Análise tática do Guffo: o Athletico-PR pode surpreender no Brasileirão?
Organização tática e limitações de elenco colocam em dúvida a consistência do time

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Olhar para a tabela do Brasileirão e ver o Athletico-PR no G4 causa um misto de surpresa e desconfiança. Mas a verdade precisa ser dita logo de cara, sem meias palavras: a campanha não é sorte, é transpiração tática. Odair Hellmann está tirando leite de pedra de um elenco que, no papel e na profundidade, deveria estar brigando na metade de baixo da tabela. O Furacão compete no limite porque entendeu suas próprias limitações e transformou isso em um modelo de jogo incômodo para qualquer adversário.
O mecanismo do Athletico passa por aceitar que não é um time de controle absoluto, mas de eficiência territorial. A diretoria focou em montar um meio-campo de combate, mas esqueceu da criação. Como Zapelli oscila fisicamente e não consegue entregar 90 minutos de intensidade, e os garotos da base ainda estão amadurecendo, o time precisa ser letal. A bola recuperada tem que chegar rápido na frente. Não é um time que amassa o adversário com posse; é um time que fere quando o rival respira.
O colombiano é o fiel da balança
E é impossível explicar esse Athletico sem falar da sua grande válvula tática: Viveros. O artilheiro do campeonato não é apenas um finalizador que fica plantado esperando a bola. Ele baixa no pé dos volantes, gira, arrasta a marcação, ganha no físico e cria a própria janela de finalização. Ele perde gols feitos? Sim, perde. Mas o volume de chances que ele mesmo gera compensa a falta de refino em alguns lances. O Athletico joga em função dele, e ele entrega uma confiança que sustenta o ataque inteiro nas costas.
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Essa engrenagem funciona tão no limite que, às vezes, exige o imponderável para não travar. Vimos isso recentemente com a assistência espetacular de Jadson, um volante de contenção achando um passe de primeira, de costas, quebrando a linha adversária. Vimos também o garoto Claudinho assumindo a lateral-esquerda com uma naturalidade impressionante. O Athletico sobrevive porque a organização coletiva de Odair Hellmann empurra os jogadores a renderem acima do seu teto técnico.
Nem tudo são flores
O risco, no entanto, é gritante e atende por um nome: profundidade de elenco. O 11 titular do Athletico é competitivo, mas quando você olha para o banco, o cenário assusta. Entrar numa Série A dependendo de Mendoza e Julimar como titulares já era um risco enorme; perder peças por lesão e ter que recorrer a garotos crus ou veteranos fora de rotação é flertar com o abismo. O time não tem reposição. Se Viveiros espirrar e perder dois jogos, o sistema ofensivo simplesmente colapsa.
É por isso que a pergunta "o Athletico pode surpreender no Brasileirão?" precisa de um choque de realidade. O campeonato que Odair Hellmann faz é de aplaudir de pé, mas sustentar isso por mais seis meses com esse mesmo grupo é quase utópico. Na janela de transferências, os times que estão abaixo vão se reforçar, encorpar e ganhar fôlego. O Athletico não tem apenas que melhorar; ele precisa desesperadamente de peças para sobreviver à maratona de quarta e domingo sem quebrar fisicamente.
O cenário atual é de um time que já entregou muito mais do que a sua matéria-prima prometia. Se o Athletico terminar o campeonato no meio da tabela, a temporada já terá sido um sucesso tático absoluto. Exigir Libertadores desse grupo é punir a competência do treinador de fazer um time limitado jogar no seu limite máximo. O Furacão surpreende hoje porque compete com a faca nos dentes, mas no futebol de pontos corridos, elenco costuma vencer a vontade. A janela vai ditar se o Athletico continua sonhando alto ou se apenas garante uma campanha segura, o que, dadas as circunstâncias, já seria um baita troféu.

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