Opinião: 'Criamos um monstro, René!'
Editor e colunista do LANCE! lembra célebre frase que marcou o início da carreira de Neymar para analisar a imagem deixada pelo atacante após a Copa do Mundo da Rússia<br>

Neymar é a pior figura criada pelo futebol brasileiro nos últimos 20 anos. Antes que eu tenha de desviar da primeira pedra, reitero: a pior figura, não o jogador. Como atleta, o camisa 10 está na linha sucessória de Ronaldo Fenômeno, Romário e Ronaldinho Gaúcho, mesmo ainda sem vencer uma Copa do Mundo como o trio. O atacante também pode atingir, por que não, o nível de Messi e Cristiano Ronaldo, embora as circunstâncias indiquem que essa não é a tendência.
A Copa do Mundo trouxe um choque de realidade ao astro da Seleção. De candidato a melhor do planeta e responsável por levar o Brasil ao hexa à principal chacota universal. Antes, éramos reconhecidos pela grandeza de Pelé e as cinco estrelas que temos na camisa. Hoje, em qualquer esquina do mundo, um brasileiro é associado às quedas de Neymar nos gramados da Rússia.
Mas Neymar se recusa a fazer autocrítica e parece crer que está no caminho correto enquanto o mundo inteiro cismou em persegui-lo.
'O problema é que Neymar vive em uma bolha'
O problema é que Neymar vive em uma bolha. Basta uma visita à caixa fechada de comentários do seu Instagram para ver a quantidade de bajuladores e aproveitadores de segunda categoria que tentam tapar o sol com a peneira.
Para quem não quer perder o tempo com a rede social é só lembrar a declaração do coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, na qual afirma que "é muito difícil ser Neymar" e se compadece com o "drama" vivido pelo camisa 10. Tite foi outro que o mimou durante o período na Copa e esqueceu o valor pedagógico na função de treinador da Seleção Brasileira.
Um dos poucos que tiveram coragem de enfrentá-lo foi René Simões, em setembro de 2010. Na célebre frase "estávamos criando um mostro", o então treinador do Atlético-GO alertou para o perigo de termos um fora de série e mal-educado desportivamente ao mesmo tempo.
Naquela época, após o jogo contra o Santos, René já se mostrava atento em relação ao número de vezes que Neymar se atirava no chão.
As palavras de René se desmancharam no vento. O mostro foi sendo moldado com a complacência da imprensa e treinadores. Em um momento, ele até esteve adormecido. Neymar parecia que explodiria e seria o sucessor natural de Messi no Barcelona. Porém, desde a metade do ano passado, o menino mimado quis ter um time só para ele e deixou aflorar os piores comportamentos. Que desperdício!
*Leonardo Pereira é editor do LANCE!

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