Finazzi diz que queda de 2007 foi premeditada e alerta Corinthians: 'Obrigação'
Ex-atacante relembra bastidores da campanha histórica e cobra maior protagonismo

O ex-atacante Finazzi, um dos principais nomes do Corinthians no Campeonato Brasileiro de 2007, relembrou os bastidores do primeiro rebaixamento da história do clube e comparou aquele cenário com a situação vivida pela equipe em 2026. Em entrevista ao LANCE!, o ex-jogador apontou fatores externos como determinantes para a queda há 19 anos e destacou as diferenças entre os elencos das duas temporadas.
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Artilheiro do Corinthians naquela edição do Brasileirão, com 12 gols, Finazzi acredita que o rebaixamento de 2007 foi influenciado por acontecimentos fora das quatro linhas. Na avaliação do ex-atacante, o clube sofreu com decisões de arbitragem e problemas nos bastidores ao longo da competição.
– Nós pagamos por algumas coisas de 2005, que vieram depois repercutir. A questão dos grampos telefônicos. E eu acho que, na minha opinião, eles meio que determinaram que o Corinthians iria ser rebaixado em 2007. Porque quem participou dentro de campo, foi o campeonato todo, tudo contra a gente. Tudo, tudo. Tudo que você pode pensar – afirmou Finazzi.
O ex-jogador também destacou que o elenco daquela temporada tinha um bom relacionamento interno, mas enfrentava dificuldades para lidar com a pressão provocada pela ameaça de rebaixamento.
– Sobre o clima no vestiário, primeiro que era um grupo que não tinha problema de relacionamento. Era um grupo bom nesse sentido, muito bom. Todo mundo tinha amizade, todo mundo queria muito conseguir escapar do rebaixamento. Mas é igual falei, acho que os problemas eram mais fatores externos. A pressão da torcida, é claro que alguns sentiam. Não tem como ser diferente. Mas eu acredito que o maior problema foram os bastidores daquele ano – declarou.
Finazzi relembra suspensão na reta final de 2007
Um dos episódios mais marcantes daquela campanha aconteceu na partida contra o Goiás, no estádio Serra Dourada. Na ocasião, Finazzi recebeu o terceiro cartão amarelo do árbitro Alício Pena Júnior e ficou suspenso do confronto seguinte, contra o Vasco. Revoltado, o atacante fez gestos com as mãos insinuando roubo e chamou o juiz de "vagabundo".
Posteriormente, o jogador foi denunciado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), com base no artigo 251 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por desrespeito à arbitragem. Como punição, recebeu mais uma partida de suspensão e também desfalcou o Corinthians na última rodada, contra o Grêmio, quando a equipe acabou rebaixada.
Finazzi, porém, contesta a interpretação do episódio e afirma que recebeu o cartão amarelo antes de fazer os gestos contra a arbitragem.
– Tem muita gente que pensa que eu faço o gesto com a mão e tomo o cartão amarelo. É o contrário. Alício Pena Júnior, que é o árbitro da partida em Goiânia, ele me dá um cartão amarelo sem eu falar absolutamente nada para ele. Todo mundo sabia que eu tinha dois cartões amarelos. Então, quando ele me dá esse cartão sem eu fazer nada, eu fico transtornado porque eu sei que eu tô fora do próximo jogo, que é o jogo importante contra o Vasco – explicou.
– Aí, sim, eu faço o gesto. Depois dele me dar o cartão, e não antes. E aí, por causa do gesto, eles me tiram também do jogo contra o Grêmio. Então já começa daí. Eles me tirando dos dois jogos decisivos. Eu era o cara que vinha fazendo os gols. Tava numa fase muito boa e poderia ter ajudado nos dois jogos finais – completou.
O ex-atacante também questionou outros acontecimentos daquela edição do Campeonato Brasileiro e afirmou acreditar que o destino do Corinthians já estava definido antes mesmo do encerramento da competição.
– Outra coisa: voltar três vezes o pênalti para o Goiás até fazer o gol, para que o Corinthians fosse rebaixado. Então, assim, são coisas que não são comuns e que aconteceram naquela época. Então é por isso que eu falo, quando me perguntam o que poderia ter sido feito, eu acho que talvez não teria nada para ser feito. Eu acho que seria difícil. Tava meio que predeterminada a queda do Corinthians. Essa é minha opinião – disse.

