Igor Siqueira
11/11/2016
00:25
Rio de Janeiro (RJ)

Vencer a Argentina por 3 a 0 foi excelente. Ainda mais tendo Messi em campo. Mas, pelo que aconteceu no Mineirão, cabia mais. Cabia muito mais. Tanto pelo que o Brasil fez quanto pelo que a Argentina não fez.

Em uma análise rápida, só por aquele lance em que Paulinho - depois de driblar Romero no segundo tempo - não conseguiu finalizar com equilíbrio para o gol vazio. Pena que deu tempo Zabaleta chegar e tirar. 

A atuação do próprio Paulinho - para não ficar falando sempre sobre Neymar - foi um ingrediente fundamental para o crescimento do Brasil e o sentimento de que 3 a 0 foi "pouco". Com Fernandinho amarelado desde o começo do jogo, coube a ele fazer as vezes de "sombra" de Messi, ao mesmo tempo dando volume à transição brasileira do meio para o ataque.

O Brasil jogou muito, mas a Argentina foi um "bando" em campo depois de levar o primeiro gol. A defesa teve atuação ruim, dando espaços, errando botes e posicionando-se mal. Os hermanos acabaram apelando para as faltas. Um lance emblemático foi Higuaín vindo lá da frente perseguindo Neymar e tentando atingir o brasileiro por trás. 

Messi tentou "voos" solo, mas foi neutralizado totalmente. Se deu uma arrancada no jogo foi muito. Ainda que se desvencilhasse do volante que estava perto, os zagueiros brasileiros cobriam o espaço com sucesso.

O técnico Bauza contribuiu para o enfraquecimento da Argentina. A substituição no intervalo, sacando Pérez e colocando Agüero, desmontou o meio-campo, abrindo espaço pelas pontas. É incrível como três dos principais atacantes da Europa - Messi, Agüero e Higuaín - não consigam representar perigo aos adversários nestas Eliminatórias.

Para voltar a citar virtudes brasileiras em vez de erros argentinos, a Seleção mais uma vez teve boa movimentação, sobretudo diante da exposta Argentina. Neymar e Coutinhos roubaram a cena. Gabriel Jesus foi coadjuvante no Mineirão, mas isso não quer dizer que tenha jogado pouco. O passe para o gol de Neymar foi um exemplo do quão importante o atacante de 19 anos se tornou para a Seleção. Ele tem cara de choro, mas nem parece que fica nervoso em jogos do quilate de Brasil x Argentina.

Firmino "Safadão" entrou no jogo e também poderia ter contribuído para deixar o placar mais elástico. O passe de Renato Augusto não virou assistência para gol porque o sósia do cantor famoso furou. Mas nada que irritasse o eufórico torcedor brasileiro.

Por falar na turma da arquibancada, o fato de a torcida gritar o nome de Tite não foi demagogia para enaltecer o treinador "da moda". A ascensão em cinco jogos impressiona. O Brasil cresce exponencialmente, caminha a passos largos rumo à Rússia. Azar da Argentina, do Equador, de Bolívia, Venezuela... O Peru é o próximo da lista.