Thiago Salata
15/07/2018
17:48
Enviado especial a Moscou (RUS)

A cena de jogadores entrando em uma sala de coletiva para dar um banho do treinador campeão é algo que se repete pelo mundo há anos. Mas no caso da França, o "abraço coletivo" dado pelos atletas em Didier Deschamps simboliza a relação de união que se formou entre o grupo e seu treinador. Foi cantando "Didier Deschamps! Didier Deschamps" que os jogadores interromperam a entrevista do técnico com um banho de água e isotônicos.

Encharcado, o comandante abriu um sorriso de satisfação. E mesmo tendo entrado para a história tendo sido campeão como jogador (1998) e treinador, Deschamps não cansou de colocar a nova glória sempre na conta dos atletas. Ao lado de Zagallo (1958, 1962 e 1970) e do alemão Beckenbauer (1974 e 1990), o francês conseguiu a façanha de ter títulos no campo e no banco. Sendo capitão, apenas o ex-zagueiro da Alemanha havia conquistado na história.

- Não gosto de falar de mim. É uma vitória dos jogadores, é um imenso prazer ter ganho de novo após 20 anos, claro. Vai estar na minha memória para sempre. Mas esses jogadores foram muito fortes. Hoje os jovens estão felizes, pessoas que não viveram em 1998. 23 jogadores serão lembrados para sempre. Talvez vão ganhar outros títulos, mas quando você é campeão do mundo, isso muda tudo. E falei para eles - afirmou o treinador francês.

- É um prazer para mim estar nesse grupo sele (campeões como técnico e jogador). É um orgulho pessoal, mas é um sonho secundário. Estou feliz pelos meus jogadores. Mbappé tem só 19 anos e já é campeão do mundo, por exemplo. Hoje, meus jogadores são campeões do mundo - completou.


A França é a seleção mais jovem a vencer uma final desde 1978, quando a Argentina conquistou seu primeira Copa do Mundo, em casa. A média de idade dos 11 titulares é de 25,8 anos - argentinos tinham 25,2. O grupo de 23 atletas é o mais novo do Mundial da Rússia, ao lado da Nigéria (média de 26 anos).

Confira mais respostas de Deschamps na sala de imprensa do Lujniki:

A final e o título
"Nós não jogamos um grande jogo, mas mostramos qualidade mental. E de toda forma nós marcamos quatro gols. Por 55 dias, trabalhamos muito, juntos. Estamos orgulhosos de ser franceses, de sermos Bleus. Vários dias juntos, não tivemos nenhum problema, são 23 jogadores. Nós tivemos diálogos, às vezes mais quentes. Mas foi um prazer pessoal, e eles são jovens. Essa competição é muito difícil, o começo dela é sempre o mais complicado. 

Dois anos depois do vice na Euro
"O grupo trabalhou tão duro e tivemos alguns momentos difíceis ao longo do caminho. Doeu muito perder o campeonato europeu há dois anos, mas isso nos fez aprender também. Estou muito orgulhoso. O coletivo é crucial, mas os talentos individuais também fazem diferença. No caminho, esse time foi construído. Deram tudo no campo e fora do campo."

Grandes caindo cedo na Copa
"Os times pequenos no papel vieram muito bem preparados, fisicamente, com bons sistemas defensivos. Isso é futebol. Eu não sei o que fizemos melhor, passamos em primeiro no grupo. A segunda fase é um torneio totalmente diferente, pegamos a Argentina, um grande time. Quando passamos, ganhamos confiança, crescemos psicologicamente. Meus jogadores são guerreiros. O talento só não é suficiente, o que faz diferença é como você está mentalmente para jogar. Foi uma euforia depois da vitória contra a Argentina. Mas depois tivemos de voltar para a realidade, encarar o Uruguai."