Comparação entre os elencos de 2007 e 2026
Atualmente, o Corinthians enfrenta novamente uma luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Para Finazzi, entretanto, existem diferenças significativas entre o grupo que disputou a competição em 2007 e o elenco comandado por Clarence Seedorf nesta temporada.
Na avaliação do ex-atacante, a equipe atual conta com jogadores mais experientes, reconhecidos internacionalmente e com salários superiores aos recebidos pelos atletas daquela época. Por isso, entende que os principais nomes do elenco precisam assumir maior responsabilidade na reta final da competição.
– Hoje em dia tem muito jogador que já é consagrado. Você pega a questão salarial. Vou dar um chute aí, mas pelo menos uns dez jogadores, individualmente, teriam o salário maior do que a folha toda daquela época. Então, assim, hoje a gente conta com jogadores mais renomados, mais experientes e que têm obrigação de chamar a responsabilidade. Naquela época era nós ali abraçados contra tudo e contra todos. Então é um pouco diferente – analisou.
Finazzi também comparou suas características com as de Yuri Alberto, um dos principais atacantes do atual elenco. O ex-jogador destacou que exercia uma função mais voltada à finalização, enquanto o camisa nove participa de outras ações ofensivas.
– A comparação do Yuri Alberto comigo não dá certo pela característica. Porque o Yuri é um segundo atacante que briga bastante, ajuda muito a equipe, mas de maneira diferente. Eu era um jogador mais finalizador. E que vivia um momento muito bom. Não tem ninguém hoje no Corinthians que vive um momento tão bom quanto o que eu vivia – afirmou.
Pressão e confiança na luta contra o rebaixamento
Além das diferenças técnicas entre os elencos, Finazzi apontou a falta de confiança como um dos principais obstáculos enfrentados pelos jogadores que disputam a permanência na Série A.
O ex-atacante explicou que conseguiu manter seu desempenho individual durante a campanha de 2007, mas reconheceu que outros companheiros sentiram os efeitos da pressão exercida pela torcida e pelos resultados negativos.
– A principal dificuldade para jogar quando você está nessa situação é a falta de confiança. No meu caso, na época, eu não sofri tanto porque eu vinha num momento muito bom. Eu tinha o respaldo e a confiança da torcida, então isso aí me ajudava muito. Mas eu sei que atrapalhou muita gente, porque é pressão, a gente sabe a grandeza do clube. E aí, quando as coisas não estão dando certo, o jogador vai perdendo a confiança. Acho que esse é o maior desafio – avaliou.
Questionado sobre o que os atletas do Corinthians poderiam fazer para evitar uma nova queda, Finazzi evitou dar orientações específicas por não acompanhar a rotina de treinamentos do elenco. Ainda assim, ressaltou a importância da preparação e da união do grupo.
– Eu acho que, para você poder tentar ajudar, teria que estar vivendo o dia a dia ali do clube, vivendo o que cada jogador tem feito para se preparar. Eu acredito, no futebol, acredito muito em preparação. Não basta chegar e querer fazer as coisas sem estar bem preparado. Então, acho que teria que procurar fazer o melhor aí no dia a dia para chegar em campo e, a hora que for tentar fazer as coisas dentro de campo, conseguir – disse.
Apesar das lembranças negativas de 2007 e das dificuldades enfrentadas pelo Corinthians nesta temporada, o ex-atacante encerrou com uma mensagem de confiança na recuperação da equipe.
– Mas o que eu deixo aí para a torcida e para os jogadores é que Corinthians luta até o final, sempre, e sempre acredita. Então, a gente acredita que vai conseguir escapar – concluiu.

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