Sheik, campeão da Libertadores e do Mundial sob o comando do gaúcho.
- Trabalhei com o Tite e vi o Cristovão muito parecido com ele. Achei que nunca fosse encontrar um treinador do futebol parecido com o Tite, bem estudioso - disse Sheik, em 2015.
Somado a fatores como perfil de trabalho e comportamento, Cristóvão foi visto como bom nome por conhecer de perto as pressões do Corinthians. O ex-meio-campista vestiu a camisa do Timão entre as temporadas de 1986 e 1987, com 58 jogos realizados e 13 gols marcados. Dois de seus gols tiveram sabor especial: ele marcou contra o Palmeiras numa semifinal de Campeonato Paulista e também balançou as redes do rival São Paulo. Cristóvão pendurou as chuteiras em 1994 e iniciou a trajetória como auxiliar técnico quatro anos depois. Ele acompanhou Ricardo Gomes até 2011 e depois iniciou a carreira como treinador que agora chega ao sexto clube.
Além de Cristóvão, o Corinthians trabalhou com outros perfis semelhantes ao de Tite: Oswaldo de Oliveira e Vagner Mancini, que só voltarão a ser procurados caso não haja acordo com o baiano de 57 anos. Cristóvão virá a São Paulo neste domingo para acertar detalhes finais do contrato, que deve ser válido até dezembro de 2017. Da mesma maneira que era com Tite.
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