Jorginho - América

Jorginho na época que dirigia o América (Foto: Paulo Wrencher/ Lancepress)

Roberto Assaf
16/01/2016
10:00
Rio de Janeiro (RJ)

A vida de Jorginho como jogador foi até aqui bem mais fácil do que a de técnico. Simples: no campo, podia abusar da sua capacidade, ao lado um punhado de craques de sua geração. Para que não viu, ou não sabe, o homem jogou nas duas laterais. Foi campeão carioca e brasileiro por clubes, prata em Olimpíadas, sul-americano e mundial pela Seleção Brasileira, pela qual disputou quase 70 partidas. Vestiu a camisa de grandes times, aqui, na Alemanha e no Japão, nos quais também ganhou muito. Já na boca do túnel, tem sido obrigado a suportar vários comandados medíocres, fora a eterna pressão do torcedor.

Começou no seu berço, o América do Rio, onde ganhou notoriedade durante o Estadual de 2006, levando a equipe ao vice da Taça Guanabara, em partida polêmica, pois vencia o Botafogo por 1 a 0, quando o árbitro William de Souza Nery preferiu não apontar pênalti num lance entre o goleiro alvinegro Max e o centroavante Chris.

Vejam a imagem em movimento na Internet e tirem suas próprias conclusões. O fato é que a vantagem de 2 a 0 daria vantagem significativa ao time, que era bastante superior ao adversário, naquele momento. No tempo final, afetado, o Diabo murchou, e caiu por 3 a 1.

A campanha do time não era fantástica: perdera para Volta Redonda e Friburguense – e derrotando Madureira, Vasco, Botafogo e Cabofriense, este nos pênaltis, mas decidir o seu primeiro título de Primeira Divisão desde 1983 fez o time resgatar o suporte da mídia e ressuscitar a sua própria torcida.

Jorginho contava naquele ano com alguns bons jogadores, como Santiago, Maciel, Julinho, Robert e Chris, mas o que o treinador fez foi tornar o América competitivo, utilizando a fórmula “Che Guevara” – endurecer a marcação, sem perder a criatividade jamais.

A equipe ainda chegou às semifinais da Taça Rio. Porém, uma derrota desastrosa de 3 a 1 para o Americano, afastou de vez Jorginho da briga pelo título carioca. Agora no Vasco, 10 anos mais experiente, num clube de massa, o técnico poderá enfim chegar lá.